10/07 - 18:26
O medo do frio
A meteorologia já está se encarregando de transformar a Red Bull de Sebastian Vettel e Mark Webber em favorita clara à vitória no GP da Alemanha. Pode ser a salvação do Mundial, uma arrancada da Red Bull, porque Button está disparado na classificação
Flavio Gomes
O GP da Inglaterra deu o alerta à Brawn GP. Corridas com frio, e temperaturas baixas no asfalto, são o ponto fraco do time que ganhou seis de oito corridas nesta temporada. E as perspectivas para este fim de semana em Nürburgring não são muito animadoras para o time estreante. Há previsão de frio e chuva.
A região de Eifel, montanhosa e cercada de florestas, tem um clima dos mais doidos. Embora seja verão no hemisfério norte, não são incomuns temperaturas na casa dos 12 a 15 graus nesta época do ano por aquelas bandas. Foi exatamente o que aconteceu na sexta-feira. A máxima chegou a 15, com 18 graus no asfalto, em média, e 21 de máxima.
Nessas condições, os pneus dos carros da Brawn não atingem a temperatura ideal de funcionamento. Foi situação semelhante que tirou Jenson Button do pódio pela primeira vez em 2009, em Silverstone. O único consolo do time que lidera o Mundial é que a Bridgestone levou para Nürburgring pneus supermacios, que tendem a aquecer mais rápido.
Assim, a meteorologia já está se encarregando de transformar a Red Bull de Sebastian Vettel e Mark Webber em favorita clara à vitória no GP da Alemanha. Com chuva, então, o alemãozinho é o capeta. No primeiro dia de treinos livres, Vettel ficou em segundo na segunda sessão e Mark Webber foi o quarto. Lewis Hamilton, o primeiro, não conta. "Nossa meta é largar entre os dez primeiros", falou. O inglês jogou para a torcida - da Mercedes, que tem até tribuna especial no autódromo - e fez seu melhor tempo com o tanque quase vazio.
Pode ser a salvação do Mundial, uma arrancada da Red Bull, porque Button está disparado na classificação. Por isso que o britânico já mandou a ordem do dia para o time: "Não podemos relaxar". Não podem mesmo. Apesar de uma certa torcida para que relaxem... Afinal, só uma sequência de vitórias de Vettel (ou Webber, por que não?) aliada a maus resultados de Jenson é capaz de trazer alguma emoção à luta pelo título na segunda metade do campeonato.
Campeonato que não terá, até o final, Ferrari e McLaren, bichos-papões dos últimos tempos, brigando por nada. As duas equipes já admitiram que estão trabalhando, a partir de agora, no desenvolvimento dos projetos de seus carros para 2010. O mesmo vale para Renault e BMW Sauber. O time francês fechou bem a temporada passada, com vitórias convincentes de Alonso, mas fez um carro medíocre para este ano. Já a equipe suíço-alemã é a grande decepção de 2009. Pela primeira vez em sua curta história, andou para trás e deixou de cumprir as metas que estabeleceu quando a BMW comprou a Sauber.
A Ferrari, para piorar, tem em seu presidente, Luca di Montezemolo, figura de proa na disputa política com a FIA. A equipe foi meio deixada de lado. Internamente, ainda há certo mal-estar diante de tantas notícias ligando Fernando Alonso a Maranello, embora seus dois pilotos, Felipe Massa e Kimi Raikkonen, tenham contratos até o fim do ano que vem. Kimi está de saída, sabe disso, e a questão agora é financeira. Ele quer receber a multa rescisória, mas o valor é altíssimo, US$ 25 milhões.
Mundial esquisito, esse. As principais estrelas da companhia andam em baixa. E a novidade de uma estreante campeã, que assombrou todo mundo nas primeiras corridas, deixou de ser novidade.
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