Atletas já foram vítimas da beleza e, por resultados, esquecem vaidade

Algumas mulheres não se importam em ter o corpo malhado demais. Outras, já foram até vítimas de doping por causa da ditadura da beleza

Aretha Martins - iG São Paulo | - Atualizada às

Esporte é um ótimo caminho para ter um corpo definido e invejado, tanto que muitas atletas ganham status de musas. E mulheres normalmente gostam de se cuidar, usar maquiagem, estar com o cabelo arrumado . Mas no ambiente das competições, nem sempre dá para pensar em vaidade.

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Há um tabu na natação. Comenta-se que algumas atletas não fazem tanta musculação porque o esporte já desenvolve os membros superiores. “A gente escuta muita gente reclamado disso, que não quer ficar forte ou que acha feio ter as costas largas”, afirma Joanna Maranhão.

Veja seleção de atletas musas


Para ela, isso não chega a ser um problema. “Eu gosto de estar forte por uma questão de genética. Eu tenho quadril largo e perna grossa e isso sempre me incomodou. Por isso, é bom malhar e ficar definida. Fica mais equilibrado”, diz a atleta de 1,73 m e 58 kg.

Divulgação
Ana Claudia Lemos mostra corpo malhado nas pistas de corrida e não se importa em 'crescer' pelo esporte

Ana Cláudia, velocista do Brasil, é bem menor que a nadadora e tem quase o mesmo peso. Ela tem 1,56 m e 57 kg, segundo dados do site oficial das Olimpíadas de Londres 2012. Para a baixinha, não importa como seu corpo ficará. O foco são os resultados na pista. “Meu objetivo é ser atleta e dentro do permitido, eu vou fazer e me dedicar. Eu já sou forte e ganho musculatura com facilidade e meu corpo acaba sendo moldado pela fase e intensidade de treinamento. Mas eu não me importo”, fala a corredora.

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Rosângela Santos, parceira de Ana Claudia nos revezamentos do Brasil, faz uma ressalva. “Eu não gosto de corpo muito malhado, masculinizado. Faço (musculação) porque eu preciso. Agora estou feliz assim e vou procurar manter, sem crescer mais”, comenta a atleta.

De volta à natação, os pelos do corpo também são citados na questão da vaidade. Logo após Londres 2012, Thiago Pereira reclamou das brasileiras e, em uma comparação com as norte-americanas, disse que as rivais abdicam da vaidade para se raspar apenas às vésperas das competições.

Por aqui, Fabíola Molina dá sua explicação. “Acho que ele foi infeliz neste comentário. Quem raspa, pode ter uma sensação diferente. Como você tira a pele morta, fica mais liso. Mas nos EUA elas são forçadas a fazer isso, ou não treinam. Para homem, pode fazer a diferença, mas para mulher, que não tem pelo no peito, nas costas, nem tanto. Deve ser psicológico, de falar ‘agora que estou rápido, vou raspar e ficar mais rápido ainda’. Mas não é milagre”, analisa a nadadora. Ela é adepta da depilação no dia a dia e não se raspa antes das competições.

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Em alguns momentos, pensar excessivamente na vaidade pode ter ajudado a algumas atletas a caírem no doping. Geisa Arcanjo, do atletismo, Jaqueline, do vôlei, e Daiane dos Santos, da ginástica, já foram pegas no exame depois de terem tomado chá emagrecedor e tiveram que cumprir suspensão.

Entretanto, no geral, as atletas se adaptam às exigências da profissão. Jogadoras de vôlei sofrem com roxos. “Tenho bastante no cotovelo por cair no chão. É horrível, mas nem ligo mais”, comente Camila Brait, líbero do Sollys/Nestlé e com passagem pela seleção brasileira.

AP
Joanna Maranhão tem cabelos longos e gostaria de dar mais atenção aos fios

Cabelo de atleta também sofre com suor e cloro, no caso da natação. “Treino duas vezes por dia, então lavo duas vezes por dia. E eu ainda tenho tintura e odeio me ver com pontas duplas. O jeito é hidratar sempre. Assim que saio da piscina, já passo creme”, diz Fabíola Molina.

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“Eu queria fazer mais coisas no cabelo, mas ele está sempre molhado. As vezes queria fazer um babyliss, uma coisa diferente, mas não dá”, comenta a também nadadora Joanna Maranhão. “Mas no final, nada incomoda. Não vou sacrificar nada no esporte por causa da vaidade”, completa.

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