Demian Maia se vê a 2 lutas do título e revela interesse em voltar ao jornalismo

Por Rodrigo Farah - enviado iG a Las Vegas (EUA) | - Atualizada às

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Um dos principais nomes dos meio-médios do UFC, lutador paulista também falou ao iG sobre seu combate de sábado contra Jon Fitch

Getty Images
Demian Maia encara Jon Fitch em seu terceiro combate nos meio-médios do UFC

Demian Maia é mais conhecido pelo sucesso no octógono e por ser um dos atletas mais perigosos no chão de todo o UFC. Mas poucos sabem que o lutador de 35 anos também possui um diploma de jornalista e que era atleta de handebol em seus tempos de universitário na faculdade Cásper Líbero. Em entrevista ao iG, o brasileiro admitiu que ainda mantém a paixão pela comunicação social e que planeja voltar às origens quando se aposentar dos combates.

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“Gosto muito de escrever, me dá grande prazer. Também gosto de rádio e televisão. Gosto muito da parte da produção e dos bastidores. Minha prioridade agora é disputar o cinturão e ganhar o título do UFC. Mas no futuro esta é uma possibilidade forte, ir trabalhar no jornalismo”, comentou o pentacampeão mundial de jiu-jitsu.

Demian Maia também falou a respeito do combate de sábado, no UFC 156, contra Jon Fitch. De acordo com o paulista, uma vitória no fim de semana o colocaria a apenas mais uma luta pelo cinturão dos meio-médios contra o canadense Georges St-Pierre.

Confira os principais trechos da entrevista:

iG: Uma vitória no sábado sobre Fitch o deixaria quão próximo de uma luta contra o GSP pelo título?
Demian Maia: Vai depender muito dos resultados do UFC no Canadá (em março), do desempenho do Johnny Hendricks, Rory Mcdonald, Carlos Condit, Jake Ellenberger... Desse pessoal todo também vai sair alguém muito cotado para uma luta pelo cinturão. Acho que estarei ali perto desse pessoal. Vai depender da minha luta de sábado e do que acontecer lá. De repente, alguém se machuca também, isso sempre acontece. Se vencer essa estarei bem perto do topo, a mais uma luta só da disputa do cinturão.

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iG: Esta será sua terceira atuação no peso meio-médio (até 77 kg). Já se adaptou completamente à categoria? Pretende estar com quantos quilos na hora da luta?
Demian Maia: Esta é a terceira vez que eu luto nesse peso e já estou bem. Na primeira vez foi um pouco difícil e na segunda já foi mais tranquilo. Agora, está tranquilo também. Vou bater os 77 kg (na sexta) e acho que estarei com 83 kg na hora da luta (sábado). O Jon Fitch também deve ficar por ai.

iG: Antes de se tornar um lutador do UFC, você se formou em jornalismo. Como foi essa época?
Demian Maia: Quando eu sai do colégio, a luta ainda não era uma opção e prestei veterinária na USP. Passei na primeira fase e não passei na segunda. Mas também tinha prestado jornalismo na Cásper Líbero, que é uma das melhores por ai. Sempre gostei de ler e escrever e me comunicar. Também fui criado com um pensamento crítico desde criança e isso pesou na minha escolha. Gostei muito desta época até me formar em 2001. Tenho amigos até hoje da faculdade, mas fui conquistando mais títulos nas lutas e segui nessa área.

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iG: Você se vê trabalhando no jornalismo quando encerrar a carreira no UFC e nas lutas?
Demian Maia: Gosto muito de escrever, me dá grande prazer. Também gosto de rádio e televisão. Gosto muito da parte da produção e dos bastidores. Minha prioridade agora é disputar o cinturão e ganhar o título do UFC. Mas no futuro esta é uma possibilidade forte, ir trabalhar no jornalismo.

AP
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iG: É verdade que você chegou a jogar handebol no JUCA (Jogos Universitários de Comunicação e Artes)? Como se saiu?
Demian Maia: Na verdade, joguei bastante handebol na época do colégio. Era um time muito bom, com atletas da seleção, e às vezes chegava a ser reserva como pivô. Quando entrei na faculdade, era uma equipe mais fraca e eu era o principal jogador do time. Tive que jogar de meia, mas não conseguimos ganhar. No primeiro ano, ainda ganhamos um jogo. Mas depois comecei a sentir o ombro nos treinos e larguei para evitar riscos.

iG: Ao todo, você foi pentacampeão mundial de jiu-jitsu e era um dos melhores na modalidade. Por que decidiu migrar para o MMA?
Demian Maia: Eu sempre quis lutar MMA, foi uma questão de oportunidade. Se eu tivesse treinado em uma academia de MMA no começo da minha carreira já teria começado a lutar antes, mas acabei na academia do Fábio Gurgel, que era totalmente voltada para o jiu-jitsu. Ai depois que a equipe separou, corri atrás disso. Em 2002, o Vitor Belfort veio morar em São Paulo e ajudei nos seus treinamentos. Aprendi muito nessa época, como defender na guarda, por exemplo, ele me ajudou muito.

iG: Atualmente, o UFC conta com mais de 50 lutadores brasileiros, mas pouquíssimos são de São Paulo como você. Por que isso acontece?
Demian Maia: Se você contar, o UFC deve ter entre 200 e 250 atletas com contrato. Mais de um quarto disso é brasileiro e tem atletas de todos os lugares, mas mais do Rio de Janeiro, nordeste e Curitiba, pois são lugares de mais tradição. Antigamente, o Rio dominava o Mundial de jiu-jitsu, mas hoje em dia São Paulo obteve quase todas as medalhas no Mundial, cerca 95%. Por que? Porque São Paulo tem investimento e organização. A tendência é que o mesmo aconteça no MMA. A cidade ainda não abraçou completamente o MMA, mas é uma questão de tempo. Quando tiver mais centros de treinamentos como em outras cidades, a cidade vai desenvolver mais atletas.

iG: Você já entrou no octógono com música do Lobão, Linkin Park e outras... Qual usará no combate contra Jon Fitch no sábado?
Demian Maia: Como o Linkin Park deu certo nas últimas duas lutas, vou continuar com ela (Numb). Além de Lobão e Linkin Park, entrei com uma música instrumental do filme Silêncio dos Inocentes. São músicas que eu gosto, com uma batida que me estimula.

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