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Zé Elias quer ser exemplo para casos de prisão por pensão atrasada

Após ser libertado, ex-jogador se preocupou principalmente em falar da injustiça em casos semelhantes ao seu

Levi Guimarães, iG São Paulo |

Ao sair da prisão depois de quase um mês na tarde de sexta-feira, o ex-jogador Zé Elias surpreendeu pela serenidade com que falou com a imprensa. Mas, mais que isso, pela postura solidária aos outros presos com quem dividiu o espaço e as histórias nas últimas semanas. Agora livre, ele se posicionou como uma espécie de porta-voz contra a lei que hoje rege casos semelhantes ao seu, de pais presos por falta de pagamento de pensão.

“Eu peço para os governantes, para o Geraldo Alckmin [governador de São Paulo], o Gilberto Kassab Kassab [prefeito de São Paulo]: essa lei precisa ser repensada. Transformar a prisão administrativa em algo produtivo para o Estado. É uma lei de uma época que o Brasil vivia um período difícil, ditadura, essas coisas. Acho que tem que adaptar ao mundo atual”, afirmou.

“A forma de cobrança, colocar um pai de família na cadeia, impossibilitando ele de trabalhar, não sei se é a melhor maneira possível. Devem existir outras formas que o Estado possa se beneficiar. Em vez de colocar o pai na prisão, fazer ele trabalhar em escritórios da prefeitura, do governo, ou em algum serviço comunitário”, completou.

No caso de Zé Elias, o mandado de prisão foi expedido quando ele acumulou uma dívida de quase um milhão de reais com a ex-esposa, depois de dois anos sem pagar a pensão estabelecida em R$ 25 mil mensais. Há duas semanas, no entanto, sua defesa conseguiu reduzir o valor para um salário mínimo para cada filho, já que ele não possui mais a mesma renda dos tempos de atleta.

Essa dívida continua existindo, mas Zé Elias não pode mais ser preso por conta dela, no máximo ter seus bens penhorados. Mas depois do período preso, ele reconheceu ser “um privilegiado” quando comparado a alguns companheiros de cela, principalmente por ter sua esposa atual e outros familiares ao lado.

AE
Depois de deixar a prisão, Zé Elias finalmente pôde reencontrar seus dois filhos do atual casamento

“Eu vi muita gente lá que é sozinha, muita gente que não tem nem de onde tirar força. Eu não imaginava ver um senhor de 82 anos chorar no dia dos pais. Por isso que eu falo que a cobrança é muito dura, especialmente para pessoas nessa condição. O filho desse senhor já fez 18 anos, mas ele deixou de pagar por dois ou três meses e está preso. Essas coisas que fazem você refletir e despertar alguma coisa em você”, disse.

O ex-corintiano pareceu ter saído da prisão com algumas frases ensaiadas. Mais de uma vez, afirmou que fará o que puder para chamar a atenção para a injustiça de casos semelhantes ao seu, disse que “quem mais perde sempre são os filhos” e concluiu: “É mais fácil tirar um pai de casa do que prender um bandido”.

“Cadeia é sempre cadeia”

A tranquilidade demonstrada por Zé Elias é também consequência do fato de ter sido preso em uma delegacia onde só ficam encarcerados réus de casos semelhantes, de não pagamento de pensão. Ele diz que já chegou ao local no primeiro dia preparado para aguentar o mês de reclusão e que tanto policiais como os outros presos tentavam dar o maior conforto possível a todos.

“Eu fui pra lá preparado. Os próprios policiais que me levaram me prepararam para o que eu ia encontrar. Era um ambiente de solidariedade, com todos tentando ajudar uns aos outro”, explica. Mas apesar desses esforços, não havia como fingir que o mês seria normal. “O próprio policial falou: ‘Zé, cadeia... é sempre cadeia’”, relembrou ele na calçada de sua casa, no bairro do Pacaembu, pouco antes de finalmente sair da frente das câmeras e microfones e se ver novamente ao lado da família.

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