O carioca Thales Leites foi derrotado por Anderson Silva em 2009, mesmo ano em que foi demitido do UFC. Retornou quatro anos depois e desde então está invicto no Ultimate

Thales Leites lutou pelo cinturão dos médios contra Anderson Silva em 2009, mas perdeu em decisão unânime
Josh Hedges/UFC
Thales Leites lutou pelo cinturão dos médios contra Anderson Silva em 2009, mas perdeu em decisão unânime

Antes de perder o cinturão dos médios para o americano Chris Weidman, Anderson Silva enfileirou dez oponentes em defesas pelo título da categoria. Contra brasileiros, o chute frontal em Vitor Belfort e a polêmica vitória sobre Demian Maia fazem parte da memória dos fãs de MMA. Mas eles não foram os únicos atletas do Brasil a aparecer no caminho de Anderson.

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O carioca Thales Leites também teve sua chance. Em abril de 2009, ele fez uma luta polêmica contra Anderson Silva, que venceu na decisão unânime dos juízes. Durante o duelo, a falta de combatividade foi marcante. O ex-campeão, especialista no muay thai, queria o duelo em pé, enquanto Thales buscava a luta no chão. O confronto, que aconteceu em Montreal, no Canadá, foi bastante vaiado. Nos últimos rounds, Anderson chegou a dançar e abaixar a guarda.

“Poderia ter rendido muito mais. Não tive a ousadia de querer ser campeão. Fui um lutador mediano, irregular e não aproveitei o momento. Hoje, sou um atleta mais forte fisicamente e principalmente mentalmente”, comentou Thales sobre a luta, em entrevista ao iG .

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Além das vaias, o combate foi alvo de críticas, inclusive de Dana White, presidente do UFC, que na época se disse “envergonhado”. Anderson Silva, por sua vez, alegou que não nocauteou Thales por ser amigo do carioca. Declaração infeliz na opinião do lutador de 33 anos. “Não guardo mágoa nenhuma de ninguém. Só foi infeliz o comentário dele, mas já passou. Está tudo resolvido”.

Thales Leites comemora nocaute sobre Francis Carmont, em sua última luta no UFC
Getty Images
Thales Leites comemora nocaute sobre Francis Carmont, em sua última luta no UFC


Demissão do UFC e ajuda de amigo
Após a derrota para Anderson, outro revés, agora para o italiano Alessio Sakara. A luta também foi vaiada pela falta de combatividade e Thales foi demitido do UFC, ainda em 2009. Mesmo fora do Ultimate, o carioca não desistiu do MMA. Venceu seis de suas sete lutas em outras divisões da modalidade e chamou atenção novamente.

Atleta da Nova União, no Rio de Janeiro, Thales contou com um “empurrãozinho” de um companheiro de treinos para voltar ao UFC. José Aldo, campeão dos penas, entrou em contato com Dana White para intermediar o retorno do amigo e Thales pôde atuar no UFC Rio III, em agosto de 2013. “Ele iria lutar no UFC aqui no Rio em 2013 e disse que poderia dar um empurrãozinho. Ele entrou em contato com o Dana, lembrou da minha passagem e eles me colocaram no card”. E a volta foi em grande estilo. Vitória por decisão unânime sobre o inglês Tom Watson.

Reinventado e invencibilidade
Desde a sua volta ao UFC, as polêmicas sobre a falta de combatividade cessaram. Especialista no jiu-jitsu, Thales melhorou bastante a luta em pé e se diz “reinventado”. Foram quatro vitórias de lá para cá, as duas últimas por nocaute.

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Neste sábado, ele lutará no card que marca a volta de Anderson Silva. O carioca vai encarar o experiente americano Tim Boetsch, no UFC 183, em Las Vegas. Se antes a estratégia era levar qualquer rival para o chão, agora ele tem mais alternativas.  “O jiu-jitsu sempre será minha especialidade, mas a luta começa em pé, vou buscar nocautear ou finalizar, tanto faz. Estou pronto para a luta em pé e defender quedas”, disse Thales, que ocupa a 11ª colocação do ranking dos médios do UFC.

O carioca só pensa na luta de sábado contra o americano, mas admite que sonha com nova chance de título. “Quero subir no ranking e buscar o cinturão, claro, não quero ser coadjuvante. Mergulhei de cabeça, sei que é uma categoria disputada, cheia de atletas duros, mas nada é impossível”, concluiu Thales Leites.

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