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Em entrevista ao iG, Wanderlei Silva falou sobre o reality show TUF e sobre seu projeto social nos Estados Unidos

Wanderlei Silva posa para foto com fã na praia da Barra da Tijuca
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Wanderlei Silva posa para foto com fã na praia da Barra da Tijuca
Aos 35 anos, Wanderlei Silva já passou por tudo o que um lutador poderia dentro dos ringues. Com 47 combates (34 vitórias), o curitibano segue entre os nomes mais badalados do UFC e agora terá a chance de atuar de maneira direta no crescimento do MMA no Brasil: ele será protagonista do reality show “The Ultimate Fighter” ao lado de Vitor Belfort na Globo a partir de março.

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Em entrevista ao iG , Wanderlei Silva falou sobre o fato de apresentar a modalidade a um público que nunca teve contato com o mundo das lutas. O veterano salientou que a responsabilidade de se tornar uma espécie do embaixador do UFC é grande, mas que usará seu longo tempo no esporte como trunfo para atrair novos admiradores.

“Temos que mostrar o outro lado do lutador. As pessoas só nos olham competindo e não sabem como somos”, afirmou o atleta que se comparou ao personagem imortal “Highlander” em tom de brincadeira. “Sei que é uma grande responsabilidade você passar uma mensagem boa e uma boa imagem do esporte”, completou.

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Wanderlei Silva também aproveitou para comentar a respeito da fama repentina que ganhou nos últimos meses, do projeto social que deseja trazer dos Estados Unidos para o Brasil e da possível parceria com o judoca Flávio Canto.

Leia os principais trechos da entrevista:

iG: Você é um dos atletas mais experientes do UFC, mas só agora terá a chance de conquistar o grande público. Já notou diferença à sua volta desde o anúncio do reality show?
Wanderlei Silva:
O TUF [The Ultimate Fighter] não é apenas um show. É a chance de as pessoas que nunca viram o MMA terem contato com a luta e saber qual é o nosso esporte. Pessoas que nem imaginam. E já está crescendo muito. Antes, eram poucas as pessoas que me paravam nas ruas da minha cidade [Curitiba], mas agora está uma febre e todo mundo para. É algo muito interessante e estou muito feliz de poder representar nosso esporte dentro do Brasil.

iG: Você se sente obrigado de alguma forma a passar uma boa imagem do esporte, com a missão de quebrar preconceitos?
Wanderlei Silva:
Sem dúvida. Temos que mostrar o outro lado do lutador. As pessoas só nos olham competindo e não sabem como somos. Eu já tenho meu time e sou um líder com pessoas subordinadas a mim há muito tempo e estou acostumado. Sei que é uma grande responsabilidade você passar uma mensagem boa e uma boa imagem do esporte. Mas o patrão [Dana White, presidente do UFC] foi muito feliz na escolha. Escolheu dois atletas que vão passar uma ótima mensagem para o grande público.

iG: Você é um lutador com muita história no esporte e que passou por altos e baixos no UFC, mas sempre deu a volta por cima - como na última vitória sobre Cung Le, quando estava ameaçado. Como você lida com essa imagem?
Wanderlei Silva:
É como se fosse um Highlander, né? “Só pode haver um”. Não, não. Eu acho que temos que mostrar que sempre dá. Você tem que se superar todo dia e fazer o melhor. Em todas as profissões você atinge certo status e aí aparece uma rapaziada nova que quer tomar seu lugar e você tem que trabalhar mais e melhor. Mas ai também você já é pai de família, tem seu negócio e não tem mais aquela energia. Mas é ai que tem que se superar e fazer tudo melhor. É uma superação a cada dia. Sei que estou representando um pessoal que já passou dos 35, como o Minotauro, outro que está muito bem ainda e sempre se reergueu. Por isso somos chamados de “titios do MMA”.

Vitor Belfort e Wanderlei Silva foram anunciados como estrelas do reality show do UFC no Brasil
Futura Press
Vitor Belfort e Wanderlei Silva foram anunciados como estrelas do reality show do UFC no Brasil

iG: A atualização na maneira de treinar faz parte disso também? Foi importante para você continuar lutando até hoje?
Wanderlei Silva:
Temos um time muito bom nos Estados Unidos. Tenho o Rafael Cordeiro como técnico e os técnicos da minha academia. Também fazemos intercâmbio com caras do wrestling, jiu-jitsu e sempre buscamos caras novos para isso. O pessoal do wrestling, por exemplo, é muito forte. Treina bastante desde pequeno e tem uma estrutura física impressionante. Isso força a me desdobrar e aprender uma escola nova.

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Wanderlei Silva vem de vitória surpreendente sobre Cung Le no UFC
 iG: Assim como falou, você já está ficando mais conhecido no Brasil mesmo antes da estreia do programa. Está preparado para este novo patamar como celebridade?
Wanderlei Silva:
Isso é legal, mas o número de pessoas que me conhecerem não vão mudar minha vida. Já sou bem realizado na minha carreira, ganhei título mundial e estou realizado com o meu trabalho. Meu foco agora é outro. Estou tentando usar toda a exposição na mídia ao grande público para reverter às pessoas que não podem treinar. Estou começando um trabalho social e vou abrir horários de graça para as pessoas que não podem pagar e quero trazer para o Brasil. Vou visitar o projeto do Flávio Canto e conversar com ele e levar para Curitiba, voltado para o MMA. Lá tem os mesmos problemas que no Rio de Janeiro. Tem muitos professores precisando de trabalho e muita gente precisando aprender com esses professores. Quero montar o espaço física e a didática para tentar formar outros Andersons, Shoguns e Wanderleis.

iG: Você vai fazer uma parceria com o Flávio Canto, então?
Wanderlei Silva:
Quero ver o sistema dele, que é bem conceituado. Na minha escola, em Vegas, eu faço um trabalho com crianças órfãs, de lares adotivos. Muitos não conseguem se adaptar. Algumas foram abusadas quando eram pequenas e é difícil. Temos um cara formado em psicologia que faz o acompanhamento com os jovens e explica como pode ser o caminho delas. Por fim, temos um pastor que também os acompanhar. Tentamos cuidar do lado físico, psicológico e espiritual para formar pessoas capacitadas para o mercado de trabalho.

iG: Qual é a faixa etária dos jovens?
Wanderlei Silva:
De quatro a 18 anos. E é algo bem complicado para elas. Queremos fazer algo parecido no Brasil, porque sabemos que aqui também tem muitas histórias iguais.