Nômades, atletas se desdobram para ficar perto dos filhos. Veja histórias

Por Aretha Martins - iG São Paulo |

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Crianças sofrem com mudanças e ausência dos pais, mas também curtem conhecer lugares e culturas diferentes

Pai ou mãe esportista recebe uma proposta para mudar de equipe. Só que esse novo time fica em outra cidade, outro estado ou até em outro continente. E agora, como lidar com os filhos na vida nômade de atleta? Para este Dia das Crianças, o iG reuniu algumas histórias para mostrar como os jogadores se viram nesta situação.

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Paula Pequeno e a filha Mel. Foto: Reprodução/FacebookPaula Pequeno se derrete pela filha e mostra no Facebook preparação de Mel para o primeiro dia de aula em Brasília. Foto: Reprodução/FacebookNeymar e Messi entraram em campo no jogo Barcelona x Real Sociedad com seus rebentos nos braços. Foto: David Ramos/Getty ImagesNeymar costuma levar David Lucca para o gramado também nos jogos da seleção brasileira. Foto: Reprodução/InstagramNeymar está na Espanha desde julho e recebeu a primeira visita de David Lucca em setembro. Como de costume, encheu as redes sociais de fotos com o menino. Foto: Reprodução/InstagramMais uma de Neymar com o filho durante visita do pequeno em setembro. Foto: Reprodução/InstagramPique levou seu filho com a cantora Shakira no jogo Barcelona x Sevilla no Campeonato Espanhol. Foto: David Ramos/Getty ImagesZagueiro do Barcelona afaga o pequeno Milan antes de jogo. Foto: David Ramos/Getty ImagesFilhos do goleiro Julio Cesar roubaram a cena na final da Copa das Confederações e foram parar até no pódio com a seleção. Foto: William Volcov / Brazil Photo PressCauet vibrou, tirou fotos e não desgrudou do pai na festa do título. Foto: Laurence Griffiths/Getty ImagesMaurren Maggi é mãe de Sofia e a garotinha ficou conhecida depois que a atleta faturou o ouro nas Olimpíadas de Pequim. Foto: Wagner Carmo/CBAt - DivulgaçãoSofia, que tinha três anos na época, disse que preferia uma medalha de prata ao ouro. Foto: Arquivo pessoalJogador de vôlei Gustavo ao lado da esposa Raquel e dos filhos Enzo e Eric. Foto: Reprodução/FacebookFilhos de Gustavo durante o período que o central morou na Itália. Foto: Reprodução/Facebook


Vale morar primeiro sozinho, ficar na cidade mesmo após o final do vínculo com o clube e outros sacrifícios. Entretanto, depois que se acostumam, os filhos de atletas curtem os novos lugares, conhecem culturas e até se divertem com tantas mudanças.

“Para onde vou, monto uma estrutura para ela”

A bicampeã olímpica Paula Pequeno é mãe de Mel e depois de passagens pela Rússia, por Araçatuba e pela Turquia, assinou com o Brasília e, pela primeira vez, joga em sua cidade natal. A jogadora afirma que Mel, de sete anos, não sente as mudanças.

“Primeiro porque ela me admira muito e admira muito o que eu faço. Ela é minha fãzona. Segundo é que, para onde eu vou, antes de tudo eu monto uma estrutura para ela. Então ela não sente. Eu que fico acabada!”, conta Paula. “Ela fica com a minha mãe, com minha sogra ou com o pai. Eu vou e organizo tudo. Vejo apartamento, escola, condução e deixo tudo perfeito. Ainda levo uma babá. Quando ela chega, ela não sente porque já tem uma rotina pronta para ela. Quando volta ao Brasil, é a mesma coisa”, explica a jogadora.

Reprodução/Facebook
Paula Pequeno ao lado da filha Mel no frio da Rússia

E mesmo pequena, Mel voltou da Turquia – Paula defendeu o Fenerbahce na última temporada – com lembranças e aprendizado. “Ela fala umas coisas em turco e canta o hino. Durante a novela (Salve Jorge, antiga trama das oito da Rede Globo) ela falava: ‘Ah, mamãe, que saudade da Turquia’. Ela lembra claramente. Quando mostra fotos, a memória dela está completamente fresca e ela fala de detalhes, pessoas, nomes”, derrete-se Paula.

A ponteira ainda diz que a vida corrida de atleta não a afasta de Mel e que, no final, as mudanças podem ser bem aproveitadas pela garota. “Eu invisto muito em qualidade. Se eu tenho um minuto, é um minuto inteiro para ela e muito intenso. Com isso a gente consegue ter essa proximidade. E tudo isso serão experiências que ela não vai esquecer mais. Acho que está sendo bom para ela amadurecer e saber que a gente vai ter que se virar lá na frente”.

Sem jogar, mas perto da filha

Nem sempre dá para conciliar família com os times. E, nesses casos, tem jogador que deixou a profissão um pouco de lado por causa da filha. Felipe Menezes chegou nesta temporada do Palmeiras depois de ficar três meses sem jogar. Ele tinha contrato com Sport até o final do ano passado e estava liberado para tentar um novo time, mas optou por ficar em Recife mesmo sem clube por causa do nascimento de Laura.

Leia mais: Felipe Menezes curte chegada da filha e volta ser titular após cem dias

"O momento em que a minha filha nasceu foi uma oportunidade de estar mais próximo dela, sem viagens e sem concentração. Pude conviver com ela praticamente por um mês sem sair muito de casa. Eu a curti bastante. Eu fiquei em Recife muito por conta dela e também por estar fazendo academia para não ficar muito parado. No momento em que surgisse algum clube, eu estaria um pouco condicionado.", disse o meia ao iG em agosto.

Filhos de um lado, pais do outro

O mais comum nesta relação é ver pais que se mudam para jogar e se separam momentaneamente dos rebentos. Neymar é um exemplo disso. O atacante defende o Barcelona e se mudou para a Espanha em julho. Davi Lucca, de dois anos, segue morando com a mãe Carolina Dantas por aqui. “Quando decidi (assinar com o clube catalão), sabia que sentiria saudade de algumas pessoas, entre elas do meu filho. Mas sempre que puder ele vai ficar aqui comigo”, comentou o jogador na primeira coletiva com a camisa azul-grená.

Reprodução/Instagram
Mensagem de Neymar para Davi Lucca no dia do aniversário do garoto, em agosto. Atacante estava em Barcelona e o pequeno, no Brasil


A primeira visita do pequeno ao pai foi em setembro e foi retratada com diversas fotos nas redes sociais. Mas Neymar teve que passar o aniversário longe do filho: “Hoje faz 2 anos que Deus me deu a maior benção da minha vida. PARABÉNS filho. Saudade, PAPAI TE AMA”, escreveu o jogador em seu perfil na web.

“Dia dos Pais ou alguma data especial sempre tem um treino ou um jogo e não participo. A minha mulher assumiu um papel determinante na criação deles, mas quando sentem a minha falta, a coisa pega. Tento estar sempre presente nem que seja online, mas volta e meia ainda escuto um ‘Deixa pra lá pai, você não estava aqui mesmo’.Dói...Mas eles entendem até bem demais a minha ausência”, fala Gustavo, central campeão olímpico e mundial com a seleção masculina de vôlei. Ele é casado com Raquel e pai de Eric, de 13 anos, e Enzo, de 10.

Gustavo ficou longe dos filhos, por exemplo, quando defendeu a Cimed, de Florianópolis, na temporada 2011/2012. Agora, toda a família mora em Canoas e o jogador segue nas quadras e também atua na gerência do time da cidade. E quanto mais o tempo passa, pode ser mais complicado convencê-los sobre as mudanças.

“Conforme ficam mais velhos e começam a estabelecer vínculos maiores nos lugares onde ficamos como amigos, paqueras e esportes, fica mais complicado. Mas os meninos nunca foram de reclamar demais, eles seguem a família e ficam na boa”, revela Raquel.

Eles já deram um recado ao pai atleta. “Só agora, que vai fazer um ano que estamos aqui no Sul, que eles começaram a se acalmar e realmente digeriram toda a novidade. E já me avisaram que não se mudam mais. Eric em especial já me falou isso”, conta Gustavo.

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