Governo tenta convencer Wada a salvar o Ladetec para Copa e Olimpíadas

Por Marcelo Laguna - iG São Paulo |

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Marco Aurélio Klein, diretor-executivo da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem, aguarda para setembro uma decisão da agência mundial antidoping

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Marco Aurélio Klein é diretor-executivo da ABCD

O dia 11 de setembro pode ser um divisor de águas no combate ao doping no Brasil. Será neste dia, após uma reunião do conselho executivo da Wada (sigla em inglês para agência mundial antidoping), que será conhecido o destino do Ladetec. Suspenso preventivamente de suas atividades desde o último dia 8 de agosto, o único laboratório brasileiro credenciado pela Wada – e definido como o responsável pelas análises dos exames de doping na Copa do Mundo de 2014 e nas Olimpíadas de 2016, no Rio – corre o risco de perder sua chancela definitivamente.

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Esse cenário radical nem passa pela cabeça de Marco Aurélio Klein, diretor-executivo da ABCD (Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem), até porque se isso ocorrer atrapalhará todo o processo de organização dos Jogos de 2016. “Não me passa pela cabeça que iremos perder nossa credencial, mas a situação é grave, temos que reconhecer”, afirmou. A reunião que decidirá o futuro do Ladetec ocorrerá em Buenos Aires, na sequência da Assembleia Geral do COI (Comitê Olímpico Internacional), que entre outras tarefas irá escolher a sede das Olimpíadas de 2020 e também eleger o novo presidente da entidade.

Veja também: Agência Mundial Antidoping suspende único laboratório brasileiro credenciado

O que deixa Klein um pouco mais tranquilo é que alguns dos pontos sinalizados pela Wada como responsáveis pela suspensão do Ladetec já foram resolvidos. “Não temos todo o detalhamento do processo, isso segue um padrão determinado por eles. Mas o importante é que temos a garantia do Governo brasileiro que todos os esforços necessários serão feitos para manter as credenciais do Ladetec, um dos três laboratórios do Hemisfério Sul aprovados pela Wada”, disse Klein. Além do Ladetec, estão credenciados na região os laboratórios de Joanesburgo (África do Sul) e Sydney (Austrália).

“Pontos na carteira”

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Imagem do projeto final do Ladetec

A situação do Ladetec, de acordo com a avaliação da Wada, é a de suspensão de atividades, que impede o laboratório de realizar qualquer tipo de teste. A recomendação da Wada é que seja revogada a licença, o que o obrigaria a passar por todo o processo de credenciamento. O pior dos cenários seria o descredenciamento. Se isso ocorrer, serão necessários ao menos três anos para que um laboratório volte a ser reconhecido pela Wada.

Entre as formas de avaliação da agência mundial aos laboratórios credenciados, está o envio de 25 amostras anônimas, para que sejam feitos exames. A medida que problemas neste processo são detectados, são atribuídos pontos negativos ao laboratório. “Em termos leigos, seria como a pontuação numa carteira de motorista”, explicou o diretor da ABCD. “Se não é detectado um determinado tipo de substância, ocorre a perda de pontos. Agora, se um laboratório encontrar um falso resultado positivo, ele é descredenciado imediatamente”, completou Klein.

Leia também: Suspensão de laboratório surpreende CBF e ameaça exames antidoping do Brasileiro

A recomendação da Wada ao caso do Ladetec é de revogação da licença, mas Marco Aurélio Klein tem confiança em um resultado positivo. “Em tese, o conselho executivo da Wada pode acatar a recomendação da entidade, que no caso foi de revogação. Mas nós apresentamos todos os nossos argumentos neste caso e, se for necessário, enviaremos uma missão à Buenos Aires para prestar mais esclarecimentos. Além disso, parte substancial dos problemas apontados foi resolvida”, afirmou.

Espírito Olímpico: Suspensão do Ladetec é é uma desmoralização para o combate ao doping no Brasil

Um dos argumentos para a manutenção da licença ao laboratório brasileiro é a de que ele será um dos maiores legados que os Jogos de 2016 deixarão ao país. “Ao contrário do que ocorreu em Pequim e Londres, nas próximas Olimpíadas o laboratório de controle antidopagem será uma estrutura permanente, equipado com alguns dos mais modernos equipamentos existentes. Depois, parte da estrutura seguirá com o Ladetec e parte será destinada à UFRJ [Universidade Federal do Rio de Janeiro]”, disse Klein.

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