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Via telefone, ações de crowdfunding já fracassaram no Brasil

Palmeiras foi pioneiro em arrecadar dinheiro pela internet no país. Europeus tiveram sucesso

Francisco De Laurentiis e Mário André Monteiro, iG São Paulo |

Reprodução
Ídolo no Grêmio, Jardel foi símbolo do primeiro fracasso de crowdfunding no Brasil
Quando anuciou o programa de crowdfunding (arrecadação de dinheiro entre os torcedores) para contratar o volante Wesley , do Werder Bremen, o Palmeiras se colocou como clube pioneiro na ação no Brasil. Isso até tem seu lado verdadeiro, já que nenhum clube havia utilizado a internet para tentar juntar dinheiro em prol da chegada de um novo atleta, mas o país já viu exemplos de crowdfunding via telefone fracassarem nos anos 90. Foram os casos do "Fica Jardel", feito pelo Grêmio , e "Disk Marcelinho", organizado pela FPF (Federação Paulista de Futebol).

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A ação do clube gaúcho foi em 1995. Para tentar comprar o artilheiro Jardel, o então presidente Fábio Koff queria arrecadar US$ 1,5 milhão para adquirir o atleta, que estava emprestado pelo Vasco . A contribuição era feia de duas formas e três valores: R$ 3 pelo telefone e R$ 5 e R$ 10 em bônus comprados no estádio Olímpico e em casas lotéricas. Novos sócios eram convidados a contribuir no momento da associação, e novos integrantes de torcidas organizadas eram obrigados a comprar um dos bônus. A campanha durou dez dias, com propaganda na TV, rádios e jornais, mas foi um fiasco. Arrecadou 10% do pretendido e mal pagou a despesa com publicidade. Jardel acabou partindo para o Porto -POR, clube pelo qual marcou 130 gols em 125 jogos e tornou-se ídolo.

RIVALIDADE: Wesley vai a lançamento de livro e acaba "cornetado" por corintianos

Outro caso parecido aconteceu em 1998. Após jogar por apenas seis meses no Valencia -ESP, o meia Marcelinho Carioca teve o passe comprado pela FPF por R$ 15 milhões. A entidade começou então a campanha "Disk Marcelinho": a torcida da capital paulista com maior número de ligações ficaria com o jogador, com cada discada custando R$ 3. Com 62,5% das chamadas, os corintianos acabaram levando o jogador, que teve boa passagem entre 1998 e 2001. A FPF, porém, saiu no prejuízo: a entidade queria pelo menos arrecadar R$ 15 milhões para cobrir o custo da contratação do atleta, mas o montante não chegou nem a R$ 2 milhões - um prejuízo tremendo.

Gazeta Press
Em 1998, Marcelinho Carioca voltou ao Corinthians e brilhou. FPF, porém, saiu no prejuízo com o meia
A iniciativa do Palmeiras, até o momento, também não demonstra muita empolgação. Apesar da equipe ter batido o recorde de arracadação via crowdfunding no Brasil , o site wesleynoverdao.com.br juntou apenas 1,5% dos R$ 21.377.300,00 necessários para repatriar o volante, faltando 24 dias para o fim da campanha. O fato foi até "cornetado" pelo presidente do Atlético-MG , Alexandre Kalil, que chamou a campanha palmeirense de "surreal" . Segundo o especialista em marketing esportivo Guilherme Figueiredo, vários motivos impedem o sucesso da ação.

CRÍTICAS: Presidente do Atlético-MG chama campanha do Palmeiras de "surreal''

Divulgação
Marcos assina para ser "o cara" do marketing
"Por tudo o que envolveu a contratação do Wesley antes do lançamento da campanha, ficou a impressão de que o crowdfunding não era a primeira opção para a compra do jogador, o que esfriou o ânimo da torcida. Também achei o valor alto. Captar esse montante é difícil até pelas vias convencionais, e ainda mais quando se usa uma forma nova e pouco difundida de participação popular. Além disso, apesar de ser uma ótima contratação, a torcida não identificou no Wesley um jogador com potencial para se tornar ídolo imediato, e não se entregou de corpo e alma à campanha", opina.

PROVOCAÇÃO: Palmeiras revela acordo para Wesley treinar e alfineta São Paulo

Para tentar impulsionar a arrecadação nos próximos dias, o Palmeiras vai partir para ações utilizando a imagem do ex-goleiro Marcos, que assinou por três anos para ser "o cara" do marketing alviverde . O clube, que já disse contar com o "amor" de sua torcida para ter sucesso na campanha , espera aumentar o ritmo das doações nos próximos dias, mas evita uma previsão de quanto espera arrecadar. Caso o montante não chege aos cerca de R$ 21 milhões, a equipe deve cobrir o valor restante para pagar a primeira parcela da venda de Wesley (cerca de R$ 4,5 milhões).

PEDIDO: Palmeiras diz que não quer se endividar e pede "amor" para ter Wesley

Vale lembrar que, antes do time palestrino, os rivais Corinthians (com o volante Cristian, do Fenerbahce-TUR, que custaria R$16 milhões) e São Paulo (com o atacante Nilmar , do Villarreal-ESP, por R$ 18 milhões) tentaram iniciar ações de crowdfunding semelhantes, mas não chegaram nem a lançar as campanhas por não conseguirem acertar garantias com os clubes estrangeiros. Cristian, inclusive, chegou até a gravar um vídeo no qual pedia doações aos torcedores corintianos, mas nem ele e nem o site voltacristian.com.br chegaram a ir ao ar oficialmente.

Sucesso na Alemanha: até Schumacher pagou
Um caso de sucesso em campanha de crowdfunding aconteceu recentemente na Alemanha, em 2009. O atacante Lukas Podolski , que na época estava no Bayern de Munique , mas que não conseguia render o esperado dentro de campo, foi contratado pelo Colônia, seu clube de coração e que já havia defendido no começo da carreira, com uma boa parte do dinheiro vindo de torcedores.

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Colônia acertou em cheio e Podolski voltou
Na ocasião, o valor total do passe de Podolski era 10 milhões de euros. A diretoria da equipe decidiu então colocar 40 mil pixels à venda em seu site oficial - o valor de cada um era 25 euros. Com a iniciativa, o clube conseguiu arrecadar 1 milhão de euros, viabilizando a contratação do jogador, que permanece na equipe até hoje.

Confira a ficha completa do atacante Lukas Podolski

Torcedor fanático e ilustre do Colônia, o piloto Michael Schumacher, heptacampeão da Fórmula 1, ajudou a financiar o retorno de Podolski comprando 35 pixels - o equivalente a 875 euros. No final das contas, a venda de todas as unidades formou o rosto do atleta.

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Túlio "Maravilha" chegou de helicóptero para sua apresentação na pequena Canedense
"Disk-asilo" arrebentou em Goiás
Em 2007, a FGF (Federação Goiana de Futebol) resolveu fazer uma ação parecida com o "Disk Marcelinho" da FPF. O "Projeto Craques do Goianão", que acabou ganhando o apelido de "Disk-asilo", envolveu apenas "ciganos" da bola e teve relativo sucesso. A entidade contratou doze veteranos e os torcedores ligavam para escolher o clube pelo qual cada atleta jogaria o Estadual. O clube mais votado seria o primeiro a escolher um jogador, o segundo escolheria entre os restantes e assim por diante.

ÍDOLO: Marcos assina para ser "o cara" do marketing palmeirense

A grande estrela da campanha era o artilheiro Túlio "Maravilha", à época com "apenas" 37 anos. Alguns outros jogadores conhecidos e rodados eram Sinval (39), Paulinho Kobayashi (36), Aldrovani (34), Gian (32), Alex Oliveira (32), Yan (31), Fábio Luís (30), Tiano (29) e Anaílson (28). Os torcedores que mais ligaram foram os da Canedense (38%), que escolheram o "Maravilha" para integrar suas fileiras. Além de contratar os jogadores, a FGF também pagou salários dos jogadores durante o Goianão daquele ano (os valores variavam entre R$ 15 mil e R$ 30 mil). A ação conseguiu aumentar a média de público do Estadual na temporada.

*colaborou Hector Werlang, iG Porto Alegre

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