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07/11 - 18:58

Meritocracia diminui verbas de três confederações olímpicas

Levando-se em conta Mundiais, Pan-Americanos e Jogos Olímpicos, saíram perdendo basquete, remo e hipismo

Gazeta Esportiva

RIO DE JANEIRO - Na primeira reunião do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) com as diversas confederações nacionais para definir os novos valores da Lei Agnelo-Piva, três modalidades saíram perdendo: basquete, remo e hipismo. Todas elas devem ter seus recursos diminuídos com o estabelecimento do critério da meritocracia, que leva em conta os resultados obtidos no último ciclo olímpico, incluindo campeonatos mundiais, Jogos Pan-americanos e Jogos Olímpicos.

Sem conseguir enviar uma equipe masculina para a disputa da medalha de ouro desde Atlanta-1996, o basquete foi quem sofreu o golpe mais duro: de R$ 2.278.000 em 2008 para 1.500.000 no próximo ano. Hipismo e remo deixarão de receber 1.708.000 para ficar com “apenas” 1.500.000. A proposta foi apresentada aos dirigentes em reunião nesta sexta-feira. Sugestões serão ouvidas e a partir deste estudo e, no dia 3 de dezembro, o COB apresentará a distribuição final de repasses.

O estudo apresentado pela entidade que rege o esporte olímpico brasileiro substitui os percentuais fixos por valores nominais. Desde 2002, quando do início dos repasses dos recursos, as Confederações vinham sendo remuneradas através de percentuais fixos, entre um teto de 4% e um mínimo de 0,5% do total repassado.

Em 2008 o teto orçado correspondeu a R$ 2.278.000,00 para seis confederações: atletismo, basquete, desportos aquáticos, ginástica, vela e vôlei. O valor mínimo orçado foi de R$ 569.500,00, com exceção para o beisebol e softbol e aos esportes de gelo e de neve, cujo orçamento foi de R$ 284.750,00.

A partir de 2009, a proposta passa a considerar um valor máximo orçado de R$ 2.500.000,00 para as confederações de atletismo, desportos aquáticos, judô, vela e vôlei. Já o valor mínimo orçado será de R$ 700.000,00, um aumento de 23%, e beneficiará sete modalidades: badminton, esgrima, hóquei sobre a grama, levantamento de peso, lutas, pentatlo moderno e tiro com arco.

Em 2008, o orçamento dessas Confederações foi de R$ 569.500,00. Os esportes de gelo e de neve receberão um valor mínimo de R$ 500.000,00. Por não integrar o programa dos Jogos Olímpicos Londres 2012, a Confederação de beisebol e softbol deixará de receber recursos da Lei Agnelo-Piva devido à exclusão da modalidade nos Jogos Olímpicos.

“Diminuímos a diferença entre as que recebem mais recursos e as que recebem menos. O intuito é manter a base das que já atingiram um patamar técnico e premiar aquelas que estão no caminho do desenvolvimento, promovendo a aproximação do nível técnico entre as Confederações. Este é um trabalho de médio e longo prazo que reconhecerá os esportes que atingirem as metas estabelecidas”, afirmou o superintendente executivo de esportes do COB, Marcus Vinícius Freire.

Além dos resultados nos últimos quatro anos, o COB diz ter levado em conta a relevância entre os recursos da Lei Agnelo-Piva e de patrocínios em cada Confederação e o número de modalidades por entidade. A entidade promete trabalhar com as Confederações na elaboração de um plano de metas para o quadriênio 2009/2012, extensivo a 2016, objetivos que orientarão a revisão anual da distribuição dos recursos dentro do princípio da meritocracia.

Presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, no entanto, reconhece que não consegue sozinha suprir todas as necessidades do esporte brasileiro. Mas promete agir para mudar esse cenário. "A Lei Agnelo-Piva é importantíssima, mas corresponde a apenas um terço das necessidades dos esportes olímpicos. Em 2009 o COB passará a prestar novos serviços às Confederações, entre eles a assessoria técnica, jurídica e financeira para a montagem de projetos de leis de incentivo. Isso é fundamental para a captação de novos recursos pelas Confederações”, afirmou o dirigente.

A estimativa de orçamento do COB para 2009 prevê uma arrecadação de R$ 75 milhões. Descontados os 10% que o COB é obrigado por lei a investir no esporte escolar (R$ 7.500.000,00) e os 5% (R$ 3.750.000,00) no esporte universitário, dos 85% restantes (R$ 63.750.000,00), 60% serão repassados às 27 Confederações cujas modalidades integrarão o programa dos Jogos Olímpicos Londres 2012 (exceto a CBF, que não recebe recursos públicos) e 40% ficarão no COB, que aplicará os recursos no apoio técnico às Confederações e em sua manutenção.

Se houver arrecadação excedente, o valor será destinado a um fundo para utilização pelas Confederações. Em todos os casos os recursos serão repassados às entidades mediante projetos aprovados pelo COB


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