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Zagallo só pede de presente saúde para torcer pelo Brasil em 2014

Conheça a trajetória do maior vencedor da história da seleção, ídolo de Flamengo e Botafogo, que completa 80 anos nesta terça

Vicente Seda, iG Rio de Janeiro |

Mário Jorge Lobo Zagallo completa 80 anos nesta terça-feira pedindo de presente somente saúde para continuar torcendo pelo Brasil. Se sente bem, totalmente recuperado da cirurgia em 2005, e a paixão pela seleção ainda o move. A ansiedade pela Copa do Mundo de 2014 não deixa o coração diminuir o ritmo e, mesmo sem estar oficialmente escalado para participar do Mundial, o maior vencedor da competição em todos os tempos quer lavar da memória a derrota de 1950, no episódio conhecido como Maracanazzo.

O “Velho Lobo” de 94, a “formiguinha” de 58, ídolo de Flamengo e Botafogo, já avisou à Fifa e aos rivais no sorteio das eliminatórias para 2014, realizado no Rio em 30 de julho: “Vamos vencer e vamos vencer mesmo!”.

Nascido em 9 de agosto de 1931, em Maceió, Alagoas, Zagallo veio para o Rio com pouco mais de 1 ano de idade. Cresceu na Tijuca, bairro da zona norte que abriga um dos clubes mais tradicionais da cidade, o América. Foi lá, na Rua Campos Salles, que começou a jogar. Primeiro as escolinhas, depois o juvenil e, com o destaque, mudança para a zona sul.

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Em 2003, durante sua última passagem na comissão técnica da seleção
Transferiu-se para a Gávea em 1951. Seria tricampeão carioca (53, 54 e 55) pelo Flamengo, onde jogou até o ano em que venceu sua primeira Copa do Mundo, 1958. A partir daí, se mudou para General Severiano, onde atuou ao lado de craques como Garrincha, Didi e Nílton Santos e encerrou a carreira de jogador em 1965, após conquistar dois títulos estaduais, em 62 e 63, além de trazer mais uma Copa para o Brasil.

“Vim de Maceió com meus pais e meu irmão. O meu pai veio como representante de uma firma, ‘Tecidos e toalhas Alexandria’, que era do meu tio, irmão da minha mãe. Cheguei ao Rio em janeiro ou fevereiro de 1932. Fui criado na Tijuca. O meu pai me levou para o América, era conselheiro, e comecei minha vida no futebol ali, no juvenil do América, em 48, 49, depois fui para o Flamengo e engrenei uma vida profissional. No América nunca recebi nada, era amador. Os meus pais eram contra, a vida de jogador profissional não era muito bem quista pela sociedade. Era outro esporte, não tenha dúvida. Prossegui e fui estudando também, me formei técnico em contabilidade no Vera Cruz, ali na Haddock Lobo, na Tijuca. Fazia tudo por ali”, contou Zagallo.

Em 1958, a entrada de Zagallo na seleção, promovida por Vicente Feola, trouxe uma inovação tática: uma seleção jogando, e vencendo a Copa do Mundo, no 4-3-3. Em 1962, outro título mundial, no Chile, com um show de Garrincha, seu companheiro de Botafogo, que conseguiu suprir a ausência de Pelé, lesionado no primeiro jogo daquela competição. No total, Zagallo atuou 36 vezes com a camisa do Brasil e marcou 12 gols.

O técnico do tri

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Em 2003, durante sua última passagem na comissão técnica da seleção
A grande Copa de Pelé seria em 1970, no México, sob comando de Zagallo, que assumira o comando da seleção sob polêmica. Depois do fracasso brasileiro na Copa de 66, João Saldanha havia sido nomeado técnico da seleção e conduziu o seu time, conhecido como “as feras do Saldanha”, sem atropelos nas eliminatórias para a competição de 70. Porém, atritos relacionados a uma suposta imposição para a convocação de jogadores, em particular o centroavante Dario, ou Dadá Maravilha, por parte do então presidente, Emílio Médici, levaram à sua saída às vésperas da Copa. Zagallo foi então o escolhido para tomar as rédeas e impedir que a turbulência afetasse o desempenho do Brasil.
 

E ele novamente inovou na forma da seleção jogar. Como contam os próprios jogadores daquela equipe, era um técnico à frente do tempo e se interferia diretamente na preparação física, exigia treinos de fundamentos, finalizações, preocupações que se tornariam rotina anos mais tarde. Com o Brasil atacando e defendendo em bloco, o título mundial veio de forma avassaladora, numa geração que se consagrou a maior de todos os tempos no futebol brasileiro.

Veja também: Zagallo: "Chegam para mim na rua e dizem: 'Vão ter de me engolir!'"

“Em 70, transformei a seleção que me foi entregue jogando em um 4-2-4. Coloquei jogando em bloco, como acontece hoje, com cinco jogadores que eram camisas 10 juntos: Jairzinho, Tostão, Gérson, Pelé e Rivelino. O Piazza, que era volante, foi para quarto zagueiro, Rivelino de ponta esquerda, Carlos Alberto Torres de lateral e ala, enfim, era uma equipe fantástica, com reconhecimento mundial”, lembrou.

O lobo do tetra
O “Velho Lobo” voltaria à seleção anos depois, como coordenador técnico, na comissão dirigida por Carlos Alberto Parreira para a Copa do Mundo de 1994. Eram, como narram os jogadores da equipe, um dos maiores motivadores no vestiário. O grande divisor de águas na competição, para Zagallo, foi o jogo de quartas de final, contra a Holanda. “Quando o jogo estava 2 a 0, eu até já tinha respirado fundo, aquela sensação de ‘já passamos’. Mas sofremos dois gols e foi quando tivemos a felicidade daquele gol do Branco. O resultado fez justiça ao que jogamos quando estava 2 a 0. Aí depois falei aos jogadores que dali para frente ninguém nos tiraria aquela Copa, porque a seleção havia mostrado que tinha equilíbrio e determinação para seguir em frente”, lembrou.

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Em 2003, durante sua última passagem na comissão técnica da seleção

Desabafo histórico
Após o tetracampeonato em 94, Zagallo foi novamente colocado à frente do time para a Copa seguinte. A pressão foi grande durante a Copa América de 1997 e, ao vencer a final, o “Velho Lobo” bradou: “Vocês vão ter de me engolir”, em frase que anos depois revelou ter sido direcionada a dois jornalistas de São Paulo. Ele acreditava que os dois faziam campanha contra o seu trabalho. Até hoje, mesmo após a derrota na final de 1998, Zagallo ouve o que virou seu “bordão”, nas ruas do Rio.

“Todo o lugar que eu vou é um carinho muito grande, seja num casamento, teatro, restaurantes, nas ruas, batem fotografia a todo instante, chegam para mim e dizem: “Você vai ter de me engolir!”. É muito legal”, disse o senhor de 80 anos, ainda esbanjando simpatia, e que também foi protagonistas em outras conquistas fora da seleção, como no tricampeonato estadual do Flamengo, em 2001, e a classificação inédita dos Emirados Árabes para a Copa do Mundo de 1990.

Veja também: Treinadores exaltam as inovações de Zagallo

A vida de Zagallo na seleção não foi só de glórias. Em 1974, a participação do Brasil sob seu comando parou no quarto lugar. Em 1998, fracasso na final, diante da França, com a seleção abalada pelo episódio da convulsão de Ronaldo. Em 2006, quando voltou como coordenador técnico, o título também não veio. Em 2005, ele passou por um momento difícil, ao ficar 39 dias internado em função de uma infecção gástrica. Na época, explicou o drama: “A expectativa não era boa, mas acabou não sendo o pior... Felizmente Deus me protegeu dessa”.

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Em 2003, durante sua última passagem na comissão técnica da seleção
Paixão pelo 13
Nos momentos bons ou ruins, o Velho Lobo sempre se mostrou apegado ao número 13. Tornou-se célebre sua lembrança de que "Brasil campeão" tem exatamente 13 letras. Tal número durante muito tempo estampou as costas de suas camisas desde que se tornou treinador, nos anos 60.

Zagallo, porém, explica que não se trata de superstição e sim de uma devoção. No caso, devoção a Santo Antônio, cujo dia se comemora em 13 de junho. Sua mulher, Alcina, é devota do santo desde a adolescência. Tanto que o casal firmou união num dia 13 de junho de 1955.

A ligação do tetracampeão com o Brasil é tamanha que produz coincidências (ou sinais) surpreendentes. O calendário da Copa de 2014, divulgado pela Fifa em julho, informa que o Mundial em solo brasileiro vai ter a grande final justamente num dia... 13 de julho.
 

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