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22/10 - 19:29

Clodoaldo Silva ameaça entrar na Justiça comum contra reclassificação

Inconformado em ter sido remanejado da classe S4 para a S5, nadador paraolímpico está próximo de recorrer à Justiça

Gazeta Esportiva

SÃO PAULO - A polêmica envolvendo a reclassificação do nadador Clodoaldo Silva às vésperas da Paraolímpiada de Pequim promete ir longe. Inconformado em ter sido remanejado da classe S4 para a S5, onde conseguiu resultados piores na China, ele está próximo de recorrer à Justiça comum pelos seus direitos.

“O Comitê Paraolímpico Internacional (IPC) alega que a reclassificação é para todos e já está ocorrendo. Porém, em Pequim isso só ocorreu comigo e com uma japonesa (Mayumi Narita). Vou esperar até janeiro para que eles possam me provar que as reclassificações estão ocorrendo para todos e, se isso não acontecer, entro na Justiça comum”, prometeu Clodoaldo.

Dono de seis medalhas de ouro e uma prata na classe S4 da natação em Atenas-2004, Clodoaldo foi obrigado pelo IPC a competir da classe S5 - onde o nível de deficiência dos atletas é menor - em Pequim, devido a um protesto da França. Como resultado, ele voltou da China com “apenas” uma prata e um bronze, oriundos das provas de revezamento.

Revoltado, Clodoaldo alega que o seu nível de deficiência continua o mesmo e, por isso, não há motivo para ele mudar de classe. O potiguar chega até mesmo a contestar a origem do protesto, suspeitando que a manobra seja fruto do próprio IPC, que estaria insatisfeito de ver somente um atleta dominando a S4.

“Até hoje eu estou esperando o protesto que eles dizem que foi feito contra mim, mas não vi nada até agora. Eu já fico duvidando se isso aconteceu mesmo, pois não há motivo para não me mostrarem este documento. Será que houve realmente um protesto?”, questionou Clodoaldo. “Quero acreditar que não foi coisa do IPC, só que o mais sensato seria eles me mostrarem o protesto”, reclama.

Nem o medo de ser banido do esporte ao comprar briga com o IPC na Justiça comum é suficiente para barrar o ímpeto de Clodoaldo. “Tenho que correr perigo pelo o que eu acho que é certo. O IPC diz uma coisa, mas não consegue provar. Preciso fazer isso para que o mesmo não ocorra o mesmo com outro brasileiro”, destacou.

Pelo menos um representante nacional está livre deste perigo. Dono de quatro ouros na classe S10 em Pequim, o nadador André Brasil já passou por situação semelhante de Clodoaldo. Em 2005, ele foi considerado inelegível (ou seja, não era deficiente o suficiente para ser um atleta paraolimpíco), mas venceu a briga no IPC e não pode mais ser prejudicado por alegações do tipo.

Após a frustração na Paraolimpíada, Clodoaldo tem se poupado e feito treinos mais leves, de aproximadamente 1,5 hora/dia, bem menos que as 3,5 horas realizadas em julho. E, mesmo com os problemas dos bastidores, Silva sonha estar em Londres-2012, ainda que na classe S5. “Eu posso até competir, pois nadar é o que eu gosto de fazer e não quero ficar fora do movimento paraolímpico. Mas vou buscar os meus direitos para conseguir algo positivo”, prometeu.


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