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04/07 - 09:19

Ecclestone elogia Hitler e diz que ditador "fazia as coisas acontecerem"
Presidente da FOM elogiou Adolf Hitler, declarou que ditador nazista pode ter sido persuadido a tomar decisões controversas e disse que prefere regimes totalitários às democracias

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Paul Gilham/Getty Images
Dirigente elogiou Hitler por conseguir fazer o que queria

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A ditadura de Adolf Hitler na Alemanha, que perdurou entre 1933 e 1945 e provocou a Segunda Guerra Mundial — além do Holocausto, com a morte de cerca de seis milhões de judeus —, foi um dos capítulos mais sangretos da história da humanidade. Ainda assim, há quem faça elogios ao líder nazista, como Bernie Ecclestone: entrevistado pelo jornal "The Times" deste sábado (4), o presidente da Formula One Management disse que o austríaco conseguia "fazer as coisas acontecerem" e disse preferir regimes totalitários às democracias.

"É terrível dizer isso, mas tirando o fato de que Hitler fez coisas — que eu não tenho ideia se eram da sua vontade ou não —, ele conseguia comandar muita gente, fazendo tudo acontecer", disse o dirigente. "No final, ele se perdeu, então não era um ditador tão bom assim. Afinal, ou ele sabia de tudo que estava acontecendo e insistiu com isso, ou então permitiu que tudo fosse feito daquela maneira... de qualquer jeito, não agiu como um ditador."

Ecclestone foi mais além, ao criticar as democracias modernas. "Elas não fizeram bem para muitos países, incluíndo este aqui", ao falar do Reino Unido. O inglês também mostrou seu apreço por governos baseados na força. "Políticos ficam muito preocupados com eleições. Nós fizemos algo terrível quando apoiamos a ideia de tirar Saddam Hussein (do Iraque). Ele era a única pessoa que podia controlar aquele país. E foi a mesma coisa com Taliban (no Afeganistão). Nós entramos em países e nem conhecemos sua cultura, como os norte-americanos, que devem ter imaginado que a Bósnia seria como uma vila em Miami. Há gente passando fome na África e nós não fazemos nada, mas nos envolvemos em coisas que deveríamos deixar para lá", declarou.

Getty Images
Ditador nazista foi responsável pelo Holocausto e pela Segunda Guerra Mundial: mais de 40 milhões morreram

Bernie também falou sobre Max Mosley. O dirigente garantiu que o presidente da FIA — filho de Oswald Mosley, líder da União Fascista Britânica e seu aliado de longa data — daria um bom primeiro-ministro, mesmo com as acusações dos times da F1 de que age atualmente como um ditador no comando da federação. "Eu gosto de líderes fortes. Margaret Thatcher tomava decisões e conseguia fazer seu trabalho, e foi ela que construiu este país", disse, referindo-se à "Dama de Ferro", que governou a Inglaterra entre 1979 e 1990.

"E nós deixamos isso cair. Todos estes caras, como Gordon (Brown) e Tony (Blair), estão tentando agradar a todos", continuou, falando sobre os dois últimos primeiros-ministros britânicos. "Max faria um grande trabalho. Ele é um líder, e não acho que o seu passado fosse um problema." Mosley, no ano passado, foi capa de todos os jornais ao ser pego em uma orgia com cinco prostitutas em uma temática sadomasoquista.

Os comentários de Ecclestone, como era de se esperar, causaram consternação na Inglaterra. O Conselho dos Judeus Britânicos emitiu um comunicado lamentando as declarações, lembrando também que o inglês falou recentemente que gostaria de ver uma piloto "negra e judia vencendo GPs". "Os comentários de Ecclestone sobre Hitler, mulheres, negros, judeus e ditaduras são um tanto quanto bizarros. Ele sempre diz, em suas entrevistas, que não gosta de política, e tendemos a concordar."

O representante do Partido Trabalhista e secretário do inquérito sobre anti-semitismo, Denis MacShane, também falou sobre o episódio. "É claro que as democracias e os políticos não são perfeitos, mas esta vontade de tirar o direito das pessoas de escolherem seus líderes é assustadora.  Se Ecclestone pensa mesmo que Hitler teve de ser convencido a matar seis milhões de judeus, invadir outros países da Europa e bombardear Londres, então ele não sabe nada de história", afirmou.

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