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10/06 - 13:34

'Vou competir para mim', diz Jade Barbosa
Maior esperança de um pódio olímpico na ginástica feminina, Jade Barbosa sofre com o ritmo intenso dos treinos, chora e afirma que vai competir para ela, tentando afastar a pressão por um bom resultado em Pequim.

Reuters

Medalhista de ouro no salto na etapa de Moscou da Copa do Mundo, no mês passado, a atleta carioca que completa 17 anos no dia 1o de julho carrega na bagagem o peso de ter sido a melhor do país na modalidade nos Jogos Pan-Americanos de 2007.

'Fico feliz de as pessoas acreditarem em mim. É importante para o atleta ter reconhecimento. Mas também todo mundo acha que tenho que vir (de Pequim) com alguma coisa (medalha) e não é bem assim', disse Jade em entrevista à Reuters.

'Sou um ser humano qualquer, comum. Tento não ligar muito para essas coisas (pressão) e vou lá para competir para mim, porque eu gosto de ginástica', acrescentou ela, com a maquiagem borrada pelo choro.

A menos de dois meses da Olimpíada, no treino da tarde de segunda-feira em Curitiba, Jade foi às lágrimas pouco antes de se apresentar no solo. Tentou segurar o choro mas, no final da série, sentou no tablado e chorou.

Questionada pela técnica Nadja Ostapenko se estava com dor ou cansada, ela disse que não. Durante a entrevista, a ginasta afirmou que não queria falar sobre o motivo pelo qual chorou.

O choro de Jade é recorrente. Nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007, a atleta caiu das barras paralelas e chorou. Ela tinha chance de conseguir medalha no individual geral na ocasião. No dia seguinte, a ginasta levou ouro no salto.

'O mundo não ia acabar porque eu caí e perdi a medalha.

Tentei esquecer aquele dia. Foi bem difícil competir em casa, com ginásio lotado e todo mundo te chamando pelo nome', declarou ela, que tem acompanhamento psicógico na capital paranaense, assim como as outras ginastas da seleção.

TREINO PESADO

O ritmo dos treinos da equipe permanente de ginástica se intensifica à medida que se aproxima a Olimpíada, que começa em 8 de agosto.

Segundo Jade, antes as atletas tinham que acertar 5 de cada 10 séries executadas. Agora, 'tem fazer 10 e acertar 10, e tem que fazer até acertar'.

'Está ficando cada vez mais forte, vai apertando. É pesado, mas é necessário', disse Jade, explicando que tem de atingir o pico de preparação durante os Jogos.

Para ela, as chances de medalha são maiores no salto e no solo. 'No individual geral eu tenho chance, mas é difícil. Tem que competir bem todos os dias.'

Depois da Olimpíada, a atleta voltará a treinar no Flamengo, já que a equipe permanente de ginástica deixará de existir.

'Vai ser legal voltar a frequentar uma escola normal, ver meus amigos, voltar a morar com meu pai', concluiu Jade, cuja mãe morreu quando ela tinha 9 anos.

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