Catarinense dividirá os treinos para a disputa do título do UFC no Brasil e nos Estados Unidos

Divulgação/UFC
Cigano venceu Carwin e se credenciou para brigar pelo cinturão dos pesos pesados
Ele foi protagonista do reality show “The Ultimate Fighter” e atualmente é um dos personagens mais conhecidos do UFC nos Estados Unidos. Mas antes de se tornar uma celebridade do MMA, Junior Cigano dos Santos teve um cotidiano bem diferente dos socos e pontapés do mundo das lutas. Com um passado humilde, o boxeador chegou a trabalhar como vendedor de picolés e entregador de jornais em Santa Catarina.

Em entrevista ao iG , o atleta de 26 anos falou sobre a vida antes do MMA e sobre a mudança de carreira até atingir o estrelato no UFC. Cigano admitiu que ainda não era reconhecido o suficiente para disputar o cinturão e que só agora possui o status necessário para brigar pelo título.

Com sete vitórias consecutivas no torneio, Cigano ainda revelou alguns detalhes de sua preparação para o combate contra o campeão Cain Velásquez, em novembro. Ele também ressaltou que esta será uma das maiores lutas de todos os tempos entre os pesos pesados do MMA.

Confira os principais trechos da entrevista:

iG: Você foi protagonista do último “The Ultimate Fighter” e virou uma celebridade nos EUA. Acha que só agora está preparado para ganhar uma chance de lutar pelo cinturão do UFC?
Junior Cigano:
O UFC sabe como vender uma coisa, não é à toa que é o maior evento do mundo. Eles sabiam que eu ainda não estava reconhecido o bastante para disputar o cinturão. Então, a lesão do Velásquez no ano passado veio a calhar. Me colocaram no programa e minha popularidade aumentou muito, ainda mais por ser um show com o Brock [Lesnar], que é um cara muito famoso no mundo todo. A mudança é nítida, percebo isso na rua, quando as pessoas me param e me reconhecem. Estou muito feliz com tudo o que está acontecendo.

iG: Você já teve sete vitórias seguidas e uma ascensão rápida no UFC. Mas acha que a chance demorou a chegar?
Junior Cigano:
Quero ser campeão, não importa quando, e isso já é o suficiente. Tudo o que aconteceu na minha vida teve um motivo. Se for olhar de onde eu saí, até aonde eu cheguei... Tive uma evolução tremenda. Nunca esperava que seria lutador, mas me encontrei na luta e sempre dou 100%. Amo ser lutador e fazer o que eu faço. Todos os desafios que superei me ajudarão a atingir o objetivo e o cinturão.

iG: Que tipo de desafios chegou a superar? O que fazia antes de ser lutador?
Junior Cigano:
Já trabalhei com várias coisas, desde cedo. Venho de uma família bem humilde. Com dez anos já vendia picolé. De 13 para 14 anos eu já entregava jornal e depois fui servente de pedreiro. Fui tudo. Já colhi maçã, feijão... Fiz de tudo... Mas minha vida mudou muito. Agora, o que eu quero é dar uma vida digna para minha família. Nunca passou pela cabeça que eu poderia ser um campeão do mundo, mas isso foi mudando. Estou chegando cada vez mais longe e quero o título mais do que tudo.

iG: Como está a recuperação da mão fraturada? Já começou os treinamentos para a disputa do cinturão?
Junior Cigano:
Agora estou só correndo e malhando. No máximo, treino jiu-jtsu. Estou fazendo fisioterapia todos os dias e ainda estou com a mão meio inchada [desde a luta contra Shane Carwin, em junho]. Sinto a mão meio pesada. Por isso, estou treinando mais leve, mas não parei de trabalhar, não. Em alguns dias espero voltar a bater e a dar socos de maneira gradual.

iG: A luta contra o Cain Velásquez deve ocorrer na segunda metade de novembro. O ciclo de treinos para um combate pelo cinturão é de quanto tempo?
Junior Cigano:
Normalmente, faço um treino mais pesados por dois meses e meio. Nunca paro de treinar, sempre mantendo o condicionamento. Mas nos dois meses e meio antes da luta vou aumentar o ritmo. Isso será o suficiente, mesmo para uma luta de cinco rounds.

iG: O Cain é um atleta bem versátil, mas que depende muito do wrestling. Qual será a sua estratégia? O público pode esperar novidades no seu estilo?
Junior Cigano:
Será o Cigano de sempre. Estou evoluindo a cada luta que passa. Sempre tento aprender mais e sempre busco coisas novas. Em minha ultima luta, aprendi muita coisa e mostrei isso. Tive paciência e consegui segurar. Tiveram alguns momentos em que eu queria atacar mais, pois este é o meu estilo. Mas o [Luiz] Dórea [treinador] me ajudou a segurar um pouco mais. Estou evoluindo, e o pessoal pode esperar coisas diferentes. Não vejo limites para as coisas em uma luta. Sempre tento aprender mais, mas o boxe é e continuará sendo o meu carro chefe

iG: Como é seu contato com o Cain Velásquez nos bastidores? Vocês são dois atletas que não costumam provocar o adversário antes da luta...
Junior Cigano:
Sou profissional e muitos atletas gostam de causar polemica para vender a luta. Acho importante, mas este não é o meu estilo. Não gosto de provocar e ficar falando besteira. Sou profissional e gosto de mostrar tudo dentro do octógono e não fora dele. O Cain também não é um cara de ficar falando besteiras. Nós dois não falamos muito, mas lutamos muito. Então todos podem esperar um grande combate.

i G: Muitos especialistas acham que está será uma das maiores lutas de pesos pesados da história do UFC. Você concorda com isso? Como vê a forma que estão promovendo o combate?
Junior Cigano:
Já tiveram lutas com atletas do pesado que vendem muito, como o Frank Mir e o Brock Lesnar. Mas na visão da luta em si, da parte técnica e de todo o conjunto e coração, está será uma das maiores lutas de pesos pesados de todos os tempos. Em minha opinião, poderá ser uma luta que lembrava até as disputas da época do Fedor [Emelianenko] e do Rodrigo Minotauro [no Pride].

iG: Você fará a preparação nos Brasil ou nos Estados Unidos?
Junior Cigano:
Vou primeiro para lá fazer um treino intensivo de wrestling. Depois, vou voltar para o Rio de Janeiro ou para a Bahia trazendo algum wrestler para continuar o trabalho. A preparação física também será intensa e bem parecida com a da minha última luta. No fim, ainda agüentava mais dois rounds com o Shane Carwin e fiquei muito contente com esta parte.

iG: Por que decidiu romper com os empresários Ed Soares e Jorge Guimarães, o Joinha [os mesmos de Anderson Silva e José Aldo]?
Junior Cigano:
Foi por evolução, só isso. Sou muito amigo do Joinha e do Ed. Gosto muito deles. Temos uma relação muito boa e nem tem muito o que falar. As coisas vão evoluindo e cada um trabalhada forma que acha melhor. Eles me ajudaram demais e ainda me ajudam. No que precisarem, vou ajudá-los e nos que eu precisar, sei que estarão lá para me ajudar.

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