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Dirigente brasileiro se ofereceu para ficar no lugar dos reféns

Presidente do COB na época, Sylvio de Magalhães Padilha e membros do COI tentaram ser trocados pelos israelenses, mas os terroristas não concordaram

Luís Araújo e Marcelo Laguna, iG São Paulo |

Gazeta Press
O Major Sylvio Padilha (à direita), presidente do COB na época do Massacre de Munique

A tragédia que marcou os Jogos Olímpicos de Munique, em 1972, mobilizou não apenas autoridades policias e políticos da Alemanha e Israel, que tentavam negociar a libertação dos 11 reféns israelenses com os terroristas do “Setembro Negro”. Integrantes da comissão executiva do COI (Comitê Olímpico Internacional) se ofereceram para ocupar o lugar dos reféns, mas os palestinos recusaram. E entre os dirigentes estava um brasileiro: Sylvio de Magalhães Padilha, então presidente do COB (Comitê Olímpico Brasileiro).

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“No dia do atentado, quando cheguei ao hotel do COI com meus pais, pela manhã, meu avô já estava em reunião com a comissão executiva. Assim passou o dia inteiro, sem que pudéssemos ter acesso a ele. Ao longo dos anos, falando ele sobre o assunto, soube que os membros da comissão executiva tinham se oferecido aos terroristas em troca da liberdade dos atletas israelenses”, disse Alberto Murray, neto de Padilha e que estava em Munique na época.

Veja também: Após 40 anos, Massacre de Munique tem como maior legado aumento da segurança

“O COI e o governo alemão ligaram para vários chefes de estado, indagando se aceitariam receber o avião com os terroristas. A primeira a ser contatada foi a Primeira Ministra de Israel, Golda Meir, que rechaçou qualquer tipo de negociação com os terroristas. Nenhum país aceitou recebê-los. Então, realmente não haveria alternativa senão combatê-los, o que poderia ocorrer desde a saída dos alojamentos até o embarque no avião. Nunca cogitou-se que aquele avião iria decolar com os reféns”, lembrou Murray.

A possibilidade de cancelamento dos Jogos de Munique após a morte dos reféns israelenses chegou a ser levantada, mas a verdade é que os dirigentes do COI jamais pensaram em levar isso adiante. “A questão da interrupção foi muito debatida, mas o COI nunca aceitou a ideia da suspensão das Olimpíadas. E o governo alemão foi na mesma linha”, disse o neto de Padilha.

“Meu avô não era a favor da interrupção. E essa decisão não teve nada de dinheiro, pressão de patrocinador ou coisa parecida. Ele achava que a melhor resposta que o Movimento Olímpico poderia dar a atos terroristas era mostrar que aquilo não interromperia os Jogos. A interrupção dos Jogos poderia estimular outros atos políticos em outros momentos”, afirmou.

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