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02/10 - 13:50
Rio de Janeiro derrota Madri e vai sediar a Olimpíada de 2016
Após superar Chicago e Tóquio, cidade brasileira venceu os espanhóis na votação final e será a primeira a sediar os Jogos Olímpicos na América do Sul
Redação iG Esporte
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COPENHAGUE (Dinamarca) – O Rio de Janeiro será a primeira cidade da América do Sul a receber uma edição dos Jogos Olímpicos. A cidade brasileira venceu a concorrência com Madri, Chicago e Tóquio, nesta sexta-feira, em votação realizada em Copenhague, na Dinamarca. A decisão saiu apenas na terceira rodada de votos, com vitória do Rio de Janeiro sobre Madri. De forma surpreendente, Chicago foi a primeira cidade eliminada, enquanto Tóquio caiu na segunda rodada. Os cariocas "bateram" os madrilenhos por 66 a 32, mais da metade dos votos.
"Parece que eles vieram apenas para cumprir tabela. Nós éramos os únicos que queríamos, de verdade, fazer uma Olimpíada. As pessoas viram isso nos nossos olhos", destacou o presidente Lula, após a votação.
O enorme empenho do governo brasileiro e os R$ 138 milhões gastos na campanha levaram o Brasil a realizar um sonho antigo: esta foi a quinta vez que o país entrou na briga para sediar os Jogos. O mesmo já havia ocorrido em 1936 (candidatura independente, sem anuência COB), 2000, 2004 e 2012 — apenas em 2000 a candidatura não foi carioca, mas de Brasília (leia mais sobre as candidaturas anteriores).
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| Delegação brasileira explode de alegria após o anúncio oficial |
Pela manhã, as quatro cidades finalistas fizeram suas apresentações ao COI. O Brasil apostou na emoção e caprichou nas imagens de belezas naturais do Rio de Janeiro. Também contou com o poder de persuasão de João Havelange, membro mais antigo do Comitê Olímpico Internacional e ex-presidente da Fifa. Ele fez um breve discurso na abertura da apresentação brasileira e depois deu palavra a Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB).
O governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, ressaltou o empenho da cidade na campanha, com especial destaque para os investimentos em infraestrutura. Já o prefeito do Rio, Eduardo Paes, exibiu um vídeo com os locais onde acontecerão as competições.
Por fim, o presidente Lula fez um discurso emocionado e enfatizou a receptividade do povo brasileiro. Ele ainda citou a importância do país no novo mapa da economia mundial e mais uma vez deu garantias da realização dos Jogos no Rio. "De todos os países que são candidatos hoje, somente o Brasil não recebeu uma edição dos Jogos Olímpicos. Para os outros, será apenas mais uma Olimpíada. Para nós, será 'a' Olimpíada", disse.
Caminhada árdua
Azarão no início da disputa, o Rio quase ficou fora após a avaliação inicial do COI, que colocava Doha, no Catar, como a quarta finalista. Porém, a cidade árabe saiu do páreo porque queria realizar a Olimpíada em outubro, sob alegação de que o calor na região é forte demais entre os meses de julho e setembro.
Com um lugar assegurado entre as quatro cidades finalistas, o Rio de Janeiro ganhou força aos poucos. O principal argumento dos brasileiros para "pedir" votos foi o fato de a América do Sul jamais ter recebido os Jogos. Paralelamente vinha o argumento de que o Brasil era a única das principais economias do mundo que jamais teve esse privilégio.
A crise financeira mundial foi outro fator favorável. Diferente de países como Estados Unidos, Japão e Espanha, onde ficam as quatro cidades que concorriam, o Brasil passou quase incólume à "tormenta". Chicago, por exemplo, teve problemas com a captação de recursos privados devido à crise.
Outras fraquezas dos rivais ajudaram a candidatura brasileira. O baixo apoio popular roubou votos importantes de Tóquio, enquanto Madri perdeu força porque a Espanha recebeu a Olimpíada de 1992, em Barcelona, e os Jogos de 2012 serão mais uma vez na Europa, em Londres.
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| Cariocas fazem a festa na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro |
Investimento pesado
O projeto do Rio de Janeiro para receber a Olimpíada é estimado em R$ 25,9 bilhões, o mais caro entre as quatro cidades finalistas. Para se ter uma ideia, o segundo maior orçamento é o de Tóquio: R$ 13 bilhões.
Só a campanha para levar o Rio de Janeiro até a votação final,em Copenhague, já consumiu R$ 138 milhões. O maior "patrocínio" foi do governo federal, que repassou R$ 55,2 milhões para os gastos com a candidatura.
Apesar do altíssimo investimento, o Rio de Janeiro pretende compensar os gastos. Conforme pesquisa encomendada pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), o impacto dos Jogos na economia brasileira chegará a R$ 102 bilhões e pode gerar mais de 2 milhões de empregos.
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AP
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