24/07 - 18:37
Mercado silencioso (e agitado)
Agora, a questão não é mais discutir se Nelsinho fica ou sai da Renault. Me parece que as coisas estão definidas, um chefe não fala tão mal de um funcionário, e vice-versa, se ambos pretendem continuar juntos. A questão, agora, é: o que será de Nelsinho? Ele tem lugar na F1?
Flavio Gomes
Foram tantas as polêmicas envolvendo dirigentes nos últimos meses, que a sempre divertida “silly season”, a temporada dos boatos da F-1 envolvendo pilotos e equipes, passou e ninguém percebeu. Mas o mercado está agitadíssimo. Se do ano passado para este quase nada mudou, em 2010 a dança das cadeiras será bem mais radical.
A começar pela Ferrari, que deve trocar Raikkonen por Alonso. O finlandês tem várias possiblidades, se quiser continuar na F-1 — há quem diga que ele pode adotar de vez sua paixão, o rali. BMW Sauber e Toyota são times que precisam de pilotos de ponta. Kimi é, apesar de andar meio apagadão. Afinal, foi campeão em 2007 pelo time de Maranello, recuperando a taça que Schumacher perdera em 2005 e 2006.
| Imre Foeldi/EFE |
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Na BMW Sauber, Heidfeld dificilmente fica. O mesmo vale para Trulli na Toyota. A McLaren não parece disposta a insistir com Kovalainen e fala abertamente em Rosberg, Sutil ou Glock — não é coincidência o fato de todos serem alemães.
A Brawn deve agradecer Barrichello pelos serviços prestados e partir para alguém, digamos, mais midiático. O nome mais provável é o de Bruno Senna. Rubens, porém, não terá as mesmas dificuldades que teve no fim de 2009 para assegurar um cockpit, se quiser continuar correndo. A Williams pode ser um destino. E não se pode esquecer que três novas equipes vêm aí. São seis vagas ainda não preenchidas.
Por conta do noviciado dos times estreantes, que precisam de gente experiente, alguns veteranos como Barrichello podem ganhar uma sobrevida, e outros que já haviam pendurado o capacete ou estão em outras categorias têm chance de renascer. De la Rosa, Pantano, Villeneuve, Liuzzi, Klien e Wurz estão entre eles.
Da garotada que vem das categorias menores, Senninha à parte, Di Grassi e Grosjean são os nomes mais fortes. Ambos têm uma longa história com a Renault e não deverão ter problemas para se encaixar em algum canto. Maldonado e Petrov, que possuem patrocínios fortes da Venezuela e da Rússia, também são candidatos.
Já Nelsinho... Hoje ele descascou Flavio Briatore, seu patrão, em entrevista depois dos treinos em Hungaroring. Disse que o dirigente não entende “porra nenhuma”, que é seu manager, mas “pisa na minha cabeça”, que “não tem amigos”, só “pensa em negócios, em quanto vai ganhar”, que “é difícil correr numa equipe que tem Fernando e Flavio”, que Alonso “é espetacular”, que se mudar de equipe e pegar pela frente um piloto comum, “talvez minha confiança volte”, e por aí foi. Pouco antes, Briatore havia igualmente descascado Nelsinho, a quem deve demitir depois do GP da Hungria.
Em que pesem as deficiências de Piquet-pimpolho, é evidente que a porta pela qual entrou na F1 não foi das mais amistosas e tranquilas. Talvez tivesse sido muito melhor para ele se o tal contrato de dez anos com a Williams, que Piquet-pai inventou um dia que existia, existisse mesmo. A Williams é, por assim dizer, mais “friendly”. Teria mais paciência com o garoto, e mais respeito por tudo aquilo que seu pai fez pelo time no passado.
Agora, a questão não é mais discutir se Nelsinho fica ou sai da Renault. Me parece que as coisas estão definidas, um chefe não fala tão mal de um funcionário, e vice-versa, se ambos pretendem continuar juntos. A questão, agora, é: o que será de Nelsinho? Ele tem lugar na F1?
Olhando a situação pelo lado otimista para ele, num universo de pilotos com pouca cancha na categoria, ele tem quase dois anos, andou por três times (fez testes na BAR e na Williams…), carrega um sobrenome famoso e não seria uma tragédia tê-lo em alguma equipe sem aspirações imediatas.
Olhando pelo lado pessimista, a falta de performance em quase dois anos (e que Piquet não se iluda, ninguém se importa se ele tinha carro igual ao de Alonso ou não, o que fica é a folha de tempos), os muitos erros em treinos e corridas e o boca-a-boca do paddock entre mecânicos e engenheiros podem fazer com que qualquer um pense muitas vezes antes de lhe dar uma nova chance.
O futuro de Piquet-pimpolho será a próxima novela das sete para meu Brasil brasileiro.
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