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29/05/2009 - 13:15
Futebol americano vive "boom" de praticantes e crescimento de competições no Brasil
Esporte ainda tem maioria de equipes amadoras, mas vê as primeiras tentativas de profissionalização. Neste final de semana, começa em Valinhos (SP) o Sampa Bowl da modalidade flag
Levi Guimarães, especial para o iG Esporte
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- High Score: Leia mais no blog de esportes americanos do iG
SÃO PAULO - Responsável pelas maiores audiências da história da televisão norte-americana e reconhecido como um dos esportes mais lucrativos do planeta, o futebol americano vem ganhando espaço no noticiário esportivo brasileiro nos últimos anos. E o crescimento da atenção dedicada ao esporte mais popular dos EUA (à frente do beisebol e do basquete) não se deve apenas ao sucesso das transmissões da NFL nos canais fechados de televisão. O esporte, até pouco tempo um mistério no país do “soccer”, também vem crescendo em número de praticantes, equipes e competições.
A primeira entidade de administração do esporte, a AFAB, Associação de Futebol Americano do Brasil, foi fundada em 2000. Mas apenas há dois anos passou a se responsabilizar de fato pela modalidade no âmbito nacional.
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| Campo de futebol americano pronto para receber os jogos do Pantanal Bowl |
“O núcleo do que viria a se tornar a AFAB foi desenvolvido no Rio de Janeiro. A Associação propriamente dita foi criada em 2004, com a idéia de desenvolver o esporte no país a partir de uma plataforma estabelecida no Rio. Em 2007, uma reunião no Distrito Federal com representantes de diversos E stados definiu que a AFAB assumisse seu nome e passasse a trabalhar como uma entidade nacional, o que temos tentado fazer desde então”, explica Rodrigo Hermida, vice-diretor executivo da AFAB.
Segundo Hermida, existem cerca de 50 equipes e mais de três mil atletas no país, divididos em três modalidades: grama, areia e flag. Essa estimativa, no entanto, pode ser considerada conservadora. Afinal, só no Sampa Bowl, o campeonato de flag organizado anualmente pela LPFA, Liga Paulista de Futebol Americano, estarão presentes 20 times e cerca de 1000 atletas.
A competição começa neste fim de semana na cidade de Valinhos, a cerca de 100 quilômetros da capital paulista, com o status de maior torneio estadual da modalidade. Em sua terceira edição, o Sampa Bowl é disputado nos moldes da NFL, duas conferências com 10 times cada: a Conferência Paulista e a Conferência Estadual.
Outra competição que chega ao terceiro ano é o Pantanal Bowl. Mas, ao contrário do campeonato paulista, o torneio que será disputado entre 11 e 13 de junho em Cuiabá (MT) acontecerá na modalidade Full Pads (equipamentos completos), além de contar com a realização de uma competição feminina em paralelo à masculina. (Saiba mais sobre o torneio e entenda as diferenças entre as modalidades).
Autopatrocínio
| Divulgação |
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| Júlio César, do Corinthians, aprende |
“Boa parte das equipes ainda depende única e exclusivamente do autopatrocínio. Mas, aos poucos, a visibilidade e o trabalho sério vão trazer dinheiro para o esporte. Não tenho dúvidas disso”, afirma Daniel Miura, presidente da LPFA.
Miura aponta alguns exemplos de times que começaram a encontrar maneiras de se profissionalizar. “O São Paulo Storm realiza um trabalho sensacional e hoje é sem dúvida o time com a melhor organização, já que consegue rivalizar em exposição com o Steamrollers, mesmo sem contar com uma grife do tamanho do Corinthians”.
De fato, o Steamrollers alavancou a divulgação do seu nome a partir da parceria com o Corinthians. Desde a assinatura do contrato, o time conseguiu dois patrocinadores e os jogadores não precisam mais “bancar” a paixão pelo esporte. Com a parceria, o clube do Parque São Jorge cede a infraestrutura física para os treinos e o nome do clube para o time de futebol americano.
“Com o nome Corinthians, as portas se abrem mais do que quando éramos apenas Steamrollers. Hoje o time não é uma incógnita. Conseguimos uma confecção que fornece o nosso uniforme. Esse material também está à venda em mais de 50 lojas e já estamos perto de três mil camisas vendidas”, afirma Ricardo Trigo, presidente e capitão da equipe.
Movidos pela paixão
Enquanto o Corinthians-Steamrollers pode ser apontado como exemplo, a maioria dos times ainda depende do esforço de seus integrantes. No São Paulo Sharks, por exemplo, o manager Marcelo Vieira acumula também a função de head coach - o técnico principal, já que alguns times possuem na comissão técnica treinadores específicos para o ataque e para a defesa.
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| Equipe do São Paulo Sharks, umas das mais tradicionais e vitoriosas do Estado |
Na curta história da modalidade no Brasil, os Sharks já são apontados como uma das equipes mais tradicionais e vitoriosas de São Paulo. Ao lado do Brazil Devils, é uma das duas equipes remanescentes da fundação da LPFA, em 2001. Em oito anos, o time conquistou dez títulos, além de seis vice-campeonatos.
Vieira acredita que a evolução do esporte no Brasil pode ser separada em dois períodos. De 1999 a 2005, quando começaram a surgir os primeiros times, mas ainda de forma pouco organizada. E a partir de 2006, quando a organização melhorou e os campeonatos começaram a ganhar espaço nos canais fechados de esportes, além de explorar a mídia online.
“Em 2007, 2008 e 2009, o crescimento foi exponencial, tanto em número de times como de praticantes. O campeonato da LPFA hoje é extremamente competitivo, forte, dinâmico e organizado”, afirma.
Além da LPFA, outra entidade administra o esporte no estado, a Federação Paulista de Futebol Americano. Voltada principalmente à realização de cursos e divulgação das regras internacionais do esporte, a entidade não é filiada à AFAB.
O presidente Hugo Bustilho explica que a Federação só poderia se filiar a uma Confederação nacional. E esta só pode ser criada quando houver pelo menos dez federações estaduais atuantes. Por enquanto, segundo Bustilho, “a Federação trabalha para ajudar as equipes a se profissionalizarem e se adaptarem aos códigos internacionais do esporte, deixando o amadorismo”.
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