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Futebol
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Zagueiro se naturaliza holandês e descarta a seleção brasileira

Douglas, que atua no Twente, virou cidadão do país europeu e está focado em atuar pelo time vice-campeão mundial já na Euro 2012

Mário André Monteiro, iG São Paulo |

Arquivo pessoal
Douglas posa para foto com o documento de naturalização e ao lado da bandeira da Holanda

É difícil vermos um jogador jovem, de apenas 23 anos de idade e atuando na Europa descartar de vez a seleção brasileira . Mas é assim que pensa o zagueiro Douglas, que atua no Twente, da Holanda. Nesta quarta-feira, o defensor conseguiu tirar seu passaporte holandês e está apto a entrar em campo pela atual seleção vice-campeã mundial e segunda colocada no ranking da Fifa.

Paulistano de nascimento, o atleta jogou somente no Joinville no futebol brasileiro. Em agosto de 2007, firmou um contrato de cinco anos com o Twente, onde virou ídolo. Como a Fifa permite que um jogador atue por uma seleção depois de se naturalizar e tendo atuado por, pelo menos, cinco anos nesse país, Douglas, a princípio, só poderia jogar pela "Laranja Mecânica" a partir de agosto de 2012, mas a Federação Holandesa já está trabalhando para liberá-lo já para um amistoso em fevereiro.

E as chances de entrar em campo pela Holanda em breve são grandes, já que o próprio Bert van Marwijk, treinador da seleção nacional, foi quem pediu para Douglas tirar sua cidadania holandesa. Em entrevista exclusiva ao iG, o zagueiro de 1,92 m contou como está sendo essa novidade na sua carreira e adiantou que não permanece no Twente na próxima temporada.

Leia abaixo a íntegra do bate-papo de Douglas com o iG :

Getty Images
Douglas em ação pelo Twente
iG: Como surgiu essa possibilidade de se naturalizar holandês e poder atuar pela seleção?
Douglas: Essa possibilidade de tirar o passaporte surgiu já faz uns dois anos, quando eu estava num período bom no futebol holandês. Me perguntaram porque eu nunca era chamado para a seleção brasileira, ninguém entendia porque eu não era convocado. Eu falava que o Brasil estava bem servido de zagueiros, era uma concorrência muito grande e eu estava ciente de que não tinha condições de ir para seleção porque tinha jogadores melhores do que eu no momento.

iG: Mas de quem partiu a ideia?
Douglas: Há um ano perguntaram para o treinador Bert van Marwijk (da seleção da Holanda) e ele disse que eu era uma boa opção, que poderia contar comigo e ai eu comecei a correr atrás. Ele pediu, fui atrás para tirar o passaporte e agora eu consegui.

iG: Então é certeza de que vai jogar pela Holanda em breve?
Douglas: O treinador já me parabenizou pela naturalização e foi muito legal ter este retorno dele. Sei que muita gente quer me ver na seleção holandesa e eu também quero muito defendê-la. Espero que dê tudo certo para, se for chamado, poder estrear nos próximos desafios e, quem sabe, já estar apto para defender meu novo país numa competição tão importante como a Euro, que já acontece no ano que vem.

iG: Você pretende ser convocado já nas próximas listas da Holanda?
Douglas: Tem uma lei na Fifa que só permite que o jogador jogue na seleção depois de atuar por cinco anos no país. E eu completo cinco anos só em agosto de 2012. Mas a Federação Holandesa já está vendo isso para tentar me liberar já no começo do ano que vem e atuar num amistoso que vai ter em fevereiro de 2012. A gente acha que a Fifa não vai dificultar, estamos com o pensamento positivo quanto a isso.

iG: E se o Mano Menezes te convocasse hoje para a seleção brasileira?
Douglas: Eu já estou bem decidido, foi uma decisão junto com minha família. E se me chamasse há seis meses atrás eu também não ia querer. Ia agradecer, mas já escolhi a Holanda, dei minha palavra, corri atrás, fiz muitas coisas para conseguir esse passaporte, não recebi do nada, me esforcei bastante para tirar. E agora meu sonho é vestir a camisa da seleção holandesa. Brasil está descartado.

iG: Como foram seus primeiros meses na Holanda?
Douglas: Eu vim sozinho para cá, cheguei com 19 anos, fiquei longe da minha família. O começo foi bem difícil para se adaptar, não sabia falar a língua. Mas em um ano já sabia me comunicar. E aqui faz muito frio. Também dava saudade da família.

AFP
Douglas ao lado de sua esposa e sua filha
iG: E os familiares, agora, estão na Holanda ou no Brasil?
Douglas: Eles moram no Brasil, tenho irmãos menores que ainda estudam. A família sempre vem me visitar. Tenho uma esposa holandesa, uma filha que nasceu aqui. Agora tenho uma família brasileira e uma holandesa. Duas vezes por ano volto para o Brasil, sempre que tenho uma folga vou ver o pessoal. Sou natural de São Paulo, minha família mora no bairro da Casa Verde.

iG: Pode falar para que time você torce?
Douglas: Posso falar sim, não tem problema não. Torço para o Corinthians.

iG: Pouca gente te conhece no Brasil. Conte-nos sobre o seu estilo de jogo. É mais técnico? Mais rasgador?
Douglas: Sou um jogador que gosta de pegar a bola e ir para o meio de campo, sair para o jogo. Como sou alto, tenho uma passada larga. Mas meu passe não era muito bom. Nos últimos anos melhorei bastante isso, aprendi muito isso aqui na Holanda. Hoje já toco mais a bola, sou mais tranquilo, bem mais rápido. Aqui na Europa o zagueiro usa bastante o goleiro para jogar e eu não fazia isso no começo, sempre dava um chutão lá para frente. Hoje já passo mais a bola. Pelo meu tamanho acho que minha bola aérea é muito boa.

iG: Seu futuro próximo é vestindo a camisa do Twente?
Douglas: Tenho contrato até 2012 com o clube e sempre chegaram propostas, mas nunca me liberaram. Acredito que estou pronto para dar um passo para frente. O Twente quis renovar meu vínculo, mas eu não quis. O pessoal gosta muito de mim aqui, mas eu penso que essa é a minha última temporada aqui no clube.

iG: E esse passo à frente é em algum clube maior da Holanda ou de outro país?
Douglas: Prefiro ir para outro país, um clube meior da Europa, na Alemanha, Inglaterra, Espanha. A maioria dos jogadores da seleção holandesa joga fora. Sou novo, quero aprender mais e quero dar esse passo à frente.

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