Walter Munhoz afirma que verba extra da FPF turbinou contas e que abril deve voltar a ter déficit

O azul no balanço do mês de março do Palmeiras não deve ser motivo de comemoração, segundo o vice-presidente financeiro do clube, Walter Munhoz. Para ele, o trabalho ainda está muito no começo e o superávit de R$ 783.547,08, registrado entre os dias 01º e 31 de março, só aconteceu por causa da entrada de uma verba extra da FPF (Federação Paulista de Futebol), que fez o futebol dar lucro de cerca de R$ 2 milhões.

Em entrevista ao iG , Munhoz explicou que a diretoria trabalha insistentemente para cortar gastos e aumentar as receitas e que o balanço de abril já deve registrar um novo déficit, justamente por nenhuma outra verba extra entrar no caixa.

O dirigente ainda explicou que as negociações com o BMG, que tem um empréstimo de R$ 30 milhões com o clube, continuam, assim como as conversas com o Banif, que concedeu a carta de crédito para que Valdivia desembarcasse novamente no Palestra Itália.

Confira a entrevista com Walter Munhoz sobre o lado financeiro do Palmeiras:

iG: Como foi o trabalho até agora para finalmente terminar um mês no azul? Quanto está a dívida agora?
Walter Munhoz:
A gente está com uma austeridade maior com a relação aos gastos no futebol e no clube, sempre tentando aumentar os patrocínios e as receitas. Além disso, em março, também tivemos a receita extra lançada, que nos ajudou muito a apresentar o balanço positivo. A dívida gira em torno de R$ 170 milhões.

iG: Qual foi essa receita extra?
Walter Munhoz:
Foi uma verba da Federação Paulista, referente a TV aberta. Ela não havia sido lançada no mês anterior. Mesmo assim, se a gente observar os balanços, assumimos no final de janeiro e aqueles números não são nossos: o déficit era de R$ 5,6 milhões. Depois, em fevereiro, foi para R$ 2,5 milhões e agora teve o superávit. A nossa direção está correta, mas mesmo assim, provavelmente, em abril, deve dar um pequeno déficit.

Balanço de março exibe lucro de quase R$ 800 mil
Reprodução
Balanço de março exibe lucro de quase R$ 800 mil


iG: Então ainda não dá para dizer que já é o que vocês queriam...
Walter Munhoz:
Nós temos a meta que foi apresentada logo no início do ano. O importante é mostrar no futebol e no social um operacional positivo. Porém, sem crítica nenhuma à gestão passada, tivemos problemas com despesas financeiras que vamos ter durante esse ano em torno de R$ 18 milhões. Este ano ainda vai ser ajustes. As coisas devem melhorar no segundo semestre, no término de alguns empréstimos e com a entrada de novos patrocinadores.

iG: O marketing é o principal aliado para alavancar as receitas, certo?
Walter Munhoz:
Na verdade, nós contamos com a marca Palmeiras, que é muito forte no mercado. Temos grandes patrocinadores atualmente e teremos também fortes patrocinadores futuros. Na verdade, como eu sempre digo, o financeiro não gera os números. A gente apresenta e procura dar o direcionamento.

iG: Você acha que seria mais fácil dividir as administrações de social e futebol, assim como Paulo Nobre sugeriu em janeiro nas eleições?
Walter Munhoz:
Na verdade, a gente está administrando separadamente. A gente tem dois orçamentos específicos e as coisas são tratadas separadamente. Temos o presidente do futebol, que é o Roberto Frizzo, e também na parte do social, que é o Edvaldo Frasson. A diferença do Nobre, que é um grande amigo meu, era sobre profissionalizar o diretor administrativo do social. A gente prefere que isso fique com o vice.

iG: Como vai ser a atuação a partir de agora? Ainda terão novos cortes?
Walter Munhoz:
Uma coisa que a gente aprende é que despesa é que nem unha, precisa ser cortada a toda semana. Precisamos de um foco, para poder melhorar e diminuir gastos sempre. O objetivo é ter uma administração austera e aumentar cada vez mais as nossas receitas.

iG: E o futebol? Vocês têm um limite para gastar com contratações?
Walter Munhoz:
Essa decisão é da comissão técnica com o Frizzo. Eles têm os objetivos deles e depois conversam com o Tirone e comigo e a gente vê o que faz.

iG: E como está a negociação dos R$ 30 milhões de dívidas com o BMG?
Walter Munhoz:
Realmente, fizemos dois empréstimos em agosto do ano passado. Um de R$ 25 milhões e outro de R$ 5 milhões. E a gente está tentando negociar esses dois empréstimos e alongar as dívidas. Como o BMG é um grande parceiro no futebol também temos o patrocínio na camisa como forma de pagamento. Isso ainda estamos negociando

iG: E o caso da carta de crédito do Valdivia, conseguida com o Banif?
Walter Munhoz:
O vencimento é dia 15 de agosto e precisamos pagar 6,25 milhões de euros. Além disso, tem 33% de imposto que precisamos pagar também. Atualmente, vamos conversar e ver um jeito para pagar isso.

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