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Autor critica quadro de medalhas e pede separação entre masculino e feminino

Em entrevista à Rolling Stone Brasil, jornalista esportivo Edgardo Martolio criticou forma como desempenho nos Jogos é medido e sugeriu mudanças

iG São Paulo | - Atualizada às

Gazeta Press
Caso o ranking do COI fosse por número total de medalhas, o Brasil iria da 22º para a 14º posição

Alvo comum de críticas, o quadro de medalhas elaborado pelo COI (Comitê Olímpico Internacional) para avaliar o desempenho dos países na Olimpíadas foi criticado pelo jornalista Edgardo Martolio, autor da trilogia "Citius, Altius, Fortius", que analisa os Jogos Olímpicos. Em entrevista para a revista Rolling Stone Brasil de setembro, ele disse que o modelo atual tem uma série de falhas e não consegue realmente avaliar o desempenho esportivo dos países nos Jogos.

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Na entrevista, Martolio apontou nove equívocos na classificação de medalhas e deu dicas do que considera o caminho para melhorar a performance brasileira. Entre suas críticas, o autor faz coro a reinvindicações recorrentes como a ordenção pelo número total de medalhas, não apenas de ouros, mas também fez críticas polêmicas e se posicionou contra, por exemplo, a mistura de gêneros no quadro de medalhas.

Veja as 9 sugestões feitas pelo jornalista:

" Acúmulo de medalhas desde 1896 . O mundo atual assistiu a duas guerras, tem outro mapa e outras fronteiras. Todas essas mudanças deixaram velhos demais os medalheiros antigos. Além disso, os dias de competição diminuíram, homens e mulheres passaram a disputar as provas e a quantidade de atletas cresceu. Ou seja, não há mais porque misturar o século passado com o atual.

Classificação pelos ouros. A quantidade de medalhas douradas não poderia anular o peso do resultado final. Segundo a pesquisa de Martolio, o mais justo seria outorgar valores diferenciados para cada tipo de colocação, somá-las, dividi-las pela quantidade de participações e classificar pela pontuação final.

Distribuição de medalhas segundo cada esporte. O atual cenário Olímpico possibilita que um país possa colocar vários atletas em uma única prova, competindo entre si e ocupando todo o pódio, enquanto esportes coletivos como o vôlei, conseguem por uma única equipe em campo e ganhar apenas uma medalha.

Acúmulo de medalhas em uma única modalidade. A participação multidisciplinar precisa ganhar lugar de destaque sobre a hegemonia de ser o melhor em uma única modalidade.

A mistura de gêneros. Analisar os dois sexos juntos nas tabelas de medalhas é injusto já que o machismo no esporte foi um fenômeno mundial até pouco tempo atrás.

Só dinheiro não ganha medalhas. Antes de investir nos atletas é necessário garimpar talentos por meio de políticas educacionais e esportivas que alimentem o espírito olímpico.

Profissionais e amadores misturados. Enquanto houver medalhas ganhas antes que comecem as disputas, alguma coisa está errada (no basquete, por exemplo, o mundo inteiro sabia que os Estados Unidos levariam o ouro).

Desconhecimento dos Diplomas. Quase ninguém sabe que além das três medalhas clássicas, existe uma segunda premiação do COI (Comitê Olímpico Internacional), os diplomas. O documento premia do quarto ao oitavo atleta, ou equipe, classificados em todas as modalidades.

Se comparar com o todo e não com os fenômenos. Quando se deseja medir o desempenho de um país jamais se deve comparar o normal próprio com o melhor dos outros. No caso do Brasil, a ideia não é almejar ultrapassar países como Estados Unidos, China e Rússia, mas sim avançar entre oito e doze posições, aproveitando o fato de abrigar a cidade-sede."

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