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Zagueiro do lanterna do Alemão quer seleção e mudar de time

Desconhecido no Brasil, Dante é titular na defesa do Borussia M'gladbach. Apesar da má fase, ganhou uma homenagem dos torcedores

Mário André Monteiro, iG São Paulo |

O Borussia M'gladbach, tradicional time germânico com cinco conquistas da Bundesliga no currículo - todas na década de 70 - vive atualmente uma das piores fases da sua história. A equipe é a lanterna do Campeonato Alemão e está a um passo de ser rebaixada. Apesar da péssima temporada, o zagueiro brasileiro Dante, titular na defesa da equipe, disse em entrevista exclusiva ao iG Esporte que existe chance de salvação. "Existe sim, tá doido? Colocamos o time lá na lanterna e agora temos que tirar".

Dante Bonfim Costa Santos foi revelado pelo Juventude-RS e passou por times de França e Bélgica antes de chegar ao futebol alemão. Mesmo com a situação ruim do Borussia, o defensor ainda sonha em vestir a camisa da seleção brasileira. Para isso, o atleta revelou que já pensa em sair da equipe ao final da atual temporada. "Pretendo jogar em um clube maior, voltar a jogar a Liga dos Campeões, Liga Europa".

No bate-papo, o zagueiro também falou sobre o seu cabelo, marca registrada entre os torcedores da equipe, que usam perucas estilo "black power" nos jogos em casa, em homenagem ao corte estiloso de Dante. "A gente fica feliz, é inusitado e mostra que o trabalho aqui é reconhecido. É mais por causa do frio, com esse tempo dá uma aliviada", disse o jogador.

Leia abaixo a íntegra da entrevista :

iG: Onde você jogou no Brasil?
Dante: No Brasil joguei só no Juventude. Fiz vários testes em divisões de base de times de Salvador, ai fui para São Paulo fazer testes e o Juventude me viu. Fui para o Sul em 2001, fiz outros testes no time júnior, fui aprovado e ai subi para o profissional e joguei 2003 e 2004.

iG: Como começou sua aventura na Europa?
Dante: Fiz uma boa temporada no Juventude e fui para França, no Lille, mesmo time do Michel Bastos. Depois fui para o Charleroi, da Bélgica, ai fui para o Standard Liège, onde fomos campeões. Fiquei dois anos lá e depois vim para Alemanha.

iG: Como o Borussia M'gladbach te contratou? Alguma indicação?
Dante: Joguei a Champions League pelo Standard e ai comecei a ser mais visto na Europa. A Bélgica faz divisa com a Alemanha, e o pessoal aqui está sempre olhando, e consegui esse contato. Falaram com meu empresário e fizeram a transferência.

iG: O que explica a má fase do Borussia na Bundesliga?
Dante: Aqui na Alemanha o campeonato é muito nivelado. Começamos bem ganhando do Leverkusen, mas os times que normalmente jogam para não cair fazem um ótimo começo de campeonato, e nós não nos acertamos no início. Tivemos muitos jogadores machucados, muitos suspensos, ai não conseguimos sair dessa má fase. Não ganhamos ainda dentro de casa, dormimos no ponto antes. Essa falta de confiança vai tomando conta do grupo e temos de achar a melhor maneira para dar a volta por cima.

AP
Dante durante treinamento do Borussia
iG: Existe alguma chance do time fugir do rebaixamento?
Dante: Existe sim, tá doido? Sempre penso positivo, nunca na minha vida eu aceitei derrota. A situação ainda é difícil, colocamos o time lá na lanterna e agora temos que tirar.

iG: Apesar da lanterna na Bundesliga, o estádio do Borussia sempre está lotado em todos os jogos. Por que?
Dante: O tratamento da torcida é diferente, respeita os jogadores, respeita o clube. Isso é uma paixão, um lazer, um espetáculo ir ver o jogo, é a festa do fim de semana. Os brasileiros gostam de ver pela TV, mas aqui a torcida gosta de participar, cantar e é muito legal.

iG: É verdade que os torcedores te homenageiam usando perucas por causa do seu cabelo?
Dante: É verdade sim. No jogo passado, até tinha um pessoal com a peruca. Esse meu cabelo virou uma marca que eu não estava prevendo. É um carinho bem legal, eles sempre demonstram, vêm aos jogos com perucas. Teve uma vez que vi os caras de peruca na arquibancada e falei 'cara, que loucura', era muito engraçado. A gente fica feliz, é inusitado e mostra que o trabalho aqui é reconhecido.

iG: Por que deixa seu cabelo crescer tanto?
Dante: É mais por causa do frio, com esse tempo dá uma aliviada. Eu gostava muito de fazer tranças. Desde que eu jogava na França eu tive cabelo grande e agora os torcedores pegaram isso como marca e não pretendo mudar.

iG: Até quando vai seu contrato com o M'gladbach?
Dante: Até 2014

iG: Pretende ficar até lá, independente do time permanecer ou não na 1ª divisão?
Dante: Como sou um cara que tem muita ambição, tenho 27 anos e ainda sonho em jogar pela seleção brasileira. E sei que jogando no Borussia isso não pode ser realizado, então penso em traçar meus objetivos. O Borussia é um ótimo time, mas pretendo jogar em clube maior, voltar a jogar a Liga dos Campeões, Liga Europa. Esse é meu objetivo imediato.

iG: Mas chegou a receber alguma proposta de equipes maiores?
Dante: Não recebi proposta concreta, mas houveram conversas. Eu preciso é fazer meu trabalho para que no verão esses times voltem a negociar e finalizar uma transferência boa.

iG: Qual é a razão do sucesso dos zagueiros brasileiros na Alemanha? Vide Lúcio, Juan, Julio Cesar, Bordon...
Dante: O zagueiro brasileiro tem uma forma de jogar boa para o futebol alemão, gosta de sair com a bola dominada, assim como o Lúcio. Joguei contra ele e acho que um dos melhores zagueiros que vi jogando. Os brasileiros que chegam aqui e mostram o talento, técnica, se adaptam ao futebol daqui. Antes era muito chutão na Alemanha e hoje eles gostam de jogar mais.

iG: Qual foi o melhor atacante que já enfrentou?
Dante: Na Alemanha foi o Dzeko, do Wolfsburg, e que agora está no Manchester City. Vou te falar que ele não brincava em serviço. No geral foi o Didier Drogba. Joguei contra ele quando eu estava no Lille e ele no Olympique de Marselha, ele é um jogador impressionante, qualificado.

iG: Em qual time você viveu a melhor fase da sua carreira?
Dante: A minha fase do Borussia na temporada passada foi muito boa, considero a melhor que já vivi. Despontei, ganhei grande respeito na Alemanha. Esse ano não foi bom porque me machuquei bastante, tive duas lesões seguidas, fiquei muito tempo parado, voltei há pouco tempo.

iG: Tem algum gol que você marcou que considera especial?
Dante: Quando cheguei aqui o time estava nas últimas colocações. Cheguei no meio da temporada e faltavam três jogos para acabar o campeonato. Nós fomos jogar fora de casa contra o Energie Cottbus, concorrente direto ao rebaixamento. Estava bem pegado e no último minuto o técnico pediu para eu não subir mais para o ataque na cobrança de um escanteio, mas como eu não entendia muito alemão, fui para a área do adversário. Fiz um gol de cabeça e foi importante para salvar a equipe. Até hoje o pessoal lembra disso por aqui. Depois, na última rodada, jogamos em casa contra o Dortmund precisando só de um empate e fiz o gol do 1 a 1.

Getty Images
Dante marca e comemora gol contra o Energie Cottbus, determinante para salvação do seu time

iG: Como é sua relação com os outros brasileiros do M'gladbach, Igor de Camargo e Anderson Bamba?
Dante: Nós sempre estamos juntos, fazemos nosso samba, fazemos um churrasco, é normal. Estamos fora do nosso país e sempre estamos juntos e unidos para ir levando o barco.

iG: Costuma visitar o Brasil frequentemente?
Dante: Volto a cada seis meses. Visito meus parentes na Bahia, e como minha esposa é do Rio Grande do Sul, nós visitamos também os parentes dela também. Mas meu lugar é na terrinha e não saio de lá por nada.

iG: Tem filhos?
Dante: Tenho dois filhos, a Sophia de 3 anos e o Diogo com 5 meses. A Sophia nasceu na Bélgica e o Diogo na Alemanha mesmo. Mas são brasileiros.

iG: Há interesse em voltar a jogar no Brasil?
Dante: Hoje nós vemos o mercado do futebol brasileiro e posso dizer que atrai. Grandes jogadores voltaram, vão jogar o Brasileirão e vai ser sempre uma honra atuar com eles. O futebol brasileiro é nivelado e tudo conta, a cultura, por exemplo, e não podemos nunca dizer não. Não sabemos qual é nosso destino.

iG: Qual seu time do coração?
Dante: Eu sou Bahia doente, sempre fui. Tenho um carinho enorme pelo Juventude, mas gosto muito também do São Paulo, pela forma que o time joga. Gosto desde o tempo do Telê Santana. Não tem o que falar, o São Paulo é um time maravilhoso.

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