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Passagem da Toyota pela F1 foi de decepções e quase nenhum brilho
Anúncio da saída da F1 encerra período de muitas frustrações e poucos bons momentos da Toyota no esporte
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FRANCISCO LUZ [@franciscoluz]
de Novo Hamburgo
A confirmação da Toyota de que vai deixar a F1 após o final do Mundial de 2009, feita nesta quarta-feira (4) no Japão, pegou muita gente de surpresa pelo inesperado depois dos indícios que a equipe dava de que disputaria o campeonato do próximo ano. Porém, as cogitações envolvendo a saída do time sempre existiram — e com razão: afinal, em oito anos, os japoneses pouco fizeram na F1, e a passagem da escuderia foi marcada por inúmeras decepções.
Os números dão um panorama geral do quão fraca foi a história da Toyota na principal categoria do automobilismo mundial, algo inesperado para quem tinha tanta capacidade de investimento como a empresa japonesa, líder do setor automobilístico nesta década: em 139 GPs, foram três pole-positions e três voltas mais rápidas, com 278,5 pontos e apenas 13 pódios. Mas o número que mais salta aos olhos é o de voltas lideradas: somente 66 — média de 8,25 por ano.
| Mark Thompson/Getty Images |
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| Salo e McNish apresentam carro de 2002: estreia discreta |
A passagem do time nipônico, que era baseado na Alemanha, teve início em 2002: com Mika Salo e Allan McNish como pilotos, a Toyota conseguiu somar dois pontos, com dois sextos lugares — um na Austrália, na sua prova de estreia, e outro em Interlagos, ambos com o finlandês. A melhor posição de largada do time foi em Silverstone, também com Salo.
2003 não viu muitas diferenças, além da evolução esperada de uma equipe no seu segundo ano de vida e da troca de pilotos por Olivier Panis e o brasileiro Cristiano da Matta. Os nipônicos aproveitaram a nova regra de pontuação e conseguiram 16 pontos, mas sempre entre o oitavo e o quinto lugares — o melhor desempenho do time até então, com uma posição em Hockenheim pelo francês. No GP do Japão, Panis e Da Matta conseguiram compor a segunda fila do grid de largada, com o brasileiro em terceiro, mas seu resultado final foi apenas o sétimo lugar.
Após terminar o ano em alta, o time regrediu em 2004 — dando início a uma sequência irregular de resultados nos campeonatos. Apenas nove pontos foram somados ao longo do Mundial, e a direção do time decidiu trocar Da Matta por Ricardo Zonta, então piloto de testes, ao longo da disputa, no GP da Hungria. A Toyota sofreu com várias quebras e marcou pontos em apenas quatro corridas, com um quinto lugar de Panis nos EUA como seu melhor resultado.
E, se 2004 foi ruim, 2005 foi o grande ano dos nipônicos na sua passagem pela F1 — apesar de marcado também por várias frustrações. O time conseguiu o quarto lugar no Mundial de Construtores e somou 88 pontos, conquistando pela primeira vez destaque com resultados importantes, como os primeiros pódios, volta mais rápida, poles e lugares na primeira fila do grid. Ralf Schumacher e Jarno Trulli representaram o time, ambos ainda vivendo bons momentos nas suas carreiras.
| Mark Thompson/Getty Images |
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| Trulli sobe ao pódio com Alonso e Raikkonen: primeiros destaques |
E isso foi comprovado por Trulli — que havia chegado nas duas últimas provas de 2004 — ao conseguiu o segundo lugar no grid de largada para o GP da Austrália, prova que abriu a temporada. Na corrida, o italiano foi o nono colocado, enquanto Ralf não passou do 12º lugar. Depois, em Sepang, o mesmo Jarno repetiu a posição do grid e conseguiu terminar a prova em segundo, levando as cores da equipe pela primeira vez ao pódio. Na mesma corrida, Schumacher largou e terminou em quinto, no melhor desempenho do time até então.
Trulli seguiu em um ótimo momento no Bahrein, na terceira etapa, ao largar em terceiro e chegar novamente em segundo, enquanto Schumacher foi o quarto colocado, melhorando a posição do time nas tabelas de pilotos e construtores — Trulli era segundo colocado, atrás apenas do campeão Fernando Alonso, e a Toyota estava também em segundo, atrás da Renault.
Na Espanha, outro pódio com Trulli, terceiro, e Ralf na quarta colocação, até que veio o grande momento da escuderia — e a grande decepção: o italiano conquistou a pole-position para o GP dos EUA, em Indianápolis, mas não pode largar. Tudo por conta dos problemas enfrentados pelos pneus Michelin, que não suportavam as altas velocidades atingidas na curva inclinada do circuito. Schumacher sofreu um forte acidente, e todos os carros que usavam os pneus da marca francesa não largaram, deixando o grid com apenas seis carros.
Trulli, entretanto, não deixou a peteca cair e andou bem em Magny-Cours, conseguido o segundo lugar no grid e o quinto na corrida. Depois, até o final do ano, mais dois pódios — desta vez com Ralf, em Hungaroring e na China, e mais uma pole, também com o alemão, no GP do Japão, em que completou apenas na oitava colocação.
Tudo parecia encaminhado para um grande 2006 da escuderia japonesa, mas não foi o que aconteceu. O time marcou apenas 36 pontos, novamente com Trulli e Ralf, e terminou o Mundial no sexto lugar. E, tirando o terceiro lugar de Schumacher em Melbourne, a equipe acabou eclipsada pela sua rival Honda, que venceu o GP da Hungria e terminou o campeonato à frente.
| Mark Thompson/Getty Images |
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| Trulli conseguiu bons resultados, mas também viveu decepções |
Teoricamente, 2007 seria o ano da retomada do time, mas a Toyota quebrou a escrita da sua própria história — e com um péssimo desempenho. Apenas 13 pontos foram marcados, e Ralf perdeu espaço na equipe ao final da temporada, não tendo seu contrato renovado.
2008 viu uma retomada de performance. Agora contando com Timo Glock ao lado de Trulli, a equipe fez 56 pontos e completou o ano em quinto, conseguindo dois pódios — na França, com Trulli em terceiro, e na Hungria, com Glock em segundo — e o segundo lugar no grid no GP do Brasil com o italiano, que completou a prova em oitavo.
A performance foi parecida em termos de rendimento final neste ano, apesar de o time ter brilhado muito mais. Com 59,5 pontos, os japoneses marcaram uma pole-position, duas voltas mais rápidas e chegaram cinco vezes ao pódio, além de largar outras quatro vezes da primeira fila. Jarno foi o segundo no grid no GP da Malásia, em que chegou em quarto, e ele e Glock conseguiram compor a primeira fila para o GP do Bahrein. Entretanto, apenas o italiano chegou ao pódio, em terceiro.
| Mark Thompson/Getty Images |
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| Último pódio da Toyota aconteceu em Suzuka nesta temporada |
Depois, o próprio Trulli largou mais duas vezes da frente, na Bélgica e em Suzuka, em ambos os casos da segunda colocação, terminando em segundo a prova local da Toyota. Além destes pódios, Trulli também foi o terceiro na Austrália, na prova que abriu o campeonato, enquanto Glock foi o terceiro em Sepang e segundo em Cingapura. Ao final do campeonato, o time japonês ficou com a quinta colocação no campeonato de equipes.
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