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10/06 - 13:34

Choro e rádio quebram silêncio de ginastas em Curitiba
Silêncio. As principais ginastas do país estão treinando. Enquanto elas se preparam para a Olimpíada de Pequim, pouco se houve dentro do ginásio em Curitiba.

Reuters

O silêncio só é quebrado, às vezes, com uma orientação dos técnicos ucranianos, um choro ou o barulho do rádio ligado por Daiane dos Santos.

'Sempre sou a quem liga o rádio. O clima de silêncio me dá pânico porque sou muito elétrica, estou sempre falando', afirmou Daiane à Reuters após o treino de segunda-feira.

Durante os exercícios na trave, nas barras paralelas, no salto ou no solo, as atletas raramente conversam. Mas muitas vezes fazem cara de dor ou de choro.

'Escapou, escapou', desculpou-se Ana Cláudia Silva, chorando, depois de cair da barra. O técnico Oleg Ostapenko dá de ombros. 'Sempre isso, precisa fazer certo', afirmou ele, de cara fechada, ao passar pela atleta.

Quando o ucraniano vê Laís Souza sem se exercitar, dá uma bronca e em seguida diz: 'Laís, trabalhe certo, entendeu?' A ginasta balança a cabeça positivamente.

'A rigidez é necessária. Se eles deixarem na maciota, não vai andar. Às vezes a gente acha que está fazendo o máximo, mas na verdade não está, então precisa de uma pressão', declarou Laís.

Segundo a técnica Irina Ilyashenko, 'brasileiro chora muito'. Ela defendeu o método utilizado com as ginastas: 'Se não exigir, ninguém trabalha.'

Acostumada às broncas dos técnicos ucranianos, Daiane dos Santos afirma que Ostapenko tem seu lado sensível.

'Ele é bravo, briga, mas depois vai fazer um carinho. Ele é ríspido quando precisa', disse Daiane, que recebeu um afago do treinador na primeira sessão de segunda-feira. 'Daiane Garcia dos Santos, como está? tudo bem?', perguntou ele, enquanto colocava as mãos no pescoço da atleta.

Durante o treino, Oleg e sua mulher, Nadja, também da comissão técnica, costumam conversar na língua ucraniana. O casal, que tem dificuldade de falar português, deixará o Brasil após a Olimpíada de Pequim.

O ritmo forte de treinamento -- de segunda a sábado em dois períodos, com exceção de quarta e sábado que acontece apenas pela manhã -- causa também bolhas nas mãos e algumas lesões.

Antes dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em julho do ano passado, Laís estava com uma contusão na tíbia. Depois da competição, teve uma lesão no pé e, no início do ano, teve um problema muscular. 'A gente não pára, não dá uma boa descansada para melhorar tudo', comentou a atleta paulista, que já pensou em desistir.

'Às vezes você está cansada, estressada e pensa: 'Não aguento, quero ir embora'. Mas aí você pára e pensa o que já fez e o que vai perder se sair daqui.'

ESCOLA NO GINÁSIO

O treino da manhã das ginastas começa às 8h30 e vai até perto do meio-dia, quando elas vão almoçar. Após um rápido descanso na casa que dividem em Curitiba, cinco delas vão para a escola. Onde? Numa sala ao lado do ginásio.

'É estranho. Você fica muito perto do professor', conta Jade Barbosa.

Outras descansam um pouco mais, como Daiane, que está perto de se formar em educação física, e Laís, que entrou na faculdade este ano. Ambas trancaram matrícula para se dedicar aos treinos para Pequim.

Há seis anos na capital paranaense, Laís teve aulas particulares sozinha nos dois primeiros anos. Aos poucos, ela foi ganhando companheiras de classe.

'A gente treinava forte e chegava na aula meio cansada, então o professor tinha que se encaixar com a gente. Eles têm que parar, explicar direitinho', disse Laís.

As aulas vão até 16h30, e as ginastas seguem para mais uma sessão de treinamento, até as 18h30. Ao chegarem em casa, elas só têm fôlego para ir até a cama.

'Essas coisas que precisam de tempo não tem como a gente fazer, como namorar ou ficar saindo. É como um trabalho, e aí você chega em casa à noite, cansada, e quer deitar e dormir', resumiu Laís.

DANIELE: DÚVIDA

A presença de Daniele Hypólito, que deixou Curitiba no mês passado para treinar perto da família, no Rio de Janeiro, é incerta.

No final desta semana, as atletas participam do Campeonato Brasileiro em Maceió, última oportunidade que os técnico terão de observar todas as atletas em competição antes dos Jogos Olímpicos, em agosto.

'As chances dela são iguais as de todo o mundo', disse a presidente da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), Vicélia Florenzano, acrescentando que ela pode ser chamada para avaliação em treinos em Curitiba.

Para Daiane, a presença de Daniele em Pequim será importante. 'Ela sabe o que é melhor para ela. O que eu quero é que ela esteja bem porque a gente vai precisar dela. Ela tem bastante experiência. O ruim é que ela não treina mais com o grupo, mas se ela quis ir embora é porque teve seus motivos.'

A equipe de seis atletas que disputará a Olimpíada será definida durante uma aclimatação no Japão, no fim de julho.

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