‘Minotauro’ mostra empolgação com primeira luta no país e Anderson Silva resume: 'Será seleção brasileira contra o resto do mundo'

Anderson Silva reconheceu que país não tem estrutura para manter lutadores
Vicente Seda
Anderson Silva reconheceu que país não tem estrutura para manter lutadores
O MMA brasileiro segue uma rotina que, para quem é fã, por exemplo, do futebol, não é novidade. Lutadores do país se consagram pelo mundo, mas não atuam em sua terra natal, com estrutura ainda deficiente para comportar atletas de alto nível no esporte. É o caso, por exemplo, de Rodrigo “Minotauro” Nogueira, um dos maiores campeões da modalidade. Ele já bateu adversários como Randy Couture, mas jamais lutou no Brasil, apesar de seu currículo ter 40 combates (com apenas seis derrotas). Aos 35 anos de idade, ele retorna ao octógono após três cirurgias no quadril e no joelho e se mostrou o mais empolgado com a oportunidade de lutar com a torcida a favor no UFC Rio, no dia 27 de agosto, na HSBC Arena .

“Acho que eu tinha de lutar, apesar de alguns companheiros de treino terem dito que era cedo. Acho que, por ser no Rio, não deveria perder essa oportunidade. Na minha carreira toda, de 40 lutas, nunca lutei no Brasil. Puxei muito mais na fisioterapia para poder estar aqui. Como brasileiro, quero lutar pelo menos uma vez aqui. Estou voltando de três cirurgias, é um grande esforço e, se eu vencer, ficará provado a todos o guerreiro que é o ‘Minotauro’”, disse Nogueira, que terá pela frente Brandon Schaub, americano de 28 anos.

Atração principal da noite, o campeão mundial dos médios, Anderson Silva, chamado de “o melhor de todos os tempos” por Dana White, presidente do UFC, resumiu: “O UFC Rio será a seleção brasileira contra o resto do mundo”, resumiu. “Faz muito tempo que não luto no Brasil, para mim é algo muito esperado. Temos conversado muito sobre isso. Acho que a gente tem tudo para representar bem o país e mostrarmos que somos uma superpotência no esporte”.

Silva aproveitou também para elogiar “Minotauro”, com quem treinou e que foi um dos responsáveis pela sua ascensão no MMA. “O ‘Minotauro’ bota a gente no lugar quando a gente se sente estrela. Ontem mesmo eu me senti um faixa branca. A minha maior referência é o ‘Minotauro’. Se não fosse ele, muita gente que treina no time Nogueira não estaria onde está hoje, e eu não estaria aqui. Posso chutar, socar, pular, sorrir”, brincou Silva, que também falou sobre o êxodo de lutadores. “O esporte vem crescendo, não é uma questão do UFC, mas o apoio que o brasileiro tem. No futebol, acontece a mesma coisa, temos grandes jogadores, mas não há estrutura para manter aqui”. Anderson Silva defenderá seu cinturão dos médios contra o japonês Yushin Okami, o último a derrotá-lo, em 2006. Silva, porém, perdeu a luta ao ser desqualificado por um golpe ilegal.

O também brasileiro Maurício “Shogun” Rua, da categoria meio-pesado, disse estar realizando um sonho ao poder lutar pelo UFC no Brasil. “Estar no Brasil é uma motivação a mais, vou tentar representar bem o meu país, os meus amigos e minha família. A gente sempre luta com torcida conta, mas sempre tem a motivação do público brasileiro em qualquer lugar do mundo. Aqui acho que teremos uma força a mais para lutar bem. Para mim é um sonho, é a primeira vez”, disse “Shogun” que, entre outros, já venceu Mark Coleman e “Rampage” Jackson. A sua luta no UFC Rio será contra o americano Forrest Griffin, de 32 anos.

Veja fotos da entrevista com os astros do UFC no Copacabana Palace:

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.