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09/09 - 20:04

“Assim nem Deus consegue”, desabafa Clodoaldo

Com 6 ouros em Atenas, nadador não chegou perto do pódio em Pequim após mudança de categoria paraolímpica

Gazeta Esportiva

PEQUIM (China) - Dono de seis medalhas de ouro na Paraolimpíada de Atenas, o nadador brasileiro Clodoaldo Silva não chegou nem perto de subir ao pódio em Pequim. A explicação é simples: depois de um protesto da França, ele foi reavaliado pelo Comitê Paraolímpico Internacional (IPC) e remanejado da classe S4 para a S5, onde o grau de deficiência dos competidores é menor.

“Tecnicamente sou igual ou até melhor do que os atletas da classe S5, por causa das horas de dedicação ao treino, por ser profissional. Só que é impossível eu competir com deficiências menores que a minha. Assim, nem Deus consegue”, desabafa o atleta.

Desde o primeiro dia de competição em Pequim o atleta vem passando por dificuldades. Nos 100m livre, teve o azar de sofrer uma contratura muscular no meio da classificatória e ficou em sexto na final. Nos 50m costas, o nadador fez o melhor tempo da vida dele com 48s16, mas que na S5 não significou muita coisa. Já nos 200m livre, fez um tempo de 2min50s89, bem próximo da sua melhor marca como S4, que foi registrada o ano passado nos Jogos Parapan-americanos, quando cravou 2min50s30.

“Percebo que na minha atual categoria, o que predomina são os amputados, eles podem nem ter um braço ou uma perna, em compensação não têm atrito, possuem uma boa ondulação, saída e virada olímpicas e o cansaço chega bem depois pra eles (acúmulo de ácido lático). Enquanto eu tenho pernas e pés grandes que não uso e servem como âncora, que travam o meu movimento. Eu tenho que fazer o triplo de força para poder chegar ao final e me canso mais do que os outros, por ter mais atrito”, explica Clodoaldo.

Ainda nesta terça (23h12 do horário de Brasília), o brasileiro nadará a classificatória dos 50m borboleta, prova em que seu melhor tempo é 42s18. Uma diferença de mais de seis segundos do primeiro no ranking da classe S5, que tem o tempo de 36s29. A prova que o atleta poderá ter alguma chance de melhor rendimento será nos 50m livre, pois ele não precisa fazer a virada. Atualmente a sua melhor marca é 34s69 contra as três marcas dos três primeiros colocados no ranking da S5, que são: 33s22, 33s50 34s24.

“Venho evoluindo a cada campeonato, como é uma evolução técnica e não da minha deficiência (o meu caso é estável) vou melhorar em algumas provas alguns décimos e, em outras, dois ou três segundos, em um ciclo paraolímpico, no caso, quatro anos. Isso acontece com qualquer nadador de ponta. Então é humanamente impossível eu ou qualquer outra pessoa, considerada ser humano, melhorar 18 segundos numa prova como a dos 200m livre, já que o recorde mundial é de 2m32s32 e meu melhor tempo, antigo recorde mundial na S4 é 2m50s30”, lamenta o nadador.

As esperanças ficam para a prova dos dois revezamentos, as quais fizeram o atleta competir em Pequim para que ajudasse a equipe brasileira. No início Clodoaldo declarou que em forma de protesto não nadaria as provas individuais, somente os 50m costa, prova em que tem seu pior tempo, para garantir sua participação nos revezamentos. No entanto, o congresso técnico determinou que, se ele não nadasse todas as provas em que foi inscrito na classe S4 na nova categoria, não poderia competir nos revezamentos.


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