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17/11 - 12:35

Em longa entrevista, Senna diz que vai saber lidar com pressão na F1

Falando à agência de notícias "Reuters", Bruno Senna declarou que confia em si para não se abalar com a pressão que receberá na F1 em 2010


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À medida que 2010 se aproxima, cresce a expectativa sobre a primeira temporada de Bruno Senna na F1. Acostumado, o piloto da Campos afirmou à agência de notícias "Reuters" que a pressão que sofrerá no ano que vem até será maior, mas a confiança em si será suficiente para não se deixar abalar.

"Sempre tive o peso da expectativa, a exigência e a pressão sobre mim. Desde a minha primeira corrida, sempre tive ao redor equipes de TV, pessoas dando suas opiniões sobre minha pilotagem quando eu não tinha qualquer experiência e me comparando ao Ayrton, tricampeão do mundo, quando eu estava no meu primeiro ano na F3", disse. "Sempre foi assim. Não é necessariamente justo, mas é assim que o mundo é", emendou o piloto.

Bruno explica que, embora as exigências tendam a aumentar na elite do automobilismo, está tranquilo quanto às questões extra-pista. "Eu sei que [a pressão] se tornará muito mais forte na F1, porque estarei muito mais exposto às opiniões de todos. Tenho que acreditar em mim mesmo e definir metas viáveis e razoáveis. Tive de aprender a fazer isso e agora estou bastante confiante de que posso fazê-lo."

Manuel Lorenzo/AFP
Estreante em 2010, Senna sabe que será pressionado

O piloto de 25 anos destacou suas metas para o ano que vem — e uma delas é chegar pelo menos uma vez na zona de pontuação. "Este é o começo de um sonho se tornando realidade. Acho que vai ser muito difícil, preciso me esforçar muito para fazer acontecer. Se pudesse, gostaria de ganhar corridas, mas o primeiro objetivo que temos de ter é ir lá e ser a melhor das novas equipes em todas as provas. E marcar pontos, também. Queremos marcar pontos. E acho será possível."

"Estou muito animado com isso, muito animado. A cada dia, a constatação de que eu realmente assinei um contrato com uma equipe de F1 começa a se aprofundar cada vez mais", continuou.

Senna afirmou que pôde perceber, ao longo da carreira, sua evolução como piloto. "Toda vez que eu corro fica melhor, porque quando você começa e não tem experiência, você está sempre desconfiado de sair da pista, porque está pensando nisso ou naquilo", disse. "Quanto mais automático, mais agradável. E quanto mais rápido o carro, mais prazer também. Quando você faz a Eau Rouge com o pé embaixo a 300 km/h, você realmente sente — 'É isso que eu realmente quero fazer'."

Forix
Antes de estrear na F-BMW, em 2004, Bruno teve de driblar os temores da família

Bruno ressaltou o temor que sua mãe, Viviane, nutriu no seu retorno ao esporte a motor, dez anos depois de largar o kart. A morte do irmão Ayrton ainda falava alto. "Eu acho que ela sofreu um pouco, especialmente no início, quando ela não sabia exatamente como estavam as coisas. Para ela, foi muito difícil me ver correr riscos como piloto", afirmou. "Mas, ao mesmo tempo, ainda que provavelmente não da maneira ideal, alguns grandes acidentes na F3 a ajudaram a ver que o esporte tem evoluído muito e, mesmo sendo ainda um esporte de risco, ela pode estar confiante de que as chances de algo ruim acontecer para mim são muito mais baixos", acrescentou o brasileiro.

Por fim, Senna contou um pouco das dificuldades que enfrentou para voltar a ter contato com carros de corrida. "Foi um momento triste, porque eu estava perdendo alguém da minha família e a referência em minha carreira, mas, em relação ao meu amor por carros, não mudou nada. Se eu pudesse continuar, provavelmente continuaria. Especialmente no início, houve muita resistência da minha família. Minha mãe não acreditou que era sério, meu avô foi completamente contra. Então foi um começo difícil."

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