Em entrevista ao iG, a sensação Ronda Rousay fez uma análise detalhada sobre o que espera da antiga rival brasileira em Londres

Invicta com oito vitórias, Ronda Rousey é a grande sensação do MMA feminino
ESPN/Divulgação
Invicta com oito vitórias, Ronda Rousey é a grande sensação do MMA feminino

Principal nome do MMA feminino nos dias de hoje, Ronda Rousey não larga suas raízes do judô. Antiga arquirrival de Mayra Aguiar nos tatames, a atual campeã do Strikeforce não esconde a admiração pela brasileira e aponta a gaúcha como favorita ao ouro em Londres-2012 .

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 O curioso é que a principal adversária de Mayra na disputa do ouro olímpico é a americana Kayla Harrison, grande amiga de Ronda Rousey. E em entrevista exclusiva ao iG , a maior sensação do MMA feminino fez uma análise completa do possível confronto das duas nas Olimpíadas .

Você acha que Mayra Aguiar vai ganhar ouro em Londres? Dê sua opinião

“Quando eu lutava com a Mayra, ela era muito nova. Sentia que ela tinha muito mais espaço para melhorar. A Kayla era mais desenvolvida, mas não tinha isso. Também era muito nova, mas a Mayra tinha mais talento. Eu esperava que a Mayra melhorasse muito e foi o que aconteceu. É a favorita”, opinou a ex-judoca.

A medalhista de bronze em Pequim-2008 também aproveitou a conversa para falar sobre sua paixão pelo Brasil e sobre a possibilidade de protagonizar o maior combate da história do MMA feminino contra Cris Cyborg, quando a suspensão por doping da curitibana for encerrada.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista:

iG: Você ainda acompanha o judô de perto?
Ronda Rousey: Eu sigo, mas não tanto quanto eu gostaria. Não gosto nenhum pouco das novas regras, de não poder segurar nas pernas do adversário. Fiquei um pouco decepcionada. O judô deveria ser a arte marcial mais próxima possível de uma luta real. Eles não deveriam banir golpes por estarem funcionando de maneira eficaz. Falar assim: “Não queremos usar mais o Morote-Gari (queda conhecida no MMA como Double-Leg) porque é parecido com o wrestling” não tem nada a ver. Eles deviam pensar que o pessoal do wrestling usa essas técnicas do judô justamente porque elas funcionam. O golpe de chamava Morote-Gari muito antes de se chamar Double-Leg. Que droga!

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iG: Mayra Aguiar e Kayla Harrison (EUA) são duas das principais favoritas ao ouro em Londres entre as atletas meio-pesadas. Se confirmarem o favoritismo, se enfrentarão na final. O que você acha deste confronto?
Ronda Rousey: Já enfrentei as duas algumas vezes. Quando eu lutava com a Mayra, ela era muito nova. Sentia que ela tinha muito mais espaço para melhorar. A Kayla era mais desenvolvida como lutadora, mas não tinha isso. Também era muito nova, mas a Mayra tinha mais talento. Eu esperava que a Mayra melhoraria muito e foi o que aconteceu. Por isso, é a favorita. Ela está maior e ganhou músculos desde quando lutávamos. O problema é que ela sempre foi muito dependente da sua pegada alta de esquerda para dominar as adversárias. Pelo o que tenho acompanhado da Kayla, ela tem se preparado muito para ganhar essa pegada. Está treinando para dominar a essa mão da Mayra. Se ela conseguir fazer isso, pode ganhar. Senão, a Mayra será campeã.

iG: Você ainda é próxima à Kayla? Conversa e a ajuda nos treinos?
Ronda Rousey: Sim, somos amigas. Conversamos menos do que gostaria, mas tento ajudá-la.

iG: Até hoje você é um dos poucos exemplos de judocas que realmente se deram bem e ganharam títulos no MMA. Podemos lembrar de nomes como Satoshi Ishii e Pawel Nastula, que fracassaram. Por que você acha que isso aconteceu?
Ronda Rousey: Os melhores judocas que vão para o MMA, e digo judocas mesmo, são os brasileiros, franceses ou cubanos. Mas o problema é que os japoneses que saem do judô são muito dependentes do judogui (quimono). Eles precisam sempre segurar no Gui para derrubar. E essas regras dos juízes para mudar os golpes está tirando a eficiência do judô. E isso só atrapalha o caminho dos judocas no MMA. Eles estão tentando fazer com que todos os judocas se tornem “japoneses”. Por que um bando de velhos de terno e gravata deveriam forçar a opinião deles sobre a maneira que eu luto? Isso é totalmente errado.

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Ronda Rousey exibe o cinturão após o oitavo triunfo na carreira
Getty Images
Ronda Rousey exibe o cinturão após o oitavo triunfo na carreira

iG: Passando sua luta contra Sarah Kauffman, você acha que finalmente poderá enfrentar a brasileira Cris Cyborg no Strikeforce?
Ronda Rousey: Somos de pesos diferentes, mas esta é uma luta que simplesmente tem que acontecer uma hora outra. Será importantíssima para alavancar o esporte. Vai ser a maior luta de todos os tempos entre mulheres no MMA.

iG: Você está disposta a esperar a brasileira, então? Acha que o combate já poderia acontecer no começo do ano que vem, por exemplo?
Ronda Rousey: Não depende de mim, mas não poderia perder essa oportunidade. É uma ótima chance para eu me testar ao máximo. Olhando até pelo lado dos negócios, esse combate tem potencial para incentivar o esporte entre as mulheres de uma forma como nunca vimos antes. Essa luta vai colocar o MMA feminino em um patamar totalmente novo.

iG: Uma vez você disse que se pudesse lutar em qualquer lugar do planeta escolheria o Rio de Janeiro. Por quê?
Ronda Rousey: Me dei muito bem lá nos Jogos Pan-Americanos e no Mundial. Me senti como no filme Rocky 4. Lembro que todos me vaiavam quando lutei com a Mayra, mas depois que ganhei, a torcida inteira ficou do meu lado na competição. Fiquei impressionada. Também gosto muito da cidade e da comida. Seria muito bom se eu voltasse a lutar por lá.

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