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11/11 - 16:03

Para técnico, forte ritmo em Pequim prejudicou Marílson

Fundista brasileiro convivia com frustração por ter abandonado a maratona olímpica até vencer a prova em Nova York

Gazeta Esportiva

SÃO PAULO - O segundo título da Maratona de Nova York, conquistado no início desse mês, representou também um alívio para Marílson Gomes dos Santos. Isso porque o brasileiro estava, até então, convivendo com a frustração de ter abandonado a maratona da Olimpíada de Pequim, seu principal objetivo na temporada.

Quase três meses após a disputa, o técnico do atleta, Adauto Domingues, acredita ter achado uma explicação para o ocorrido na China: o forte ritmo, acima do esperado, imposto pelos competidores desde o começo da prova. “Ele queria uma medalha e treinou duro para isso, mas foi uma corrida totalmente atípica”, afirmou o técnico.

Domingues embasa o seu argumento. “Normalmente se passa pelos primeiros 10mil metros no 30º ou 31º minuto, mas o Marílson passou lá com 29min35s e já estava cem metros atrás do grupo que liderava, com 12 atletas”, comentou Domingues, que, naquele momento ainda acreditava em uma recuperação do brasileiro. “Isso gera uma situação de stress e ele mesmo falou que os caras à frente estavam fazendo loucura. Achei que haveria uma quebradeira geral, mas não houve e os caras continuaram rápidos”, emendou.

De olho no pódio, o bicampeão da São Silvestre resolveu arriscar. “Do 15º ao 20º quilômetro, ele tentou buscar o pelotão da frente mas, além de não encostar mesmo forçando o ritmo, houve o stress de ele ficar isolado na prova. Aí acabou que o grupo de trás encostou nele. Isso tudo com 32ºC, uma temperatura que extenua”, lembrou o treinador. Sem condições de continuar na luta por medalhas, Marílson abandonou por volta do 25º quilômetro.

Adauto, que fez questão de elogiar o medalhista de ouro Samuel Wansiru (“Ele era imbatível naquele dia”), não se arrepende da estratégia adotada na China e prefere olhar o resultado abaixo do esperado como um aprendizado. “O Marílson tinha que arriscar. Se ele quisesse ser sexto ou oitavo, até poderia tentar vir lá de trás no final, mas isso não nos deixaria satisfeito”, afirmou, se referindo à meta de ficar entre os três melhores nos Jogos.

Entretanto, o próprio fundista ainda não consegue explicar o motivo pelo qual não se deu bem em Pequim. “Não sei se foi o clima, a adaptação... só sei que eu não estava bem naquele dia. Temos que lembrar que acima de tudo eu sou humano. Às vezes, as pessoas têm a sensação que atleta é super-homem, tem que acertar tempo todo, mas é diferente do esporte coletivo, onde você erra e o outro compensa. No atletismo é só você e você mesmo”, destacou.

De acordo com Marílson, não houve nenhuma falha na preparação para os Jogos. Pelo contrário. “As coisas nunca deram tão certo para mim como até o momento do dia da prova em Pequim. Até então, eu sempre tinha enfrentado lesão ou não havia terminado o treinamento...”, garantiu o atleta, descartando também ter sentido a pressão por um bom resultado. “Eu estava tranqüilo, sem ansiedade e dormi a noite toda anterior à prova. Mas as coisas deram errado. Infelizmente tem dia que é assim”, resignou-se. 

Mesmo dizendo que vai conviver com o resultado ruim nas Olimpíadas de 2008 pelo resto da sua vida, Gomes diz já estar totalmente recuperado da frustração. “Uma grande vitória como essa de Nova York faz com que, psicologicamente, eu me eleve para as próximas competições. Esse título mostra que eu era capaz de eu ter ido bem em Pequim”, afirmou.


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