Potência paraolímpica, Brasil agora tem ofertas de produtos exclusivos

De olho no crescimento dos esportes adaptados, lojas começam a investir em material específico para o paradesporto. Ex-BBB e atualmente paratleta comenta a iniciativa

Mário André Monteiro | - Atualizada às

Nos Jogos Paraolímpicos de Londres , que terminaram no último mês de setembro, o esporte brasileiro obteve seu melhor desempenho na história e faturou 43 medalhas no total, ficando em sétimo no quadro geral - foram 21 medalhas de ouro, 14 de prata e outras oito de bronze. O fato consolidou o País como potência paraolímpica, ficando atrás de nações que investem pesado no esporte, como China, EUA e Rússia.

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O avanço do Brasil no esporte paraolímpico já começa a ser refletido no mercado de artigos esportivos. Já é possível encontrar produtos exclusivos para o esporte adaptado , com itens para esportes como bocha, basquete, futebol e rúgbi.

Arquivo pessoal
Fernando Fernandes, tricampeão mundial de paracanoagem

O ex-BBB Fernando Fernandes, que depois de um acidente automobilístico se tornou um paratleta de alto nível, falou com exclusividade ao iG e aprovou o bom momento do esporte no Brasil. "É bom para adquirir tanto o material de iniciação quanto material de alto rendimento. E isso era difícil por aqui. É um grande passo não só para o esporte adaptado, mas para o esporte em geral. Essencial para a pessoa que quer ter qualidade de vida".

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Fernando é tricampeão mundial de paracanoagem - o último título foi conquistado em maio deste ano - e contou que seu equipamento de competição não é feito no Brasil, mas sim no exterior. "O caiaque que eu uso é de alto rendimento, não existe aqui. Tem medidas diferentes do caiaque olimpico e eu até estou desenvolvendo material pra isso", comentou o atleta. 

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Ralph Lagnado, gerente de marcas da loja virtual Netshoes, que passou a investir neste segmento do mercado, disse em conversa com o iG que, por ser uma iniciativa pioneira, o aprendizado com este público ocorre no dia a dia. "É um movimento que está começando. Estamos entendendo como que este público se comporta. É uma coisa nova para gente e para o Brasil também", comentou.

"A gente entende essa categoria como algo muito maior, chamamos de 'movimento esportes sem limites'. Antes de mais nada, a gente sentiu que tinha que ser verdadeiro. Para falar de esporte adaptado, a gente tinha que vender, tinha que ter isso à disposição. Se eu quero ser uma marca que tem como função democratizar o esporte, obviamente precisava ter uma categoria de esporte adaptado", completou Ralph.

A ideia de criar o movimento vem bem antes do sucesso brasileiro nas Paraolimpíadas. Há um ano, a Netshoes começou a se estruturar na área de marcas e deu o primeiro passo no trabalho com ONGs, até para conhecer melhor esse universo. A categoria em si foi ao ar no site no dia 1º de outubro de 2012.

"Não queremos capitalizar em cima da Paraolímpiada. É claro que é bacana, mas isso é só um aspecto em cima do movimento", disse Ralph, que vê esses produtos como outros quaisquer da sua loja. "Essa categoria está estruturada como uma categoria esportiva como as demais, como qualquer outra. Tem um projeto para se estruturar, a ideia é crescer", finalizou.

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E não são apenas paratletas que podem adquirir os produtos, como explicou Fernando Fernandes. "Nos EUA e na Europa, por exemplo, alguns triatletas que lesionam a perna acabam usando esses aparelhos de paraltleta. Eles são úteis também para quem não tem deficiência e que busca a reabilitação de alguma forma", revelou.

Arquivo pessoal
Fernando Fernandes em ação na paracanoagem

Brasil nas Paraolimpíadas
Apesar do avanço do esporte nacional nos Jogos Paraolímpicos, Fernando Fernandes não acha que o Brasil possa liderar o quadro de medalhas na competição de 2016, no Rio de Janeiro. Para o paracanoísta, o Brasil precisa se estruturar ainda mais se quiser chegar a esse status.

"É uma ideia muito distante. A China, por exemplo, teve o dobro de medalhas de ouro que os Estados Unidos. Os chineses enxergam o esporte como feramenta política e hoje em dia são potências no esporte olímpico e paraolímpico. Isso é uma força politica, porque através do esporte você mostra que seu país esta bem socialmente e economicamente", avaliou o tricampeão mundial.

"O trabalho do CPB (Comitê Paraolímpico Brasileiro) atualmente é muito bom, mas falta as empresas investirem na base, trabalharem junto com centros de reabilitações porque existe muita gente capacitada e interessada em competir", completou Fernando.

Além de comercializar os acessórios de esporte adaptado, a Netshoes também buscou uma parceria com a ADD (Associação Desportiva para Deficientes), instituição que beneficia milhares de pessoas portadoras de deficiência em diversas modalidades esportivas e cursos educacionais. Atualmente, a ADD oferece aulas de atletismo, basquete em cadeira de rodas, bocha, judô e vôlei sentado.

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