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29/05 - 17:51
Em palestra, Nuzman se coloca à disposição dos candidatos à presidência da República
Presidente do COB revela detalhes da vitória na campanha Rio 2016, defende UPPs e quer moradores de comunidades cariocas atuando como empregados, não voluntários
Vicente Seda, iG Rio de Janeiro
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Em palestra na sexta-feira, na Casa do Saber, na Zona Sul do Rio, a cúpula da organização dos Jogos de 2016 contou bastidores da campanha. O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, revelou detalhes curiosos sobre a trajetória até o anúncio oficial em Copenhague, na Dinamarca, da vitória do Rio de Janeiro.
Ele não se mostrou preocupado com as eleições, apesar de sempre repetir que um dos fatores primordiais para a conquista carioca foi a união das esferas federal, estadual e municipal. Nuzman se colocou à disposição para apresentar à todos os candidatos à presidência da República o projeto para a Rio 2016.
"Se os candidatos desejarem, o COB está à disposição para apresentar todo o projeto", disse Nuzman, para em seguida lembrar uma resposta do presidente Lula a um jornalista estrangeiro, sobre o fato de repassar uma conta milionária dos Jogos para o seu sucessor:
"Ele respondeu que em toda a sua vida sempre havia combatido o FMI (Fundo Monetário Internacional), que o Brasil não deveria pagar, mas logo que assumiu a presidência viu uma conta de bilhões a ser paga ao fundo. E o que fez? Pagou. Explicou que pagou porque, como representante do Brasil, só o que poderia fazer era honrar os compromissos assumidos pelo país. Depois disse: 'Hoje eu não só paguei, como empresto dinheiro ao FMI e o meu sucessor, quando se sentar na cadeira de presidente, terá uma outra conta a pagar: a dos Jogos de 2016. Isso é maravilhoso, vai pagar uma conta para beneficiar o próprio país'".
Nuzman defende mudança de mentalidade na polícia
Acompanhado do ex-secretário geral do comitê de candidatura Rio 2016, Carlos Roberto Osório, e do diretor da agência de marketing do COB e diretor geral do comitê organizador dos Jogos, Leonardo Gryner, Nuzman elogiou o plano de implantação das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) nas favelas cariocas e defendeu uma mudança de mentalidade da força policial, ressaltando também a necessidade de remuneração condizente com o risco inerente à função. Ele avisou que o COB estuda formas de incluir pessoas das comunidades na organização dos Jogos como funcionários e não voluntários.
Nuzman contou bastidores do dia da votação decisiva na Dinamarca e revelou que o presidente chegou ao local do anúncio sem saber o resultado da eleição. Normalmente, o presidente só comparece com vitória garantida.
"Ele estavam acompanhando em um quarto de hotel, o governador (Sérgio Cabral) passou mal, a pressão foi a 19. Não dava nem para entender o que diziam na televisão. Aí o médico mandou que fossem para o local, ou não aguentariam. Quando o Lula chegou, me perguntou: 'Ganhamos?'. Eu disse: 'Não sei'. E ele, espantado: 'Não é possível!'. Mas no fim deu tudo certo", disse Nuzman, seguido de uma breve imitação da voz do presidente por Osório, arrancando risos da plateia.
O presidente do COB disse que seguiu o modelo de Londres para analisar os votos para o Rio antes da eleição. "A gente achou que venceria na segunda volta, foi na terceira. Mas prevíamos que seria 67 para Rio contra 33 de Madri, e foi 66 a 32. Não somos gênios, entendidos. Sabíamos quem votaria em nós, quem não votaria e que havia um grupo que era uma incógnita. Fizemos por amostragem. A nossa candidatura foi liderada pelo esporte, as outras três (Tóquio, Madri e Chicago), não. Isso pesou".
Maior preocupação é com aeroportos
A maior preocupação ainda é com os aeroportos. Nuzman defendeu a privatização e há a possibilidade de serem criadas instalações provisórias nos aeroportos do Rio para 2016. Ele afirmou que o trabalho de desenvolvimento esportivo para diversas modalidades está sendo feito conforme o planejamento realizado desde a década de 80 no vôlei, esporte no qual o Brasil se transformou em potência mundial.
COB soube da derrota de Chicago com meses de antecedência
"Sabíamos que nossos rivais falariam de aeroportos, violência e outros problemas. Usamos a transparência. Falamos disso tudo antes que nos atacassem e tivéssemos de sair na defensiva. Ninguém achava que o Rio teria chance, mas isso foi mudando. Chicago era a favorita, mas tivemos um grande colaborador, o prefeito, com os inúmeros erros políticos que cometeu. A apresentação deles foi muito ruim", resumiu Nuzman, revelando que o COB teve a informação de que Chicago não venceria meses antes da eleição.
"Em julho nosso foco passou a ser Madri (a votação foi em 2 de outubro). Tóquio não incomodaria por causa dos Jogos de Pequim. A estratégia foi não fazer marola, não entrar em discussões".
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