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Walter Torre: "Críticas podem atrasar obra da Arena Palestra"

Ao iG, dono da empresa que reforma estádio detona ex-presidente do clube e diz que ainda sonha com Copa

Danilo Lavieri e Marcel Rizzo, iG São Paulo |

As insistentes críticas do ex-presidente Mustafá Contursi e de outros conselheiros ao projeto da Arena do Palmeiras e à WTorre prejudicam o andamento do negócio. É o que reclama o dono da construtora, Walter Torre Jr., que recebeu o iG no seu escritório no Morumbi, zona oeste de São Paulo.

Ele demonstrou preocupação com os ataques em público que o ex-presidente faz e disse estar chateado por não ver o clube todo “remar para o mesmo lado”. Ao lado do novo companheiro de empresa e ex-dirigente do Palmeiras, Rogério Dezembro, Torre explicou por que mandou carta ao clube para que as críticas fossem interrompidas.

A procura de um parceiro para o naming rights (empresa que pagará para colocar seu nome associado ao do estádio), por exemplo, foi paralisada por causa da turbulência. Segundo ele, a Unimed ainda está no páreo, mas já cobra uma definição rápida sobre o futuro da Arena. Leia abaixo a entrevista:

iG: Está tendo mais trabalho do que esperava com a Arena do Palmeiras? Esse clima político atrapalha muito?
Walter Torre Jr.:
Poucas vezes eu vi um lugar que tem tanta divergência e não tem um interesse comum. É difícil ter pessoas jogando contra um produto que é para o bem da coletividade. Você pode falar mal, criticar qualquer coisa: Gisele Bündchen, Michael Schumacher, Ayrton Senna ou qualquer coisa. Agora, se as pessoas que estão envolvidas, que têm a real dimensão e noção do esforço que fizemos, do trabalho, do tamanho do investimento e ainda entendessem que isso tudo vira do Palmeiras... O problema é que nisso tem muita paixão, tem até torcedor do outro time no meio do processo. A nossa legislação é controversa e complexa. Pouca coisa é tabelada, a maioria é interpretativa e aí fica com o ser humano, que pode ultrapassar o bom senso. Ficamos surpresos, pois estávamos achando que todo mundo estava extremamente satisfeito, que ia ajuda, que estava todo mundo no mesmo barco. De repente, a gente vê que tem gente que é contrário, que faz furo no barco. Mas eu acho que assim que o estádio começar vai melhorar um pouco, mas é surpreendente.

Guilherme Tosetto, iG São Paulo
Walter Torre Jr., presidente da empresa que reforma o estádio do Palmeiras, critica ataques de Mustafá

iG: E a mudança de gestão aumentou os problemas? A oposição virou situação...
Walter Torre Jr.:
Claro que vou falar com interesse, mas as pessoas são situação e oposição na gestão do clube, mas não podem ser contra a Arena, que servirá para o bem de um time. É fundamental que um time tenha a sua Arena. Nós conseguimos fazer um investimento, que é a favor deles, por isso, não consigo entender que a Arena seja um produto de situação e oposição.

Rogério Dezembro: A gente fica chateado com a irresponsabilidade. Agora quero até falar como palmeirense e não como executivo. O Mustafá falou várias vezes que tinha que parar a obra e isso é irresponsabilidade. E se a gente (WTorre) resolve parar, o que você faz com a obra? Ele não tem opção, não tem alternativa. O problema é que ele sentou naquela cadeira por mais de dez anos, não arranjou alternativa e aí por que o negócio não foi viabilizado por ele, ele quer travar? Ele não gosta do clube...

iG: E a parte social? Vocês precisam entregar os prédios antes do estádio, é o que diz o contrato.
Walter Torre Jr.:
A gente não tem só uma Arena. Temos o clube funcionando e realmente alguns usuários foram prejudicados. Mas não tem jeito. Se você faz uma reforma no seu apartamento, você anda no meio da terra. Se o sócio quer só usar o clube, ele só tem a reclamar mesmo. Além disso, os esportes indoor, que eram embaixo da arquibancada, tiveram que parar, para poder demolir a arquibancada. Por isso, vamos fazer a parte que a gente consiga ser o mais rápido possível para que judô, balé e outras coisas possam voltar.

Rogério Dezembro: O negócio é tão bom que de cara ele ganha R$ 50 milhões em obras no clube. As instalações sob a arquibancada não eram das melhores e investimos R$ 50 milhões nisso.

Walter Torre Jr.: É isso mesmo. De cara já ganha esse investimento que não tem nada a ver com a Arena. O Mustafá fala que não ganha, mas ele começa já ganhando isso. De cara, ele também ganha a manutenção dos 30 anos, que antes gastavam entre R$ 8 milhões e R$ 9 milhões. Só isso daí já gera uma economia de R$ 270 milhões. Mais os R$ 50 milhões do prédio de esportes, dá R$ 320 milhões. Sem contar o que ele ganha com a Arena. O que eu tirar nos 30 anos, tirou, depois, a Arena é inteirinha dele. São 30 anos que eu vou ter que conservar para poder ganhar dinheiro e vender camarote e cadeira.

iG: O Mustafá afirma que a projeção de vocês é de R$ 1 bilhão em 30 anos, mas que o documento entregue ao clube só fala em R$ 550 milhões.
Walter Torre Jr.:
Ele fala mesmo que a WTorre falou que só vão pagar 500 e poucos milhões de reais. Mas isso é a previsão da renda que a Arena vai ter com show, com arquibancada. Na verdade, o lucro é superior a R$ 1 bilhão. Ele sabe, ele é cara de negócio e por isso ficamos um pouco chateados de ver a pessoa usando de subterfúgios para criticar. Ele (Mustafá) sempre foi favorável. Uma vez ele falou para mim: “Desculpa, eu acho que isso está bom, está perfeito, mas vou bater porque sou da oposição”. Ele falou enquanto estava eu e outras pessoas ao lado, em uma reunião, na época da aprovação do contrato com o Della Mônica.
Nota da redação: Mustafá nega que tenha elogiado o projeto e reitera críticas.

Rogério Dezembro: O Mustafá está se debatendo. Está ficando cada vez mais sozinho lá dentro.

Guilherme Tosetto, iG São Paulo
Rogério Dezembro (esq.) é ex-dirigente do Palmeiras e novo companheiro de Walter Torre Jr. na empresa

iG: Mas vocês se incomodaram com isso e até mandaram uma carta para o Palmeiras. O que tinha nessa carta?
Rogério Dezembro:
Pedimos que na medida do possível, o Palmeiras pedisse para seus membros, alguns que nem são parte da diretoria, não se manifestassem citando a empresa ou o empreendimento. O projeto foi aprovado pela diretoria executiva, teve aval do COF e depois da assembléia de sócios. Quando o Mustafá fala isso ou qualquer bobagem do gênero, ele desrespeita o sócio, o conselheiro...

Walter Torre Jr.: Além de atrapalhar a obra. Na hora que o sujeito fala que vai parar, as pessoas que estão investindo, construindo peças especiais para mim, eles ligam para gente e falam que vão parar de fazer. Tem coisa que nem tem no Brasil e nós precisamos que ficasse tudo pronto antes de todas as outras reformas. Muitos fornecedores, por causa dessa conversa, acham que a WTorre deixou de ser líder, eles começaram a ficar inseguros. O Palmeiras não tem autonomia de parar nada. Quem paga a obra somos nós, isso é contrato assinado. Se o Palmeiras me desse o terreno, eu faria uma Arena no Itaquera lá, sei lá como chama, pois eu teria o valor do terreno em troca. Mas não. O nosso negócio é só construir a Arena.

iG: Para o marketing isso também atrapalha?
Walter Torre Jr.:
Esse papo já atrapalhou muito a venda dos naming rights. Tanto é que interrompemos a negociação. O sujeito fica em dúvida. A Unimed ainda está atrás da gente, cobrando uma definição. Agora tem um papo de que os árabes querem investir também, mas ainda não sabemos disso. Para que tudo dê certo, é fundamental que tudo isso pare.

iG: Você acha que o estádio do Corinthians vai sair?
Walter Torre Jr.:
Eu não posso falar por eles, a outra empreiteira é séria também. Mas se não houver uma mão de Deus, o Corinthians não pega empréstimo do BNDES. Ele precisa R$ 480 milhões de garantia e eu quero entender qual a garantia real. Talvez ele dê o que vai pegar da Globo, por exemplo, mas aí a Globo tem que ir lá e assinar, e vai pesar no balanço da Globo essa dívida do BNDES. Eles não têm nenhuma garantia pra dar. Pode ser esse rompimento do Clube dos 13 seja uma manobra, mas eu não vejo alternativa dele fazer R$ 480 milhoes de garantia. E se o estádio não sair, a Arena vai receber a Copa com a absoluta certeza.

Rogério Dezembro: O Rosenberg (diretor de marketing do Corinthians) fez uma provocação que ia tirar o alvará antes da gente, mas nossa obra está correndo solta e a deles nada.

iG: Ainda há a chance de vocês serem sede da abertura? O projeto pode ser alterado para 65 mil pessoas de capacidade?
Walter Torre Jr.:
Sem condições. É assim: o terreno tem uma taxa de ocupação e o terreno do Palmeiras nós esgotamos a capacidade de construção. Hoje não conseguimos construir mais um bebedouro, não posso fazer mais nada. A área está 100% ocupada tecnicamente e não consigo mais espaço, pra aumentar a capacidade. Aumentar a área coberta significa aumentar a área construída e isso é inviável. 

Veja imagens da obra:

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