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Lutas
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Lutadores brasileiros buscam dissociar MMA da violência

Anderson Silva e Vitor Belfort, que lutarão em fevereiro, tentam acabar com preconceito que parte do povo brasileiro ainda mantém

Vicente Seda, iG Rio de Janeiro |

Com 36 brasileiros sob contrato, o UFC (Ultimate Fighting Championship) tornou o antigo "vale-tudo", hoje MMA (sigla para "Mixed Martial Arts", artes marciais misturadas, em português), um esporte altamente rentável. Cada evento, como o que acontecerá em 27 de agosto, no Rio de Janeiro, movimenta entre US$ 15 milhões e US$ 50 milhões. Mas, ainda assim, a preocupação de desvincular o esporte das brigas de rua e da violência em geral é uma preocupação evidente, especialmente para os lutadores.

Presentes à solenidade na qual foi anunciado oficialmente o UFC Rio, Vìtor Belfort e Anderson Silva insistiram no tema. O primeiro, que desafiará Silva em 5 de fevereiro, em Las Vegas (Estados Unidos), pelo cinturão dos médios, foi o mais incisivo e mostrou bom humor quando um dos repórteres no abarrotado salão do Palácio da Cidade indagou qual seria a reação de Belfort se uma outra pessoa batesse em seu carro. Ele riu:

"Às vezes as pessoas esperam as coisas pegarem lá fora para abraçarem aqui. O UFC conseguiu educar o público e a família em geral, mudar a cabeça das pessoas. Nós, os lutadores, somos humanos, mas as pessoas têm medo de chegar. Então quer  dizer que seu eu trombar no carro do Pavarotti ele canta uma ópera?", ironizou Belfort, fazendo o possível para deixar claro que a pancadaria no octógono, para eles, se chama trabalho.

Enquanto o presidente da marca, Dana White, repetia que os atletas de MMA são os mais preparados do mundo e ressaltava que 44% do público do UFC é feminino, Belfort não se furtou a comentar também a morte por espancamento de um torcedor do Cruzeiro, ocorrida recentemente.

"Esse fato foi torcida de futebol, não tem nada a ver com vale-tudo. Outro dia vi uma manchete dizendo que um lutador de jiu-jitsu tinha espancado alguém. Aí fui ver, era um médico que já tinha praticado jiu-jitsu. Esse tipo de coisa cria uma dificuldade grande para arrumar patrocínio, por exemplo. Eu só faço um pedido: não parem de apoiar esse esporte", disse o lutador, endossado por Royce Gracie, primeiro campeão do UFC numa época em que as lutas eram bem mais extensas, sem intervalos, e o evento seguia formato de campeonato. Atualmente cada lutador entra no octógono apenas uma vez:

"Temos de educar o povo. É como o futebol. Crianças quebram o braço todo ano jogando futebol, quer dizer que é um esporte violento? Não, acontece. Neste esporte, tem um juiz que pode parar a luta, o lutador pode parar a luta a qualquer momento, está tudo sob controle. Isso tudo começou aqui há 75 anos, no Rio, com a minha família, e hoje o UFC está continuando com essa busca", disse Royce.

Confronto em fevereiro
Considerado o melhor do mundo atualmente, Anderson Silva falou em dar exemplo para as crianças e analisou com respeito incomum o duelo com Belfort: " O Vítor foi campeão muito novo, é legal a gente alcançar nossos sonhos. A minha cabeça está muito focada nisso, usar o talento que Deus me deu para mudar as coisas, sendo exemplo para crianças, mudando essa imagem do esporte. Acho que tenho mudado muito nos últimos anos, está sendo bastante importante. Nessa luta mais uma vez vou tentar manter esse foco, essa meta".

Belfort rebateu, novamente, com bom humor: " É uma expectativa muito grande e posso garantir é que um brasileiro vai sair campeão!", brincou o lutador. "Estou treinado na minha melhor forma, é a única coisa que posso prometer. É um sacrifício, mas vale a pena. Tenho certeza que será uma luta muito intensa, ele é o melhor do mundo. Tenho me sacrificado para que no dia 5 eu possa fazer uma bela luta".

O prefeito Eduardo Paes, também presente ao evento, entrou no espírito: "Não vale tudo. Isso não tem nada a ver com arruaça, é um esporte, com regra, com disciplina, com dedicação. Queremos ser a porta de entrada para o UFC no Brasil. E tem o aspecto econômico. A cidade vai encher, lotar os hotéis, cobrindo um mês que a gente ainda tinha aberto para um grande evento. Então sejam bem-vindos".

 

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