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Lutas
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‘Caveiras’ viram lutadores profissionais para MMA na sede do Bope

PMs treinam há seis meses para competir pela Tropa de Elite e usam habilidades desenvolvidas no combate nas ruas do Rio. ‘A gente não foge de tiro, vai fugir de soco?’

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

Isabela Kassow
Campeão de boxe tailandês e jiu-jítsu e instrutor de defesa pessoal no Bope, Félix tirou os pontos de corte da boca antes da hora
Em vez de técnicas de progressão em favelas, oito policiais do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) têm trocado os fuzis pelas artes marciais, nos últimos seis meses. O ambiente confinado dessa “guerra”, que acontece no dia 25, será diferente do que estão acostumados, e o adversário não usa armas – de fogo – mas luvas.

Em casa, na sede do Bope, com público a favor e transmissão ao vivo pela TV pay-per-view, dois desses oito “Caveiras” vão ser selecionados para estrear profissionalmente um ringue e defender a insígnia da “Tropa de Elite”, a caveira transfixada por um punhal, símbolo das unidades de operações especiais.

Isabela Kassow
Campeão de boxe tailandês e jiu-jítsu e instrutor de defesa pessoal no Bope, Félix tirou os pontos de corte da boca antes da hora
Eles se preparam para participar da 25ª edição do Shooto, competição de MMA (Mixed Martial Arts) que reunirá 16 lutadores de MMA (Mixed Martial Arts, o “Vale-Tudo”) em um ringue montado no pátio do Bope, no Rio. O evento foi inspirado em um similar em base militar nos Estados Unidos, “Fight for the Troops” e vai acontecer dois dias antes do UFC Rio.

“Quando propus o evento, o comandante do Bope, tenente-coronel René Alonso, adorou a ideia. A única exigência foi que dois PMs do Bope teriam de lutar”, disse o treinador do grupo e ex-lutador profissional, André Pederneiras, presidente do Shooto Américas.

Um policial do Bope do Distrito Federal, Paulo Thiago, é lutador profissional de sucesso e disputará o UFC Rio, dois dias depois do Shooto. É, de alguma maneira, seguindo o caminho de Thiago que os PMs do Bope mais famoso se preparam para o novo tipo de confronto.

Dois lutadores são instrutores de defesa pessoal do Bope

Há seis meses, os “caveiras” se uniram a cerca de 50 atletas profissionais treinados por Pederneiras na academia “Upper”, no Flamengo (zona sul), entre eles o campeão do UFC na categoria até 65 kg, José Aldo – eleito o melhor lutador de MMA do mundo no ano passado.

Isabela Kassow
Campeão de boxe tailandês e jiu-jítsu e instrutor de defesa pessoal no Bope, Félix tirou os pontos de corte da boca antes da hora
Os oito lutadores do Bope já tinham alguma experiência com lutas. O cabo Wagner Gasco, sniper (atirador de precisão do Grupo de Resgate e Retomada) é professor de capoeira e instrutor de defesa pessoal do batalhão. O cabo André Gustravo Félix, ou Mau-Mau – como é conhecido no meio da luta - começou no Bope justamente como instrutor de defesa pessoal civil, antes de virar PM.

Faixa-preta de kickboxe (foi campeão brasileiro e sul-americano), e marrom de jiu-jítsu (vice-campeão mundial de jiu-jítsu olímpico), fez concurso para a PM e, um ano depois do treinamento básico, passou a vestir a farda preta. Há um ano no Bope, o soldado Fernando Mendonça Dias pratica jiu-jítsu e luta livre.

PMs viram ‘sparrings’ e são espancados, mas não pedem para sair

“Quem ousa vence”, costuma dizer o comandante do (COE) Centro de Operações Especiais da PM do Rio, o “caveira” e ex-comandante do Bope, coronel Alberto Pinheiro Neto. Seguindo o conselho, os atletas de preto se aventuraram entre “cascas-grossas” do MMA. Na academia, os PMs do Bope servem de “sparrings” para lutadores mais experientes. “Começa o sofrimento”, brincou Fernando.

Isabela Kassow
Campeão de boxe tailandês e jiu-jítsu e instrutor de defesa pessoal no Bope, Félix tirou os pontos de corte da boca antes da hora
“Um cara começando normalmente fica receoso. Eles foram espancados, entraram no cacete, e ficaram como se nada tivesse acontecido. No dia seguinte estavam aqui, treinando normalmente”, contou Pederneiras.

Essa é uma característica de um integrante do Bope. Alguns dos “11 mandamentos do Bope”, expostos em paredes do batalhão, podem ser úteis na hora da luta no ringue: “agressividade controlada, controle emocional, disciplina consciente, flexibilidade, iniciativa, lealdade, perseverança e versatilidade”.

Cursos do Bope testam os limites físico e psicológico

Os cursos de operações especiais levam os PMs aos limites físico e psicológico, para testar o controle emocional e a resistência. Uma das etapas dos treinamentos inclui confrontos com lutadores profissionais. “Somos forjados no fogo. Só 20%, 30% se formam nos cursos”, disse o soldado Fernando. “A gente não foge de tiro, vai fugir de soco?”, questionou o cabo Gasco.

Isabela Kassow
Campeão de boxe tailandês e jiu-jítsu e instrutor de defesa pessoal no Bope, Félix tirou os pontos de corte da boca antes da hora
“É o controle da adrenalina. Você sai todo quebrado e finge que nada aconteceu”, ri Félix, ou Mau-Mau, com o lábio cicatrizando de um corte profundo que lhe rendeu três pontos – tirados quatro dias antes do prazo dado pelo médico, para poder treinar.

Fernando treinou quinta-feira com um esparadrapo na orelha, após levar um soco cruzado que afetou seu tímpano. Com uma hora de treino, após ser lançado ao chão, socado e trocar “guardas” com os companheiros de treino, o esparadrapo caiu. Gasco não treinou devido a uma lesão na perna esquerda.

Por causa da imagem pública do Bope, uma dificuldade da organização do evento foi encontrar adversários para os militares dos homens de preto. “Ficaria uma luta entre ‘mocinho’ e ‘bandido’ e não queríamos estigmatizar ninguém”, disse o técnico.

A solução foi chamar dois lutadores argentinos.

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