Lara, que foi para duas Olimpíadas ao lado de Nayara, competiu no Paulista de natação e conseguiu duas medalhas

Lara Teixeira, atleta olímpica do nado sincronizado, se aventurou em outras águas no final de outubro. Ela "se convidou" para fazer parte da equipe do Paineras, treinou um mês e foi para o Campeonato Paulista de natação, disputado em piscina curta. A experiência rendeu uma medalha de prata e uma de bronze e até ensinamentos para o nado sincronizado. Mas, por enquanto, nada de mudar de esporte. 

"No final do ano, as meninas mais novas do nado precisam passar por uma seletiva e uma das provas é nadar os 400 m livre. O técnico da natação Rogério “Mixirica” Nocentini chamou algumas para treinar e as convidou para participar do Paulista. Eu não preciso nadar essa seletiva, mas pedi para treinar com elas também", conta Lara, que logo completa: "Eu gostei bastante da natação, mas não penso em mudar. Sigo com o nado mesmo". 

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Nayara Figueira, parceira de Lara nas piscinas, também foi lembrada por Nocentini, mas disse não. "A Nayara não quis e ainda me chamou de louca", diverte-se Lara. No total, seis atletas mudaram de modalidade. E no nado sincronizado, isso não é novidade. Giovana Stephan, principal nome do solo no Brasil, já participou de três edições da Travessia dos Fortes (prova de 3500 km na praia de Copacabana, o Rio de Janeiro). 

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Apesar da intimidade com a água, já que faz nado sincronizado desde os 8 anos, Lara passou algumas dificuldasdes. "Sei nadar, mas do meu jeito, sem muita técnica. O mais difícil foi aprender a virada de costas. Tem que ficar em ângulo de 90º para bater e tem várias regrinhas. Ainda bem que não tive que fazer isso", fala. 

A atleta treinou um mês com a equipe de natação e competiu nos 50 m e 100 m peito, 50 e 200 m livre e compôs o revezamento 4 x 100 m livre. Foi o técnico quem escolheu quem iria para cada prova. E como resultado, um penúltimo lugar nos 200 m livre, a prova que ela mais temia, e uma prata no revezamento e um bronze nos 50 m peito. 

Lara exibe tatuagem das Olimpíadas e diz ter ficado satisfeita com experiência na natação
Divulgação
Lara exibe tatuagem das Olimpíadas e diz ter ficado satisfeita com experiência na natação

"Eu me dou muito melhor com explosão do que com resistência, por isso as provas rápidas. Até perguntei: 'Não tem uma prova só de 25m?'. Nos treinos dos 200 eu quase morria e parecia que a piscina não ia acabar nunca", lembra. "E no final dos 200, eu bati e vi que ganhei de uma menina. Achei isso bem legal. Sai bem satisfeita com todo o resultado", afirma. 

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A experiência em competições internacionais e Olimpíadas - Lara disputou os Jogos de Pequim e de Londres no dueto do nado sincronizado - ajudaram a manter o foco antes da largada. Mas na piscina, ela confessa ter se atrapalhado pela falta da familiaridade com o esporte e com as rivais competindo ao seu lado, já que na sua modalidade, cada solista, dueto ou equipe se apresenta separadamente. 

"Nos 50 m livre eu pensei: 'Vou nadar e não vou respirar'. Afinal, no nado sincronizado a gente passa muito tempo em apneia e treina para isso. Mas na hora eu fiquei tão abofada que respirei. Você olha para lado e vê só os pezinhos das outras meninas na sua frente e acaba esquecendo mesmo. É muito louco você ver o adversário passando e não ter forçar para se recuperar. Mas nadei em 28s01 e falaram que era um tempo bom", diz. O melhor resultado do ano na prova em piscina curta é 23s82, da sueca Sarah Sjostrom. 

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A natação ainda ensinou algumas coisas a Lara e até 'fez injeva'. "Quando a gente faz condionamento físico no nado sincronizado, a gente nada e só quer chegar em primeiro, sem pensar muito. Agora aprendi a ter um pouco mais de técnica e, com isso, não gastar mais energia  do que necessário", explica. 

"E é tão bom não ter duvida e ficar esperando pela nota e contar com a subjetividade do árbitro", comenta Lara, que recebe notas do aspecto técnico e artístico para compor a pontuação no nado sincronizado. "Ali na natação você bate, olha e já sabe o tempo. Bateu e acabou. Não tem que ficar esperando um julgamento", completa. 

A experiência valeu a pena e pode até ser um plano para o futuro. Por enquanto, Lara segue ao lado de Nayara como dueto e pensa em se aposentar do esporte depois das Olimpíadas de 2016. "Na natação é você e a água. Não dá para conversar com ninguém e acho que é um esporte até um pouco egoísta. Eu prefiro o dueto, ou até equipe, para ter com quem dividir", afirma. 

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