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Futebol
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Washington diz que sonha em voltar ao Fluminense como dirigente

Ex-atacante afirma que a ficha da aposentadoria ainda não caiu, que virou torcedor e sofre com os jogos

Marcello Pires, iG Rio de Janeiro |

Quinta-feira, 13 de janeiro de 2011, Mangaratiba, Costa Verde do Rio de Janeiro. Local escolhido pelo Fluminense para realizar sua pré-temporada. O cenário não poderia ser mais bonito e acolhedor, mas o anúncio feito por Washington durante uma coletiva de imprensa cercada de mistério e suspense deixou jornalistas, dirigentes, jogadores e familiares do ex-atacante perplexos e emocionados. Aos 35 anos de idade, o jogador que desafiava a morte toda vez em que entrava em campo, dava adeus ao futebol após 20 anos de uma carreira recheada de gols, entrega, superação e angústia.

O choro emocionado ao lado das filhas Ana Carolina, de oito anos, e Catarina, de três, quebrou o protocolo e deixou até mesmo o mais frio dos presentes no acanhado salão do Hotel Portobello desconcertado. Segurar às lágrimas foi um desafio tão difícil quanto deve ter sido para o ex-jogador anunciar a decisão.

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Washington recebe o abraço das filhas após anunciar a aposentadoria do futebol profissional
Quarenta e três dias já se passaram daquela quinta-feira e Washington admite que a ficha ainda não caiu. Sua rotina mudou completamente, é verdade, mas, no fundo, o ex-atacante sabe que seu coração, que ganhou o apelido de valente após uma cirurgia de cateterismo em 2003, jamais vai deixar de bater forte cada vê a equipe de Muricy Ramalho entrar em campo.

“Minha relação com a torcida do Fluminense foi diferente. Encaixou, como um casamento, uma coisa que não sei explicar. Eu virei torcedor e hoje sou tricolor para o resto da vida. Eu sofro mesmo”, afirmou, sem fazer média com os outros clubes que defendeu.

Forte como seu coração, que driblou a diabetes para seguir fazendo o que mais amava, Washington reconhece que parar de jogar foi tão difícil como aceitar as vaias do torcedor do Fluminense após o gol perdido contra o São Paulo, em Barueri, na reta final do Brasileirão do ano passado, que quase pôs tudo a perder.

“Muda tudo, é difícil demais. São vinte anos fazendo a mesma coisa e de repente você percebe que não vai mais fazer aquilo que mais gosta. Nossa, naquele dia até eu me xinguei”, lembrou, às gargalhadas.

Longe da bola, dos treinos e das concentrações, o ex-atacante agora ataca de professor em casa na hora de ajudar as filhas com as lições da escola, de empresário do ramo da música sertaneja e até de construtor. Mas por mais que relute, pelo menos por enquanto, o futebol não sai de sua cabeça e Washington revela que um dia ainda quer comandar o Caxias e voltar ao Fluminense, mas não como presidente.

“Presidente, não (risos). É uma responsabilidade enorme. Muita coisa, uma loucura. Mas eu gostaria de um dia trabalhar no departamento de futebol do Fluminense. Presidente, só do Caxias mesmo”, afirmou o "Coração Valente".

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Washington ganhou homenagens da diretoria do Fluminense antes de jogo pelo Campeonato Carioca
Confira abaixo a íntegra da entrevista de Washington:

APOSENTADORIA

“Eu já vinha me preparando para parar no final do ano, mas na pré-temporada eu conversei com a diretoria e achamos que talvez fosse melhor antecipar a decisão. Eu não senti nada, realizei todos meus exames, os resultados foram normais e tinha condições de continuar jogando. Mas o departamento médico do Fluminense mudou também, já tinha uma outra cabeça, um outro pensamento. A partir daí, eu conversei muito com o Celso (Celso Barros, presidente da patrocinadora do clube), com o Alcides Antunes (vice de futebol) e com meus familiares e fui amadurecendo a ideia de parar antes de começar a temporada. Eu sabia que seria difícil pois não estava preparado, mas o momento era importante, o melhor possível e passei a pré-temporada toda pensando nisso. Eu refleti bastante, os chamei e disse que iria anunciar a aposentadoria”.

MUDANÇA DE ROTINA

“Muda tudo, é difícil demais. São vinte anos fazendo a mesma coisa e de repente você percebe que não vai mais fazer aquilo que mais gosta. É complicado. Quando eu tomei a decisão, fui ficar com meu pai em Aracaju e procurei me sentir como se ainda estivesse de férias. Fui à praia e tentei esquecer, mesmo não conseguindo, pois minha cabeça ainda estava lá. Estão sendo momentos difíceis, mas achei que iria sofrer mais. Eu tenho ficado mais com as minhas filhas, ajudando elas com as lições da escola, participando de muitos eventos e isso tem me ajudado. Eu acho que a ficha ainda não caiu. Mas quando eu der uma sossegada, parar e acompanhar mais o futebol e o Fluminense, será bem mais complicado”.

EMBAIXADOR

“É bacana, mas eu ainda não fiz muita coisa. Eu estou até evitando ir aos outros jogos para sofrer menos, mas nos da Libertadores eu estarei presente em todos. Eu vou representar o Fluminense nas viagens, em todas as reuniões e vou fazer a ponte entre os jogadores com a comissão técnica e a diretoria. É mais ou menos a função que o Branco exercia, e muito bem, em 2008”.

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Em visita ao Fluminense, Washington posou ao lado de Rafael Moura, que ganhou sua vaga no ataque

IDENTIFICAÇÃO COM O FLUMINENSE

“Por eu me doar em campo e sempre ter demonstrado uma paixão muito grande por aquilo que fazia, sempre me identifiquei com os clubes pelos quais passei. Mas minha relação com a torcida do Fluminense foi diferente. Encaixou, foi como um casamento mesmo, uma coisa que eu não sei explicar. O carinho que o torcedor tricolor tem por mim é enorme. A maior prova disso foi a minha volta ao clube. Quando tive a oportunidade de voltar, não pensei duas vezes. Eu virei torcedor e hoje sou tricolor para o resto da vida. Eu sofro mesmo. No final de semana passado eu quase briguei com uns caras lá em Mangaratiba que estavam vendo o jogo contra o Boavista do meu lado e secando o Fluminense”.

ARREPENDIMENTO DE TER SAÍDO EM 2009

“Várias vezes eu me arrependi de ter saído do Fluminense. Nem foi pelos problemas que tive no São Paulo, até porque lá também fiz muitos gols. Mas pela identificação com o clube e os torcedores. Sempre que eu podia, assistia aos jogos do Fluminense e torcia mesmo. Em 2009 eu sofri tanto, que até apostei com o Miranda que o Fluminense iria escapar do rebaixamento. Como ele tinha jogado no Coritiba, apostou que o Coritiba não seria rebaixado. Mas eu ganhei a aposta e tirei uma grana dele”.

TÍTULO BRASILEIRO DE 2010

“Seria muito injusto eu parar sem conquistar um título de expressão com a camisa do Fluminense. Foi o maior presente que papai do céu poderia ter me dado. Foi o momento mais marcante e importante da minha carreira. Eu até vivi fases individuais melhores, mas eu queria mesmo era ter um sucesso coletivo e ser campeão. Artilheiro eu já tinha sido em todos os lugares, por isso eu disse que abriria mão dos meus gols pelo título. E foi isso mesmo o que acabou acontecendo. Eu queria dar esse presente para a torcida do Fluminense porque ela merecia. Quando eu perdi aquele gol contra o São Paulo, eu me cobrei muito. O jogo estava empatado e eu fiquei com medo dele fazer falta lá na frente, mas deu tudo certo. Foi à troca que eu fiz”.

PROJETOS

“São vários. Participo de muitos eventos e cuido dos meus negócios. Eu tenho uma construtora no Rio Grande do Sul e estou sempre indo a Brasília para cuidar da minha dupla sertaneja João Pedro e Gabriel. Mais eu ainda quero ser presidente do Caxias. Do Fluminense, não (risos). É muita coisa, uma responsabilidade enorme. Seria uma loucura. Mas tenho vontade de um dia trabalhar no departamento de futebol do Fluminense. Passar minha experiência. Eu tenho um carinho muito grande pelos jogadores e acho que isso seria uma vantagem para mim. Não sei se isso vai acontecer num futuro próximo ou mais para frente, não depende apenas de mim. Eu nunca conversei com ninguém da diretoria sobre isso ainda, mas acho que nessa função de embaixador eu vou ganhar experiência e quem sabe me aproximar de realizar esse desejo”.

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Ex-atacante disse ter se tornado torcedor do Fluminense e elogiou a torcida do clube das Laranjeiras

BIOGRAFIA

“Eu não revelei isso a ninguém, mas esse é um dos meus projetos. E eu gostaria muito que o Pedro Bial aceitasse o convite para escrever minha biografia. Além de ser um jornalista inteligente e que eu admiro bastante, ele é um tricolor fanático. Eu acho que vai ser uma surpresa para ele também. Meu único receio é que ele não tenha tempo para aceitar o convite por causa de seus compromissos na televisão. Um filme eu já não sei. Nunca pensei nisso e acho que não depende apenas de mim. É um projeto muito mais complicado de sair do papel. Quem sabe um cineasta tricolor não se empolga e compra essa ideia".

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