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07/10 - 16:52

Coluna Apex: Custo benefício

Nem mesmo o traçado de Suzuka conseguiu produzir alguma emoção nesse morno GP do Japão. Essa constatação é o ponto de partida para refletir sobre as constantes mudanças de regulamento


Andre Jung


Marta Oliveira

Nem mesmo o traçado de Suzuka conseguiu produzir alguma emoção nesse morno GP do Japão. Apenas uma ultrapassagem, de Button sobre Kubica, me veio à memória depois de hora e meia de prova.

 
Essa constatação é o ponto de partida para refletir sobre as constantes mudanças de regulamento.

 
Ainda no início do ano, foi possível notar que os carros andavam  próximos e tentavam  manobras que não se viam em 2008. Apenas os carros da Brawn tinham uma performance distinta, logo identificada como advinda do polêmico difusor de dois andares.

 
Embora Williams e Toyota também utilizassem o recurso, como seus desempenhos não estavam dominantes, foi a petulante surpresa da equipe estreante que desatou a grita geral.

 
Reclamações vieram de todas as outras. A fortuna que precisaria ser gasta para que os demais times desenvolvessem seus carros para usar o “difusor sobradinho” estava contra o espírito das regras impostas pela crise global; mais, o difusor simples estava em acordo com a lógica das mudanças propostas, criadas para permitir ultrapassagens.

 
Num juízo que pareceu bastante político (Mosley × Dennis/Briatore/Montezemolo), o difusor duplo foi liberado, então, mesmo com carros conceitualmente muito diferentes, as ultrapassagens voltaram ao patamar dos anos recentes, jogando fora todo o trabalho feito para que elas voltassem a acontecer.

 
À luz dos objetivos do pacote de mudanças, essa decisão foi um retrocesso. A FIA  parece exigente quando cobra medidas de economia por parte das equipes, chegando a propor teto para os gastos, mas impõe mudanças incoerentes, em sequência, que as obrigam a gastar fortunas para poderem se enquadrar.

 
O KERS é maior exemplo. Não me lembro de algo tão caro ter sido implantado e descartado em tão pouco tempo. Todo o investimento em pesquisa para encontrar uma solução aerodinâmica para diminuir a turbulência foi “engolido” pelo novo difusor, e a FIA assinou embaixo.

 
Ano que vem, uma nova geração de carros vai ter de ser construída. A atual, tão diferente, durou apenas uma temporada.
 

Sem poder reabastecer os carros terão tanques muito maiores. Vão largar com mais de 200 kg de combustível, o que irá causar enorme variação de peso durante as corridas. Uma infinidade de novos dispositivos será adicionada para fazer o piloto adequar os ajustes  aos diferentes pesos que os carros terão no início, meio e fim das corridas.
 

Todos vão começar com os pneus duros; as paradas, apenas para troca de pneus, serão mais rápidas. A pole-position será disputada com o mínimo de gasolina no tanque, mas a largada vai ser dada com peso total. Isso deve provocar diferença de rendimento entre o que um mesmo carro será capaz de fazer nessas duas condições; carros bons leves podem andar muito mal quando pesados, o consumo voltará a ser bastante relevante, quem precisar menos vai largar mais leve. Um novo universo de variáveis, portanto, mas o custo será muito alto.
 

Apesar da continuidade no que tange a aerodinâmica, novos freios, novas suspensões e chassis terão de ser pesquisados, projetados e construídos. Vem aí uma nova geração de carros. Será que vai durar mais de uma temporada?
 

Está chegando a eleição da FIA. Entre Vatanen e Todt não torço por ninguém, mas espero menos personalidade e mais racionalidade do escolhido.
 

Voltando a Suzuka, é preciso dizer que a pista, maravilhosa em seu traçado, está com um padrão de segurança totalmente em desacordo com a performance de um F1.
 

Muito utilizada em corridas de motociclismo, onde as velocidades em curva são bem menores, as pequenas áreas de escape, em sua maioria, são de grama, gentis com os macacões dos pilotos de moto mas que não reduzem a velocidade dos carros quando preciso.
 

Numa pista com várias sequências de curvas rápidas, ao perder o carro, o piloto não tem como  recuperá-lo quando se depara com uma nova curva 50 metros adiante. O resultado dessa combinação sai caro — que o diga a Toro Rosso.
 

Ao final da corrida, o pódio trazia a mesma ordem que vimos na largada, Raikkonen melhorou uma posição, Rosberg duas, Heidfeld perdeu duas, Barrichello perdeu uma e Button ganhou duas.
 

Foi pouca movimentação, no entanto, entre os que estão na disputa, foram Button, que passou por Kubica e teve a sorte de ver Sutil e Kovalainen se enroscarem a sua frente, e Vettel os que tiveram o que comemorar.
 

Enquanto isso...

 
...os Piquet pagam suas penitências em busca de perdão...
 

...Fisichella continua apanhando dos botões da Ferrari...
 

...na luta com a McLaren pelo terceiro lugar no campeonato de Construtores, a volta de Felipe Massa traz a sensação de última cartada.

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