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Luís Álvaro e Teixeira temem menos poder a presidente em estatuto

O iG entrevistou o antigo e o atual presidente do Santos, que emitiram suas opiniões sobre a reforma estatutária do clube, que será votada no próximo mês

Samir Carvalho |

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O presidente do Santos, Lís Álvaro de Oliveira, diverge com ex-presidente Marcelo Teixeira, em diversos temas sobre a reforma estutária
O novo estatuto do Santos deverá ser votado na primeira semana de janeiro. O tema mais polêmico da reforma estatutária é a criação de um Conselho Administrativo que acaba com o regime presidencialista do clube e deixa as decisões a cargo de um colegiado. O grupo será formado por nove pessoas (sete membros do conselho, o presidente e o vice). O iG entrevistou o atual presidente do Santos, Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro, e o ex-presidente Marcelo Teixeira, que opinaram sobre a reforma estatutária do clube.

Apesar de divergirem em vários artigos do estatuto, Luís Álvaro e Teixeira demonstraram preocupação quando foram questionados sobre a descentralização do poder com a reforma estatutária. Embora se considere um parlamentarista, o atual presidente santista acredita que o clube corre o risco de tomar todas as decisões em plebiscitos.

“Eu acho que é (muita gente para tomar decisões). Temos que ser objetivo e moderno. Quando você coloca muita gente para discutir qualquer assunto, você tem o risco de um fenômeno sociológico chamado assembleísmo. Tudo vira assembléia.  

Você não pode governar o país em torno de plebiscitos, quer dizer se o governo deve aumentar o IOF ou não você faz um plebiscito e consulta a nação, isso não é saudável, você não administra o país assim. Eu acho que um número exagerado complica a alteração e eficácia. O Santos deve perseguir a eficiência não só dentro dos 90 minutos no campo para ser modelo administrativo. Acho que um número exagerado não convém”, afirmou Luís Álvaro.

O ex-presidente Marcelo Teixeira também demonstrou preocupação, e acredita que o Conselho Administrativo poderia apenas assessorar Luís Álvaro, como já vem acontecendo com o Grupo Guia (Gestão Unificada de Inteligência e Apoio ao Santos), que podem compor os possíveis “nove presidentes” do Santos, caso a proposta de alteração do estatuto do clube seja aprovada.

“Esse Conselho de Administração poderia até aconselhar o presidente e o vice, mas nunca decidir. A decisão tem que ser sempre daquele que responde pelos atos do clube. No modelo proposto não se reconhece a presidência ou diretoria executiva. A administração e gestão executiva, na nova proposta, são de responsabilidade do Conselho de Administração que é composto por nove membros sendo um Presidente, um vice-presidente e sete conselheiros sem designação, todos eleitos em Assembléia Geral”, disse Teixeira, que crítica o fato do presidente ficar sem poder no clube.

“Como expus, a proposta de estatuto encerra a diretoria e cria esse intitulado Conselho de Administração. Esse Conselho decidiria todas as principais questões do clube. Porém, a responsabilidade civil e legal é do Presidente deste conselho. Porém, seu voto é o mesmo de um dos outros oito membros do Conselho, que decidem sem qualquer responsabilidade. Ou seja, um presidente sem poder de decisão”, completou.

Embora concordem em alguns pontos sobre o novo estatuto, Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro e Marcelo Teixeira divergem bastante sobre a reforma estatutária. Confira a entrevista com os dois presidentes, que foram questionados sobre os mesmos assuntos que envolvem o novo estatuto.

iG: O Conselho Administrativo veta antigos presidentes com contas reprovadas.

Luís Álvaro: Me sinto comprometido de dizer sim ou não, pois sou presidente do clube e não sei o que deve acontecer com as minhas contas no futuro. Qualquer que fosse a minha decisão eu estaria legislando em causa própria, eu faço a questão de me manter isento nisso.

Marcelo Teixeira: Não acredito (estratégia para vetar seu retorno), até porque a decisão de rejeitar as contas de 2009 de minha administração ainda é passível de aprovação, o que acreditamos que acontecerá em breve.

iG: Criação das embaixadas de associados em diversos lugares do país.

Luís Álvaro: O modelo apresentado tem que ser aperfeiçoado. Temos muitas sugestões a esse tema. Eu acho que sub-sede, embaixada, como tem o Inter-RS fez, é uma ideia saudável, você abriga sócios em todo território, mas não sei na forma como foi apresentada.

Marcelo Teixeira: As embaixadas, pela proposta, têm que ser auto-sustentáveis, mediante parte ou totalidade da receita que gerar. O Santos FC não irá responder pelo passivo ou obrigação contraída por essas embaixadas perante terceiros, e terá um canal de comunicação para angariar receitas, vender produtos licenciados, realizar promoções e o processo eleitoral localmente. Acho no mínimo essas embaixadas inseguras.

iG: Preocupação sobre fraudes na eleição com urnas instaladas nas sub-sedes.

Luís Álvaro: O clube continua estabelecendo todas as regras, não sei se faz sentido ter uma urna em cada sub-sede, a fiscalização seria inviável, por outro lado o mundo caminha para modernidade. O inter tem 100 mil sócios no país e faz uma eleição pela internet. O Barcelona também pode fazer isso. A declaração do imposto de renda faz pela internet hoje.

Marcelo Teixeira: A questão das embaixadas serem locais de votação. Como será feita a fiscalização destas urnas? A proposta do estatuto não diz nada sobre isso. Pior, diz que o resultado da urna de uma embaixada por ser passado para a mesa receptora na Vila por telefone, o que não garante em nada a veracidade da informação.

iG: O fim do sistema presidencialista.

Luís Álvaro: Eu tenho um comitê de gestão a quem eu ouço toda semana, mas a decisão é minha, sou o presidente do clube. Eu ouço que as coisas que decidirmos seja mais consensual do que pessoal. Eu sou a favor da descentralização de poder. A concentração do poder a uma pessoa, é sujeita a falhas, acho que você dilui a possibilidade de erros quando você distribui em um fórum mais amplo.

Marcelo Teixeira: O modelo de administração a qual presidi nunca foi centralizador e autoritário. Sempre tive ao meu lado grandes santistas, com larga história dentro do clube. Em todas as decisões ouvia estes grandes santistas e optava por aquele que era, no meu entendimento, o melhor caminho. Escutava, me aconselhava, mas a responsabilidade final sempre foi minha, como presidente do clube, e nunca fugi dela. O presidente é o responsável até legalmente falando. Portanto, é mais uma falácia que inventam sobre minha administração.

iG: Fim dos empréstimos pessoais ao clube, como fez Marcelo Teixeira em sua gestão.

Luís Álvaro: Essa medida não tem nome próprio, é criada para evitar a promiscuidade do dinheiro público e privado. Essa mistura não é saudável. Já pensou se o presidente da republica colocasse dinheiro dele para pagar a divida externa. O Santos é grande para andar com as próprias pernas, sem precisar de recurso de ninguém.

Marcelo Teixeira: Qualquer empréstimo ou aval que eu, minha família e outros credores fizeram ao Santos está documentado na contabilidade do clube e contou com a participação e ciência da diretoria, da mesa do Conselho, da Comissão Fiscal, dos conselheiros, dentre eles muitos que são efetivos e faziam parte da oposição na época. Todos os recursos emprestados foram necessários para a manutenção dos grandes jogadores, que fazem sucesso neste ano, como Neymar e Paulo Henrique, entre outros.

iG: Extinção do departamento feminino e a criação do departamento de esportes olímpicos.

Luís Álvaro: Não faz sentido colocar no estatuto a qualidade do gramado. O clube é uma instituição tem que produzir resultados. Esse orçamento deve ser equilibrado, não pode criar despesas sem ter fonte de receita, se não o clube se endivida. Quando você cria modalidades obrigatórias você engessa o clube. O futebol feminino, como o de salão, interessa ao Santos, mas não podemos ter no estatuto uma obrigatoriedade de mantermos qualquer atividade esportiva a não ser o futebol profissional.

Marcelo Teixeira: É um retrocesso. Nós separamos o Futebol Feminino do Departamento de Esportes para profissionalizarmos a modalidade e darmos alcance de marketing e de resultados, o que se provou ser um grande sucesso. Retornar o Futebol Feminino ao Departamento de Esportes será um retrocesso na modalidade, que pode voltar a não ter atenção do clube. Em nome do Futebol Feminino e de nossas atletas, vou lutar no Conselho junto aos meus pares para que isso não ocorra e que o Futebol Feminino continue a ser um departamento independente no clube, com orçamento próprio.

iG: Nomeação de um superintendente. Mais uma pessoa para mandar?

Luís Álvaro: O presidente representa o clube, perante a justiça, dá a última palavra. É preciso que exista alguém que esteja vinculado com o processo administrativo, que é absolutamente absorvente. Se eu ficar por conta de resolver todos os problemas administrativos que aparecem no clube, eu não faria outra coisa e não teria tempo para dar uma entrevista ao iG.

Marcelo Teixeira: Não creio que seja isso (Mais uma pessoa para mandar). O Santos terá um superintendente geral remunerado, indicado pelo presidente e nomeado pelo Conselho de Administração. A ele caberia executar a administração profissional do clube, sendo que as gerencias executivas do clube se reportariam a ele. É um profissional que faria a máquina andar. Recentemente, mesmo em minha gestão, chegamos a funcionar desta maneira e deu resultados interessantes. O problema disso é saber escolher as pessoas para ocupar os cargos. Não podem ser apadrinhados ou amigos do presidente ou deste Conselho de Administração, mas sim profissionais com experiência de mercado.

iG: Mudança o primeiro uniforme do Santos da camisa listrada para a camisa branca.

Luís Álvaro: Eu acho que a camisa branca é linda. A listrada serve para atender emergências. Eu acho que o estatuto está nada mais fazendo o que está no imaginário do santista.

Marcelo Teixeira: Está se ferindo uma tradição, nunca foi um pedido meu a alteração dos uniformes. Tradicionalmente e pela vontade de nossos fundadores temos, estatutariamente, as definições dos uniformes. Não mudaria o que consta desde a nossa Fundação.

 

 

 

 

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