Tamanho do texto

Gary Goodridge isentou o MMA e culpou o passado no kickboxing pelas lesões no tecido do cérebro

Gary Goodridge (dir.) revelou ter a doença pelas pancadas que recebeu na cabeça
Getty Images
Gary Goodridge (dir.) revelou ter a doença pelas pancadas que recebeu na cabeça
O UFC nunca teve que lidar com nenhum trauma fatal. Porém, um de seus ex-atletas terá que enfrentar um sério problema de saúde decorrente das lutas. O canadense Gary Goodridge foi diagnosticado com “demência pugilística” devido aos golpes que levou ao longo da carreira, o que abriu uma nova polêmica sobre a violência dos esportes de combate.

Veja também: Comentarista do UFC diz que vários lutadores consomem maconha

Também conhecida como “encefalopatia traumática crônica do boxeador”, a doença é comum em atletas que sofrem traumas, como pugilistas e jogadores de futebol americano e hóquei no gelo.

De acordo com o médico Oscar Bacelar, membro da Academia Brasileira de Neurologia, a doença era muito comum até os anos 80, atingindo até 15% dos boxeadores profissionais na época.

Confira ainda: São Paulo quer patrocinar UFC para afastar 'ameaça' do Rio

“A síndrome pugilística ficou muito conhecida com o Muhammad Ali, que desenvolveu a parte parkinsoniana. Ela acontece por microtraumas decorrentes dos socos. Eles podem gerar vários sintomas como declínio mental, problemas de memória, de linguagem e parkisionismo”, explicou Bacelar antes de ressaltar que a única prevenção existente é não levar os golpes na cabeça.

Leia também: Longe do MMA, Gina Carano protagonizará novo filme de Hollywood

Gary Goodridge teve uma longa carreira no kickboxing antes de entrar no MMA. Ao todo, ele teve nada menos do que 85 lutas e foi nocauteado 24 vezes. Além disso, teve derrotas para brasileiros como Pedro Rizzo e Rogério Minotouro. O lutador de 46 anos estava aposentado desde dezembro de 2010.

Veja também as maiores rivalidades da história do MMA como Sonnen x Anderson

“Quando você recebe uma notícia assim, você tem que lidar e viver com ela. Não há tratamento, apenas pílulas que retardam o processo”, afirmou o atleta radicado no Canadá ao site MMA Weekly.

“A maioria dos traumas veio do K-1 [maior torneio de kickboxing do mundo]. O MMA não teve importância, pois quase não tem golpes na cabeça. 90% nas minhas lesões vieram do K-1, que não tem anda além de golpes na cabeça várias e várias vezes”, completou Goodridge.

O problema do lutador reabriu as conversas sobre os danos do MMA à saúde dos praticantes. Os atletas recebem menos golpes na cabeça ao longo dos treinos e combates, mas a proteção das luvas do antigo vale-tudo são menores que as do boxe.

“Essas lesões são características dos pugilistas, que podem receber mais de 150 golpes na cabeça em uma noite. Mas é claro que seria melhor se a proteção para os atletas de MMA fosse melhor. Eles poderiam usar joelheiras e cotoveleiras, por exemplo”, concluiu Bacelar.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.