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02/04 - 12:03

Em dois anos de carreira, Hamilton é ímã de polêmicas e confusões
Mesmo campeão, inglês foi personagem de oito incidentes desde a estreia na categoria, em 2007

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MARCUS LELLIS
de Santos


O imbróglio que envolveu Lewis Hamilton e Jarno Trulli no GP da Austrália não é novidade na curta carreira do inglês na F1. Como se tivesse um ímã para atrair problemas e confusões, o piloto da McLaren, em pouco mais de dois anos, já tem um currículo “invejável”: campeão mais jovem da categoria, colecionou punições, decisões polêmicas de comissários, desclassificação e afins. Foram oito no total.

A primeira grande confusão envolvendo o atual campeão mundial ocorreu no GP da Hungria de 2007. As relações entre o britânico e Fernando Alonso, seu companheiro na época, já não eram das melhores. E tudo se complicou no treino classificatório daquela etapa. Para evitar que Hamilton fizesse sua segunda volta rápida no Q3, o espanhol ficou dez segundos parado no pit, com seu parceiro estacionado atrás. Assim, Lewis perdeu a chance de disputar a pole.

Getty Images
Alonso para na frente de Hamilton durante treino classificatório do GP da Hungria de 2007

A atitude causou um escarcéu dentro e fora da garagem da McLaren. O resultado foi péssimo tanto para equipe, como para Alonso: o asturiano perdeu a primeira posição e caiu para o sexto lugar do grid, e o time de Ron Dennis não recebeu os pontos obtidos na prova para o Mundial de Construtores. Já Hamilton se deu bem: ganhou a pole de bandeja, venceu a corrida e ficou com os pontos conquistados.

Apesar de o piloto de 24 anos não ter tido papel principal no caso, foi na temporada de estreia dele que a McLaren foi bombardeada pelo caso de espionagem de segredos da rival Ferrari, o que rendeu à equipe inglesa a perda de todos os pontos e o último lugar no campeonato de Construtores.

Ainda em 2007, Lewis se envolveu em outro incidente que fez muitos acharem que ele era o “protegido” das autoridades da F1. Foi no GP do Japão, marcado por um grande temporal. Durante uma entrada do safety-car, Sebastian Vettel, então na Toro Rosso, bateu em Mark Webber. O alemão afirmou que só cometeu o erro porque Hamilton, que liderava a fila, estava devagar demais e quase parou.

Assim como aconteceu agora em 2009, um vídeo captado por um torcedor nas arquibancadas do circuito de Fuji captou o momento em que o britânico reduziu muito a velocidade, causando o acidente de Vettel e Webber. As imagens provocaram a reabertura do caso, já que o representante da Toro Rosso tinha sido punido com a perda de dez posições no grid da prova seguinte. Após muita discussão, Sebastian teve a sanção revogada. E Lewis manteve a vitória no Japão.

Hamilton saiu ileso de todos os imbróglios de 2007, ficando com a fama de protegido. Mas isso acabou na temporada seguinte. O piloto se envolveu em uma polêmica logo na segunda etapa do ano. Ele foi acusado de ter atrapalhado a volta lançada de Nick Heidfeld no Q3 do treinos classificatório do GP da Malásia. Dessa vez, não escapou: perdeu cinco postos no grid de largada da corrida em Sepang.

Andre Pichete/EFE
Hamilton não vê o sinal vermelho, bate em Raikkonen, abandona no Canadá e é punido na França

A confusão seguinte aconteceu no Canadá. E foi uma senhora pixotada. Muitos pilotos aproveitaram uma entrada do safety-car para irem aos boxes. Lewis foi um deles. Ao sair, não viu a luz vermelha, que determinava o fechamento dos pits por alguns instantes. Kimi Raikkonen, que estava à frente, tinha visto e parou. Hamilton acertou em cheio a traseira do finlandês, tirando os dois e mais Nico Rosberg, que vinha logo atrás e não conseguiu fugir, da prova. Pelo erro, o representante da McLaren perdeu dez posições no grid da etapa seguinte, na França.

A maior de todas as polêmicas (pelo menos, para os brasileiros) com o campeão mundial como personagem teve como palco o circuito de Spa-Francorchamps. Ele disputava a liderança do GP da Bélgica com Kimi Raikkonen. Na antepenúltima volta, a briga pela posição ficou ferrenha. O nórdico fechou a porta na Bus Stop para o rival, que, para não causar um acidente, teve de cortar a chicane, ultrapassando o piloto da Ferrari. Para não ferir as regras, Hamilton devolveu o primeiro posto, mas, na curva seguinte, retomou a ponta e venceu.

Ryan Pierse/Getty Images
Na Bélgica, Hamilton cortou a chicane, deixou Kimi passar, retomou a ponta, venceu, mas não levou

Só que os comissários da corrida não acharam que Lewis agiu de acordo com o regulamento e puniu o inglês com o acréscimo de 25 segundos em seu tempo final, o que deu a vitória para Felipe Massa, principal rival na luta pelo título. A McLaren recorreu da decisão, sem sucesso.

E aquele não foi o último incidente de Hamilton em 2008. Ainda houve mais dois, no Japão. Preocupado com a aproximação de Massa na tabela de pontos, fez uma largada nervosa em Fuji, perdendo a liderança para Raikkonen. Na tentativa de recuperá-la, escapou para fora da pista junto com o finlandês.

Depois, duelava com Felipe pela quinta posição, briga importante que poderia valer o campeonato. Com ânimos acirrados pelo ocorrido na Bélgica, ninguém queria dar espaço para ninguém. No fim, ambos se tocaram. O brasileiro continuou sua trajetória, mas Lewis rodou e ficou virado para o lado oposto da pista, caindo para o último lugar.

Após a análise dos comissários, Hamilton, pelo começo ensandecido, e Massa, pelo toque no adversário, foram punidos com um drive-through.

Mesmo com todos esses problemas, o inglês, na decisão histórica em Interlagos, conquistou o título da temporada 2008.

Aí veio 2009, a McLaren projetou um carro aquém das expectativas de todos, e Hamilton partiu para a primeira prova do ano, na Austrália. Mal começou e já arranjou sarna para se coçar. Em uma corrida de superação, conseguiu o terceiro lugar, um pouco por sua atuação, a outra parte pela desclassificação de Jarno Trulli, acusado de ter ultrapassado o britânico em bandeira amarela.

Mas um vídeo de um torcedor que estava em Albert Park revelou que o italiano escapou da pista, e foi Lewis quem fez a ultrapassagem proibida, deixando o representante da Toyota passar logo depois. À torre de controle, Hamilton e McLaren disseram que não permitiram a Trulli que recuperasse o posto de forma deliberada.

Com novas provas, o representante do time prateado foi excluído, e Jarno recuperou os pontos perdidos. Alguns podem até dizer que Hamilton já não é tão protegido como era em tempos passados.

Relatadas todas essas confusões, e baseando-se nelas, resta perguntar: qual será a próxima polêmica de Lewis Hamilton? Porque seu ímã é poderoso.

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