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Lutas
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A história dos Gracie: O surgimento do vale-tudo

O iG preparou uma série de reportagens sobre a família Gracie, responsável pelo surgimento no MMA no Brasil

Eduardo Oliveira, iG São Paulo |

“Se você quer ter um braço quebrado procure a academia Gracie”. Era desta forma que a família precursora no MMA no Brasil procurava adversários para duelos de vale-tudo no inicio do século passado. Com anúncios provocadores em jornais de grande circulação, vitórias, brigas e curiosidades, os Gracie marcaram sua história no mundo das lutas. Para relembrar todas estas passagens e analisar o futuro do clã, o iG preparou uma série de reportagens que contam desde o inicio do MMA até as turbulências envolvendo membros da família.

O inicio
Se atualmente os lutadores de MMA recebem milhões de dólares por suas apresentações, são recebidos como estrelas e tem uma legião de fãs, nos primórdios do esporte não era bem assim. A primeira luta do então “vale-tudo” que se tem registro no mundo aconteceu em 1924, no Rio de Janeiro, quando Carlos Gracie enfrentou o estivador Samuel, conhecido atleta da capoeira. Na ocasião, o primogênito da família queria mostrar a superioridade do jiu-jítsu frente às demais modalidades.

Carlos conheceu o jiu-jítsu em 1917, na cidade de Belém do Pará, através do japonês Conde Koma, seu primeiro e único professor. Com passar dos anos aperfeiçoou a modalidade juntamente com seus irmãos, através do sistema de alavancas, onde se usava a força do adversário ao seu favor.

A luta contra Samuel, que era mais alto e mais forte que Carlos, terminou empatada, mesmo depois de o capoeirista ter um dos braços quebrados. Mas o combate, onde não existiam regras, ganhou popularidade no Rio de Janeiro. A partir daí, os irmãos Carlos, Oswaldo, Gastaozinho, George e Hélio somaram triunfos em desafios pelos Brasil.

Apesar de muitas vitórias e raríssimas derrotas, um revés ficou marcado para a família. Em 1955, o vale-tudo era um dos esportes mais populares no Brasil e Hélio Gracie, o caçula entre os cinco filhos homens, desafiou o renomado judoca Masahiko Kimura. O atleta japonês se recusou a lutar contra o brasileiro e ofereceu seu aluno Kato para enfrentar o Gracie.

A primeira luta entre Hélio e Kato aconteceu no Maracanã e terminou empatada. A segunda foi realizada no Ibirapuera, em São Paulo, e foi lá que Kimura viu seu pupilo ser estrangulado pelo subestimado mestre do jiu-jítsu em poucos minutos de combate.

Com a derrota de Kato, cabia a Kimura, 30 quilos mais pesado que Hélio e penta campeão mundial judô, lavar a honra do esporte nipônico. Antes do combate, Kimura afirmou que se Helio aguentasse três minutos sem desistir já seria vencedor. A peleja durou mais de 12 minutos, onde o judoca usava sua força física para manter o brasileiro no chão e o castigar com golpes. Na metade do segundo round, com uma chave de braço chamada ude-garame, que depois foi rebatizada como kimura em homenagem ao lutador, o japonês encaixou o golpe que encerraria a luta. Como o Gracie se recusava a desistir, para não ter o braço do irmão fraturado, Carlos jogou a toalha em forma de desistência. Apesar da derrota, o brasileiro ganhou projeção, foi aplaudido por sua bravura e citado com louvor em todas as declarações de Masahiko Kimura, inclusive em sua biografia oficial.

Foi desta forma, com certo amadorismo, desafios públicos, vitórias e algumas derrotas, que a família Gracie deu inicio ao sucesso que é hoje o MMA

Na próxima reportagem que vai ao ar neste sábado, a profissionalização do vale-tudo, o surgimento de grandes eventos nos Estados Unidos e Japão, além da segunda geração de lutadores da família Gracie

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