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21/07 - 08:25

Vatanen diz não ser marionete da Fota e afirma: Todt é manutenção da FIA
Candidato à presidência da FIA, campeão mundial de rali disse que a federação não é um reino para que o poder passe somente àqueles escolhidos pelo atual mandatário Max Mosley

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Mark Thompson/Getty Images
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A disputa entre Ari Vatanen e Jean Todt pela presidência da FIA na eleição para suceder Max Mosley, que acontece em outubro, promete ser intensa. O finlandês falou nesta segunda-feira (20) ao site italiano "422race.com" a respeito da sua candidatura, e demonstrou a intenção de mudar a situação atual que vive a federação. O ex-piloto de rali, campeão mundial e do Paris-Dacar, disse que a FIA precisa de mudanças e garantiu que não será uma "marionete" da Fota, além de reclamar do apoio oficial que Todt vem recebendo de Mosley.

Vatanen explicou o que o motivou a ser candidato depois de dez anos como parlamentar no Congresso da União Europeia. "Para mim, isso tudo é como se fosse um novo estágio especial de um rali. Decidi tomar este caminho porque ele parece natural: o homem pode controlar sua vida, moldar o seu destino, e quando há uma abertura, há o dever de ajudar a mudar algo, e não somente para satisfação pessoal. Sabemos que a FIA precisa de uma grande reforma, e a grande maioria das pessoas que lida com a entidade não está feliz com a maneira com que as coisas têm sido feitas", explicou.

"Eu sempre fui uma pessoa muito idealista; sempre acreditei na justiça, e por isso entrei na política. Vi muita miséria, pobreza e injustiça durante a minha vida e acho que todos nós precisamos contribuir quando vimos algo assim. Vi que há essa chance de conduzir pessoas inteligentes para formarmos uma FIA melhor. Não critico Max pessoalmente, mas olho para o futuro. E preciso ser objetivo com relação ao que acontece com a federação, pois ela não está em boa saúde", continuou o nórdico.

O ex-piloto falou também sobre alguns detalhes do seu programa de governo. "Ainda estamos trabalhando na parte de mobilidade e no aspecto esportivo. Mas, antes disso, o princípio de tudo é que as regras do direito e de um governo transparente e democrático sejam aplicadas à FIA, como acontece em qualquer lugar. Não precisamos de membros honorários para cuidar das vice-presidências e chefias de comissões, nem de pessoas que só estejam por lá por serem amigas de alguém, mas, sim, de gente competente. Se você ver que fez algo errado, precisa mudar, e isso exige novas pessoas."

"Como eu já disse outras vezes", prosseguiu, "se a minha equipe e eu chegarmos à presidência, a primeira coisa que faríamos seria mudar o processo eleitoral para que as pessoas possam se livrar de mim. Eu não quero ficar no cargo só por ser quem eu sou ou porque sou protegido pelas regras, mas somente enquanto as pessoas confiarem em mim e acreditarem no que eu faço."

Mark Thompson/Getty Images
Vatanen fala com Webber após GP da Alemanha: independência será mantida

Mesmo demonstrando a intenção de mudar o panorama atual da FIA, Vatanen repetiu o comportamento de Mosley ao falar sobre a Fota. O candidato disse que a federação precisa ser completamente independente ao discutir com as equipes que disputam o Mundial de F1. "Definitivamente, eu não serei uma marionete da Fota. Não sou seu representante, mas entendo a sua vida econômica. A Ferrari, por exemplo, construiu um valor de marca imenso, sem paralelo no mundo automotivo, e isso deveria servir de exemplo para todos. Mas, de repente, eles querem reduzir metade da sua força de trabalho sem nenhum tipo de negociação. Se isso reduzir os custos, ok, vamos em frente, mas vamos tentar encontrar uma maneira sensível de fazer as coisas", destacou.

"No outro lado está a Toyota. Eles não estão no esporte por diversão, mas porque o investimento faz sentido na manutenção da empresa. Se eles acharem que estão desperdiçando dinheiro à toa, vão encontrar outra maneira de gastar. Por isso, a FIA precisa se manter absolutamente independente nesta questão. Podemos até discutir regulamentos de segurança, testes e tudo mais, mas mantendo a independência. No lado comercial, precisamos tornar o esporte atraente a todos, pois senão eles vão deixar a F1. Seria um desastre se a ruptura tivesse acontecido, mas não seria da vontade de ninguém. Me pareceu um gesto desesperado da parte da Fota", opinou.

Vatanen também falou sobre a candidatura de Todt, seu ex-chefe de equipe na disputa do Rali Paris-Dacar. "Mesmo que ele seja um bom amigo, preciso dizer que a FIA não é um reino, onde um rei entrega o poder a quem quiser. É muito errado que Jean seja apresentado como o 'filho do rei'. E ele está fazendo sua campanha totalmente bancado pela FIA, indo como representante da federação ao lado da sua namorada em um jato privado para várias partes do mundo. Isso me parece a intenção de querer nomear um descendente, e acredito que a maioria das pessoas não ache certa essa situação. A FIA é uma república."

"Lamento dizer isto, mas — para mim e para outros observadores bem informados — Jean significa a manutenção da FIA atual, com tudo se mantendo mais ou menos igual. Não haveria mudanças, e isso seria uma grande injustiça com a grande maioria das pessoas, que quer renovar e sentir orgulho da federação. Quem pode ter orgulho da FIA hoje? Além daqueles que se beneficiam dela, pouca gente", disparou o político.

Vatanen, por fim, falou sobre Bernie Ecclestone e a sua relação com o presidente da FOM. "Nós não conhecemos muito bem, mesmo tendo nos encontrado várias vezes ao longo dos anos. Temos uma relação muito correta, cordial, mais positiva do que negativa. Ele fez coisas incríveis, comparando a F1 hoje com o que era há 30 anos. Mas não quero prever nada: todos temos o nosso tempo de fazer as coisas, e ele pode ser curto, longo, ou menor do que pensamos, e isso me torna um homem livre, pois sei quão limitada é a nossa vida. Acho que o papel de Bernie segue em evolução, mas a CVC (dona dos direitos comerciais da F1 ao lado do inglês) terá um papel cada vez mais dominante."

O finlandês concluiu destacando a possível candidatura de Michel Boeri, presidente do Automóvel Clube de Mônaco e do Senado da FIA, dizendo que ele também representa a oposição a Mosley. "Michel também é uma possibilidade, e do mesmo lado que nós, pois ambos queremos uma nova FIA. Somos definitivamente contra a conservação da federação como é atualmente, que é representada por Jean. Somos as pessoas para mudar isso", finalizou.

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