Desorganização faz Brasil perder etapa de Copa do Mundo de tiro em 2014

Por Marcelo Laguna - iG São Paulo |

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Confederação diz que não teria tempo hábil para receber a verba, via Ministério do Esporte, e organizar o torneio, mas governo alega que nada foi pedido nos prazos estipulados

Nos próximos três anos, o Rio de Janeiro deverá receber diversas competições internacionais, já por conta da realização dos Jogos Olímpicos de 2016. Mas no tiro esportivo, um destes torneios não será realizado basicamente por desorganização. A CBTE (Confederação Brasileira de Tiro Esportivo) desistiu de receber a etapa da Copa do Mundo de tiro ao prato (modalidades skeet, fossa olímpica e fossa double), que estava marcada para acontecer entre 26 de abril e 7 de maio de 2014, no CNTE (Centro Nacional de Tiro Esportivo), em Deodoro. O motivo: não teria como conseguir dinheiro a tempo para organizar o evento.

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Divulgação/Rio 2016
Visão geral do Centro Nacional de Tiro Esportivo, localizado no Complexo de Deodoro (RJ)


A confederação decidiu abrir mão de receber um campeonato oficial do calendário da ISSF (Federação Internacional de Tiro Esportivo) por entender que não atenderia a todos os requisitos exigidos pelo Ministério do Esporte para participar da abertura da Chamada Pública – quando todas as entidades esportivas apresentam seus projetos para o ano seguinte e que, após aprovados, recebem os recursos públicos necessários. Enquadra-se neste caso a organização de eventos esportivos com a ajuda do governo federal.

“Os recursos existem e seriam disponibilizados pelo Ministério do Esporte, mas para isso precisaríamos passar por um longo processo, com inúmeros detalhes, muito burocracia, e a captação do dinheiro só ocorreria entre março e abril do ano que vem. Por isso, corríamos o risco de organizar o evento sem ter o dinheiro na conta”, afirmou Luciano Parreira Alves, secretário-geral da CBTE. Segundo ele, a organização da etapa da Copa do Mundo custaria algo entre R$ 800 mil a R$ 900 mil.

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Divulgação/CBTE
O atirador Rodrigo Bastos participa de treinamento no Centro Nacional de tiro, em Deodoro

A dificuldade para a captação dos recursos, contudo, é contestada pelo governo. “Isso não existe, basta seguir todos os trâmites exigidos. Além disso, a CBTE pegou convênios em 2011 e 2012 e nunca nos falou desta etapa da Copa do Mundo. Este evento em Deodoro seria uma prioridade para nós”, explicou Ricardo Leyser, secretário de Alto Rendimento do Ministério do Esporte. Segundo ele, a desculpa da Chamada Pública não pode ser usada.

“Isso tem muito a ver com a organização de cada confederação. Em 2011, o handebol fez o projeto dentro do prazo para organizar o Mundial feminino adulto e teve o recurso liberado. O pentatlo moderno anualmente realiza eventos internacionais em Deodoro e também tem seus projetos aprovados. Confederações organizadas têm feito eventos internacionais”, explicou Leyser. A próxima Chamada Pública do Ministério do Esporte ocorrerá ainda neste mês de outubro.

Veja ainda: Rodrigo Bastos fica apenas por um prato da disputa por medalhas no Mundial

Sem querer entrar em rota de colisão com o governo, a CBTE aliviou nas críticas. “Sabemos que existe muita burocracia no Brasil, mas estes trâmites também servem para diminuir o risco de fraudes”, disse Alves, que preferiu mirar a bateria de reclamações na administração anterior. “Estávamos sob intervenção judicial nos últimos três anos e a antiga diretoria não apresentou o projeto para a Copa do Mundo. Na realidade, assumimos uma confederação dilapidada, praticamente ser recursos”, defendeu-se o dirigente da CBTE.

A meta da entidade agora é finalizar o projeto de captação de recursos para a organização de uma das etapas da Copa do Mundo em 2015 (ainda sem data definida pela ISSF), também em Deodoro, mas com todas as modalidades do tiro esportivo (carabina e pistola, além do tiro ao prato). “Essa etapa nos interessa muito mais, pois estarão em jogo vagas olímpicas para 2016”, explicou Luciano Parreira Alves.

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