26/03 - 10:17
Entenda como funciona o polêmico difusor da Brawn, Williams e Toyota
Equipamento é contestado por adversários por dimensões consideradas fora dos padrões
Warm Up
| Oliver Multhaup/AP |
![]() |
| Eis a peça da discórdia: difusor causa polêmica antes de GP |
FRANCISCO LUZ
de Novo Hamburgo
A F-1 parece determinada a ter, a cada ano, uma grande polêmica envolvendo seus integrantes. Pode ser um caso de espionagem, uma orgia sadomasoquista e até uma esdrúxula mudança no sistema de pontuação. Mas, na Austrália, o que realmente está em voga na véspera do início da temporada de 2009 é falar sobre difusores traseiros — ou, mais especificamente, sobre os difusores de Brawn, Williams e Toyota. O equipamento adotado pelos três times tem gerado diversos debates sobre a sua validade ou não. Mas qual será a mágica da peça?
Em termos simples, o difusor adotado pelas três equipes tem um desenho chamado em inglês de 'double decker': ao invés de uma estrutura quase linear para retirar o ar que passa por sob o carro, o equipamento tem dois 'andares', com uma seção central em forma de U, na parte mais baixa da peça. O 'andar' superior é montado junto à estrutura de deformação do carro, que fica poucos centímetros acima do limite de 175mm do solo — o motivo causador da celeuma.
Os outros times têm seus difusores com apenas um 'andar', sem a estrutura em U e sem a parte presa à crash box. Estas equipes alegam que seguem à risca as ordens da FIA sobre o novo regulamento técnico, que instituiu difusores menores e colocados mais atrás dos carros, praticamente escapando das carrocerias.
Vendo assim parece simples: o equipamento das três escuderias 'infratoras' está fora das medidas e, portanto, é ilegal. O problema é que a regra que define o tamanho dos difusores constitui apenas um tópico de um capítulo que fala sobre o regulamento geral para as carrocerias, que permite o trabalho em áreas previamente não pensadas para funcionar como difusoras — como é a estrutura de deformação. Além disso, outro parágrafo da regra afirma que ela deve estar ligada ao fundo plano do bólido na linha do eixo traseiro, algo que Brawn, Williams e Toyota fizeram, mas utilizando a artimanha do segundo 'andar'.
São estes dois pontos, que permitem interpretações diferentes tanto por parte dos times como por parte da FIA, que estão causando toda a histeria em torno do dispositivo. O uso de um difusor mais alto canaliza um volume maior de ar, aumentando a aderência traseira — e, por consequência, a tração, ajudando o carro a ser mais rápido e mais estável.
Resta, agora, ver qual será a decisão dos comissários, que já rejeitaram um protesto por parte da BMW Sauber. E, de qualquer maneira, os três times questionados devem usar o equipamento mesmo que ele seja vetado, contando com uma apelação junto à Corte Suprema da FIA. O que garante que o resultado oficial do primeiro GP do ano deve, mesmo, sair apenas no tapetão.
> Você tem mais informações? Envie para Minha Notícia, o site de jornalismo colaborativo do iG
Comente
Leia mais sobre
Multimídia
Notícias Relacionadas
Empresário de Raikkonen desmente rumores sobre saída da Ferrari
Futuro incerto faz Raikkonen procurar Brawn e Toyota, diz jornal
Brawn não descarta vitória de Schumacher em retorno às pistas
Diretor da Mercedes diz que empresa debate sua participação na F1
Para Ferrari, saída da BMW representa fim de ciclo na F1
Triste pela saída da BMW, Ferrari diz estar comprometida com F1
Porta-voz da Renault diz que Alonso no lugar de Massa é "especulação"
Brawn fala sobre quebra de peça de Barrichello e acidente de Massa
