Em entrevista ao iG, Rorion Gracie admitiu que não segue mais o evento, mas se mostra feliz com o crescimento do UFC

Quando Rorion Gracie criou o UFC (Ultimate Fighting Champioship) em 1993, ele tinha só um objetivo: provar que o jiu-jitsu era a arte marcial mais eficaz do mundo em um torneio televisionado nos Estados Unidos. Quase duas décadas depois, a entidade cresceu exponencialmente, ganhou milhões de torcedores fanáticos e atingiu valores bilionários. Mas para o criador do evento, tudo virou um grande show que não retrata, necessariamente, quem é o melhor lutador do mundo.

“As pessoas assistem a um espetáculo de entretenimento e não a uma briga de verdade atualmente. Essa não era a ideia original. Eles mudaram as regras e transformaram o que tínhamos em algo café com leite, um jogo, para satisfazer necessidades políticas do esporte”, afirmou Rorion Gracie em entrevista ao iG .

Nas primeiras edições, o UFC contava com a ausência quase completa de regras. Não havia rounds, limite de tempo e categorias. Mas após as primeiras edições (maioria vencida pelo franzino Royce Gracie), o torneio foi pressionado a introduzir uma série de normas.

Insatisfeito com o rumo que o UFC estava tomando, Rorion Gracie vendeu sua parte da franquia já em 1995. De acordo com o brasileiro radicado nos Estados Unidos, a entidade sofreu uma série de pressões da Comissão Atlética do Boxe, que viu uma grande ameaça no crescimento do UFC.

“Inicialmente, criei um evento no qual era possível ter uma comparação entre os vários estilos de lutas e consegui demonstrar que o nosso jiu-jitsu era a mais eficiente. O evento sofreu uma série de pressões da comissão de boxe e meus sócios cederam às modificações. Eu não aceitei o rumo que o UFC estava tomando e vendi minha parte”, completou.

Atualmente, Rorion trabalha ao lado de seus dez filhos como mestre na Gracie Jiu-Jitsu Academy, na Califórnia. Apesar de mostrar satisfação pelo crescimento do torneio na última década, ele reitera que o evento não mostra quem é o melhor lutador do mundo.

“Hoje em dia, o cara se prepara para lutar rounds de cinco minutos. São atletas bem explosivos e muito bons. Mas um combate sem tempo é outra história. Só assim dá para ver quem é o melhor. O Anderson Silva é um grande atleta, que se adaptou bem às regras. Mas sem o jiu-jitsu, eu acredito que ele estaria em uma roubada”, avaliou o Gracie.

Agora, Rorion se empenha em uma nova missão: promover a dieta Gracie, desenvolvida por seu tio Carlos durante 65 anos. O criador do UFC lançará um livro voltado para a alimentação saudável no início do ano que vem com os segredos da dieta de sua família.

“Mostramos qual é a melhor luta em um combate real. Hoje, todos usam o jiu-jitsu. Mas não assisto a nenhuma luta hoje em dia. Prefiro ir ao cinema ou fazer outra coisa. A prioridade deles [do UFC] é fazer grana e eles tão certíssimos no que eles querem. Só que hoje a minha missão é outra. Compartilhar a dieta, que é o grande segredo da família”, concluiu Rorion.

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