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06/10 - 07:29

Diário de Piloto: Campo Grande
A chateação deu lugar a um sorriso quando ocupei o degrau mais alto no segundo pódio. Não dá pra chamar de primeira vitória, é verdade. Mas já deu para sentir o gostinho

Adriano Griecco


Fernanda Freixosa/WE

Antes de chegar a Campo Grande, fiquei pensando sobre meu desempenho na prova carioca. E, meio sem entender o que havia acontecido, resolvi ir falar com o povo da JL, que prepara os carros da Stock Jr. Eles me garantiram que minha atuação "razoável" não era por conta de queda de rendimento no motor. Mas me abriram a possibilidade de trocar o meu, se isso me deixasse mais confiante.

O combinado é que eu faria o primeiro treino livre em Campo Grande com o motor utilizado no Rio, para "determinar" um tempo no circuito sul-mato-grossense. Fiz e terminei em quarto. Confesso que gostei do traçado, que mistura curvas de alta, média e baixa velocidade. Mas, apesar da boa posição, algo me incomodava: quando eu embutia na traseira do carro do Beto Cavaleiro, meu carro não tinha potência para passá-lo, mesmo no vácuo.

Com isso, resolvi levar o plano adiante e troquei o motor. E vocês vão achar que é brincadeira. Mas quando liguei o carro com o novo pela primeira vez, senti certa diferença no ronco. Mais alto, mais bravo. Psicológico? Pode ser. A verdade é que, no segundo treino, ainda na sexta, também fui quarto, mas consegui ser três décimos mais rápido que o Beto. O cenário havia melhorado. E eu estava mais confiante.

No sábado, a mesma ladainha. Quarto lugar no terceiro treino livre. Mas mais perto dos líderes. Animei-me para o classificatório. Saí, disposto a andar forte. E, na volta de aquecimento – antes de abrir as duas que valem o tempo –, quase saí da pista na curva que antecede a reta oposta. Com a temperatura mais alta e a sujeira deixada pelos carros das outras categorias (Pick-Up e a Copa Nextel) optei por uma tocada mais cautelosa. Funcionou. No final da classificação fiquei em terceiro, com a ajuda dos erros cometidos pelos meus rivais, que jogaram seus tempos para cima.

No domingo, cheguei ao autódromo, assisti a todas as categorias – que andaram em um traçado diferente por contas de problemas no asfalto - e me preparei para a corrida. Minha estratégia seria dar o máximo de voltas com o box aberto para acertar o tal grampo novo. No Stock Jr., que tem autonomia limitada, isso se traduziu em três voltas. Paciência.

Largamos. O carro do João Marcelo teve problemas e apagou, o que anulou a largada. Foi bom, porque eu - o rei das largadas meia-boca - já havia perdido uma posição. Na segunda, não vacilei e mantive meu posto, próximo aos líderes. No começo da corrida, me distanciei do restante do pelotão e encostei nos dois primeiros. Não demorou muito para eu passar o Pedro Boesel no final da reta oposta, por fora, e assumir a segunda posição até a entrada do safety-car. Aí, na relargada, peguei um pouco de sujeira, perdi tração e deixei o Fábio Fogaça, que estava em primeiro lugar, abrir um pouco. E o Boesel aproveitou a bagunça para me passar no final da reta.

A partir daí, comecei a perseguir o rapaz e tirar a diferença. Mas duas saídas de pista foram suficientes para me alertar que eu não deveria acabar com um bom final de semana com um acidente ou perdendo mais posições. Diminui o ritmo e terminei a corrida em terceiro lugar na classificação geral e em primeiro na categoria Master.

Confesso que subi ao primeiro pódio (como vocês sabem, a Jr. tem o pódio da geral e outro da Master, para pilotos acima dos 30 anos) frustrado. Eu poderia ter chegado em segundo. Mas a chateação deu lugar a um sorriso quando ocupei o degrau mais alto no segundo pódio. Não dá pra chamar de primeira vitória, é verdade. Mas já deu para sentir o gostinho.

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