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22/09 - 14:26

Diário de piloto: Rio de Janeiro
Terminei a corrida frustrado e com mais uma lição: ser mais agressivo e aproveitar as oportunidades quando elas aparecerem

Adriano Griecco


Fernanda Freixosa/Divulgação

É surpreendente a quantidade de coisas que estou aprendendo neste primeiro ano de Stock Jr. Sobre tudo: estratégia, cabeça, carro. E, na etapa do Rio de Janeiro, não poderia ser diferente.

Cheguei sexta-feira ao autódromo. No primeiro treino, nossa maior dificuldade – minha e dos demais pilotos – era lutar contra a falta de aderência do circuito. Além de areia, a grama recém cortada e o asfalto gasto, prejudicavam a tração dos Jr., fazendo o carro sair demais de traseira.

Fechei os dois primeiros treinos na quinta posição, mas longe do ponteiro. Sempre passo estes dois treinos andando sozinho, para me familiarizar com o circuito, e evito pegar o vácuo dos rivais (artifício que melhora muito o tempo de volta). Sobre o traçado, dois pontos bem chatinhos: o contorno da Curva da Vitória e o da que leva à reta oposta. O restante pareceu ser bem legal.

No sábado, consegui acertar praticamente todas as curvas e meus tempos tornaram-se constantes. Para melhorar, cheguei mais perto dos líderes, mas obtive apenas o sexto tempo no terceiro treino livre – o melhor entre os “estreantes” da categoria. Engraçado como pouco mexi no carro. Ao final dos treinos, eu só pedia para realinharem, por conta de alguns passeios pela grama.

Na tomada de tempo – lembram daquela história de ter que andar com a faca nos dentes? – saí rápido, acelerando, já na volta de aquecimento. Resultado: duas “quase escapadas”, suficientes para jogarem meu tempo para cima e me deixarem em sexto. A dois décimos do quinto colocado.

Na corrida, para variar, larguei por fora e perdi uma posição. Minhas largadas não têm sido motivo de orgulho – se é que vocês me entendem. Mas recuperei o posto duas voltas depois. Aí, meio longe dos líderes, me mantive à frente dos concorrentes, apenas esperando a entrada do safety-car. Na volta de reagrupamento, me lembrei das lições de Curitiba e Salvador: não andar na sujeira e bombar o freio para mantê-lo alto. No contorno da Curva da Vitória, a segunda marcha não entrou. Consegui fazer a curva em terceira e colei na traseira do quinto colocado, o João Marcelo, que é o líder do campeonato.

Para a minha surpresa, nas voltas seguintes, fiquei próximo ao João e, no final da reta oposta, tentei ultrapassá-lo. Quando viemos para dentro – eu tentando passar e ele defendendo a posição -, fiquei preocupado com a quantidade de sujeira da pista e resolvi não arriscar. E preferi esperar para tentar uma ultrapassagem mais ao final da prova. Falha grave. O motor perdeu rendimento e, nas quatro últimas voltas, o João começou a abrir de mim. Terminei a corrida frustrado, em sexto lugar na classificação geral e em quarto na categoria. E com mais uma lição: ser mais agressivo e aproveitar as oportunidades quando elas aparecerem.

Adriano Griecco é jornalista, escreve para a revista "Car & Driver" e já fez as vezes de mecânico na extinta Spyker e na Force India na F1. Neste ano, Griecco vai competir na Stock Jr. e vai compartilhar a experiência aqui no Grande Prêmio, sempre após as etapas da categoria.

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