Reunião com a agência mundial antidoping será realizada no dia 6 de setembro, no Canadá, para definir os caminhos do recredenciamento do laboratório escolhido para 2014 e 2016

Marco Aurélio Klein é diretor-executivo da ABCD
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Marco Aurélio Klein é diretor-executivo da ABCD

A revogação das credenciais do Ladetec, laboratório que iria realizar os exames antidoping na Copa do Mundo de 2014, Olimpíadas e Paraolimpíadas de 2016, anunciada nesta terça-feira pela Wada (sigla em inglês para agência mundial antidoping) não foi considerada uma surpresa pelos representantes do governo brasileiro.Segundo Marco Aurélio Klein, diretor-executivo da ABCD (Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem), a decisão já era esperada, diante da complexidade do caso. Para ele, o mais importante agora será ganhar tempo no processo de recredenciamento e por isso, foi decidido que o país não pretende recorrer na CAS (Corte Arbitral do Esporte).

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"Teríamos 21 dias para entrar com o recurso na CAS. Mas após uma reunião, consideramos que o o tempo é o ativo mais importante que temos para recredenciar o Ladetec e, por isso, optamos por não entrar com recurso contra a decisão da Wada", disse Klein. Com a opção de não questionar o veredicto na Corte Arbitral do Esporte  resta ao Ladetec seguir todos os passos do processo de recredenciamento.

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Teoricamente, isso ameaça seriamente a utilização do Ladetec como o laboratório oficial dos exames antidoping durante a Copa de 2014, em razão de faltarem dez meses para a abertura do Mundial. Mas Marco Aurélio Klein prefere ter cautela ao falar do futuro.

"O governo já definiu que o Ladetec será o laboratório para a Copa e para as Olimpíadas, disso não abre mão. Por isso, não mediremos esforços para que esse compromisso seja atendido. Porém, não tenho como precisar datas, pois trata-se de uma situação completamente nova, na qual eu desconheço os processos necessários para um novo credenciamento", disse o diretor-executivo da ABCD, órgão ligado ao Ministério do Esporte.

Reunião no Canadá

A única data definida é a de 6 de setembro, quando foi marcada uma reunião entre os representantes brasileiros e a direção da Wada, no Canadá. Estarão presentes neste encontro, além do próprio Klein, o diretor do Ladetec, Francisco Radler. "Somente após essa reunião é que eu poderei entender todo o mecanismo necessário para a realização deste processo e como ganharemos tempo para recredenciar o Ladetec", disse o diretor-executivo da ABCD.

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Mas se demonstra uma postura conservadora ao evitar dar algum prazo para que o único laboratório brasileiro em condições de atuar nas Olimpíadas e na Copa do Mundo recupere suas credenciais da agência mundial antidoping, Marco Aurélio Klein também enxerga um traço de boa vontade entre os dirigentes da Wada.

"Em nenhum momento, eles chegaram para mim e disseram 'Olha, vocês não terão o recredenciamento'. Pelo contrário, no comunicado eles afirmaram que se colocam a disposição para acelar o processo. Isso para mim é igual a ouro", afirmou. O fato de existir um outro laboratório que também passa por um processo de recredenciamento, o de Ancara (Turquia), é visto como educativo para os brasileiros. "Na reunião do dia 6, poderemos entender o que se passou lá, e quais os pontos que foram sendo abordados pelos turcos e o que poderemos aplicar aqui", explicou.

Enquanto a reunião no Canadá não acontece, já está sendo montada uma verdadeira força-tarefa para trabaçhar no processo que pretende colocar o Ladetec como um dos laboratórios oficiais da Wada, formada por integrantes do Rio 2016, Ladetec, ABCD, Ministério do Esporte e da UFRJ, proprietária do Ladetec. Já se sabe que Klein e Radler farão parte deste grupo.

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