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21/08 - 17:26

A estratégia é pisar
Teremos, de novo, os carros e pilotos mais rápidos largando na frente. As estratégias mirabolantes estão com os dias contados. A tática será acelerar, para andar na frente e vencer

Flavio Gomes


Saiu nesta semana o regulamento da F1 para 2010. Nenhuma grande novidade em relação a tudo que se esperava. Uma das bobagens previstas não passou, a proibição das mantas térmicas que esquentam os pneus. É um negócio barato, prático e útil. Sair para a pista com pneu frio é até perigoso. Além do mais, economizam-se algumas voltas de aquecimento com as mantas, que estão incorporadas à categoria há anos.

O sistema de pontuação foi mantido. Descarta-se outra bobagem, a proposta de Bernie Ecclestone de dar o título a quem conseguir mais vitórias. Foi algo que quase passou no começo do ano, mas os times derrubaram. Mas seria de bom tom aumentar a diferença entre o primeiro e o segundo colocado, para privilegiar o piloto que luta para ganhar em vez de se acomodar num segundo lugar. Hoje, essa diferença é muito pequena, de dois pontos. Dar 12 ao vencedor e 8 ao segundo colocado seria algo interessante.

Acabou o reabastecimento. Foram 16 anos seguidos de mangueiras nos boxes, utilizando um equipamento caro e nem sempre muito confiável. Os pit stops vão continuar, para troca de pneus. Nunca notei grande vantagem no reabastecimento. É preferível ver todo mundo largando com o mesmo peso. Aquela história de sair mais leve ou mais pesado mascarava as diferenças entre carros e pilotos e induzia engenheiros a algumas burradas, prejudicando pilotos com menos voz ativa — fazendo-os largar pesadíssimos, o que inviabilizava ultrapassagens, ou levíssimos, o que os jogava para trás depois da primeira parada. Por conta disso, os carros ficarão mais pesados, 620 kg de mínimo, porque os tanques serão maiores.

O KERS continua opcional. Acho esse dispositivo caro e desnecessário, mas azar das equipes, que vão ter de continuar gastando nisso — porque quando funciona, faz uma diferença brutal num duelo sem-KERS x com-KERS. Desconfio que, no final das contas, todo mundo vai acabar usando.

Por fim, a definição do grid. Com 26 carros no próximo Mundial, já que serão 13 as equipes, a primeira parte da classificação, o Q1, vai eliminar os oito mais lentos; o Q2 degola mais oito e o Q3 terá os dez mais rápidos definindo as principais posições de largada com pouquíssima gasolina no tanque, sem aquela história de treinar com o combustível que será usado na corrida.

É a melhor parte — embora óbvia, com o fim do reabastecimento. Teremos, de novo, os carros e pilotos mais rápidos largando na frente. As estratégias mirabolantes, que nem sempre funcionam e dificultam o entendimento de uma corrida para o público menos especializado, estão com os dias contados. No ano que vem, a tática será a mais secular de toda a história do automobilismo: acelerar, para andar na frente e vencer.

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